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sexta-feira, 20 maio, 2022

As lives são um modismo ou vieram para ficar?

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Desde seu início, a internet foi feita de impulsos, corrida para ver quem pode “disruptar” mais rápido, a fadiga pós-corrida e a estabilização com o comportamento incorporado ao cotidiano. Não tem como pensar que as lives, um traço marcante do período pandêmico, não deixarão de seguir este caminho.

Lembro da primeira vez que vi a abertura de uma câmera para uma transmissão ao vivo a partir de um celular qualquer usando uma rede 3G que estivesse disponível. O primeiro aplicativo que passou a usar esta tecnologia foi o Meerkat que chegou a transmitir palestras da SXSW 2013 e depois até um show do U2. Em poucos dias, surgia o Periscope, que logo foi adquirido pelo Twitter. E aí, durante os protestos de 2013, a tecnologia se disseminou no Brasil por meio de jornalistas de rua.

Logo, quase todas as plataformas passaram a incorporar a tecnologia às suas funções. Mas foi exatamente durante a pandemia que a inovação passou a ser a ferramenta possível e essencial para evitar a morte de algumas manifestações necessárias. Os músicos passaram para lá e todos os shows começaram a acontecer com hora marcada e transmitidos a partir da “cozinha”, ou melhor, do estúdio pessoal de artistas que amamos. E o mercado de eventos também teve um breve respiro por ali. Isso sem falar na indústria da educação on-line, que encontrou na live o perfeito substituto da aula remota.

A tecnologia razoavelmente barata (bastava uma boa conexão, uma conta em rede social e algum equipamento para captação) fez com que proliferasse o uso e o abuso das lives. Vimos a popularização de features em canais como Instagram e Twitter, além de softwares como o Streamyard que facilitou a vida de “youtubers” que passaram a contar com lives em seus canais.

Todos viraram “broadcasters”, gerando um volume de conteúdo com chamadas atraentes e conteúdos nem sempre tão proveitosos. A live passou a ser tão natural que começou a criar uma nova indústria de podcasts, pautada pelo fenômeno do videocast, com casos conhecidos como o Podpah e o Flow. Mas e agora que, finalmente, 2 anos depois, vemos uma luz — e não uma live — no fim do túnel? Será que seu uso será reduzido e voltaremos a priorizar o bom e velho contato humano?

Como falei acima, o ciclo da introdução de uma nova tecnologia segue o processo do impacto, o superuso, a fadiga e, finalmente, a incorporação natural às nossas vidas. E é isso que vejo acontecendo. A live passou a ser algo comum para a manifestação de “creators”, professores e marcas. Não é mais um “big deal” e, mesmo que tenha pouca audiência, seu conteúdo pode ser espalhado posteriormente em pílulas por outros canais.

Além disso, é possível participar da corrente de audiência de plataformas mais ativas como TikTok e Instagram. Quem abre uma live repentina, ganha a visibilidade de quem está lá apenas para navegar. O próprio algoritmo destes canais privilegia quem abre uma live. É importante considerar também que seu crescimento é o resultado de novos hábitos já naturais, inclusive a transmissão de eventos híbridos.

Por isso, vejo que a fadiga é apenas a “ressaca” que de uma “forte onda” generalizada de marcas e “creators” em busca de atenção. Agora é natural que veremos uma consolidação, com um hibridismo (live em eventos com plateia) e o uso natural mais regular. Isso sem falar em como o Metaverso irá incorporar o conceito de live para um mundo 100% virtual. Mas isso é tema de outro artigo. Ou talvez uma live, por que não?

*Por Daniel Rimoli, diretor de Planejamento e Inovação da Repense.

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