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As tendências ditadas no maior evento de varejo do mundo – Por Gustavo Pisani

Foto: Divulgação/ nrfbigshow.nrf.com

Por Gustavo Pisani*

Após três dias do maior evento mundial voltado para o setor de varejo, o NRF Retail’s Big Show, que aconteceu em Nova York, trouxe as tendências e oportunidades para o setor em 2023, apresentadas para quase 40 mil pessoas.

Acompanhando o evento, pude notar que de fato, por tratar-se de um evento com mais de 100 anos de experiência, eles realmente ditam o que é ou não tendência, e, ao longo do ano, posso ver as transformações e tecnologias apresentadas se desenvolverem nas mais diversas empresas. E, antes mesmo de começar o evento, os organizadores já estavam apostando em experiências digitais de compra, automação de processos e modelos de varejo inovadores como três tópicos que seriam bastante explorados para ajudar os varejistas a navegar em um mundo cada vez mais pautado por tendências como Inteligência Big Data, novos meios de pagamento e Inteligência Artificial.

Nesse contexto, já podemos citar a tecnologia blockchain, que possibilita democratizar a internet, garantir segurança de dados e personalizar a experiência do usuário, entre outros usos, a tecnologia RFID (Radio Frequency Identification), que possibilita a identificação e rastreamento de maneira automática para registro de dados e maior visão computacional, que analisa e extrai informações relevantes de imagens e vídeos para tomadas de decisões. E quando falamos de meios de pagamentos, a probabilidade do PIX seguir sendo o meio preferido para os próximos 10 anos ainda é uma realidade, de acordo com a Carat Insights. Mas, como grandes tendências para o ano, temos também o Iniciador de pagamentos, as carteiras digitais e pagamentos via QR Code,

Em meio a tudo isso, cada vez mais, lidamos com a importância de pensar no consumidor como algo primordial, entendendo quais novidades inovadoras podemos trazer para complementar experiências e jornadas satisfatórias, e, com isso, são exigidas cada vez mais novas habilidades e competências de quem atua na área, com objetivo de atenderem às expectativas de um público cada vez mais exigente. De acordo com o Índice Antecedente de Vendas do Instituto para Desenvolvimento do Varejo (IAV-IDV), para janeiro e fevereiro de 2023 há projeção de crescimento nominal de 4,7% e 6,4% no varejo, e, eu acredito que o mercado se prepara para um ano de muitas novidades e transformações.

A GoShare, por exemplo, empresa que auxilia os varejistas na otimização da última milha até o destino com o uso de APIs e aprendizado de máquina, falou sobre a digitalização de processos logísticos, reforçando que quanto maior for a adoção de ferramentas avançadas de Analytics para otimizar o roteiro entre os centros de distribuição até o destino entre os diferentes modais de transporte utilizados em cada trecho, maior o ganho para a operação do Varejo com redução de custos significativos, melhorando a eficiência do processo de entrega. Gostei bastante também da abordagem da empresa Pactum também, que trouxe a importância das negociações autônomas via chatbot, que precisam mapear o que é importante para o fornecedor por meio de perguntas previamente selecionadas, trazendo facilidade para os termos de negociação antecipadas, auxiliando quando se trata de grandes volumes a serem comprados em negociações, trazendo previsibilidade de receita.

É inevitável também não falarmos do crescimento contínuo do e-commerce estimulado por maior conveniência, principalmente por conta dos últimos três anos, onde a transformação digital de lojas físicas foi quase que obrigatória, e, os consumidores se adaptaram ao modelo de compra pela facilidade. E, por isso, é necessário também ficarmos de olho no aumento de preços acompanhados de mudança no padrão de consumo.

Ainda pensando em experiência e agilidade para o consumidor, temos a tendência Grab and Go, sistema de atendimento com automação de caixa, com produtos já embalados e prontos para levar, otimizando o tempo dos clientes, e, também, a redução de custos com o uso de automação nos processos de logística reversa, onde ocorre a devolução do produto, diminuindo as etapas intermediárias, para facilitar para o cliente fazer o processo de despacho da mercadoria.

E por fim, e não menos importante, o evento trouxe a questão da responsabilidade sustentável, como o crédito de carbono, que tem como objetivo estimular financeiramente empresas que reduzem a emissão de gases do efeito estufa, poluindo menos.

 

*Gustavo Pisani é diretor de estratégia Digital do Varejo na FCamara

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