O Avaí dá passo importantes para o seu futuro, com a criação da SAF 100% do clube, aprovada por 103 a 82 em reunião extraordinária do Conselho Deliberativo, na noite de segunda-feira (15). Um modelo que, se bem aplicado, pode trazer os recursos necessários para a recuperação financeira e a modernização da gestão. A proposta agora será submetida à Assembleia Geral, na quinta-feira (18) e visa abrir um novo CNPJ, permitindo futuras negociações com investidores, sem comprometer o patrimônio do clube. No entanto, a decisão não é simples e envolve riscos a considerar.

Modernização e Recuperação
A criação de uma SAF é, sem dúvida, uma resposta a uma situação financeira crítica. O clube enfrenta um orçamento com cortes drásticos, revelados pelo presidente eleito Bernardo Pessi em recente entrevista. Uma folha salarial enxuta e um elenco abaixo das expectativas. Nesse contexto, a SAF surge como uma ferramenta para trazer novos investimentos e abrir portas para a modernização do clube.
A entrada de novos recursos poderia melhorar a estrutura do time e possibilitar a contratação de reforços significativos, algo essencial para que o Avaí continue competitivo no cenário estadual e nacional. Vai defender a partir de janeiro o título estadual conquistado este ano na Ressacada, na decisão com a Chapecoense. Contudo, isso só será possível se os investimentos forem feitos de maneira sólida e com o comprometimento de um parceiro que entenda as necessidades do clube.
Gestão profissional
Não se trata apenas de conseguir dinheiro. A implementação de uma SAF exige uma gestão profissional e transparente. Tullo Cavallazzi, advogado e conselheiro do clube, disse em entrevista recente à Jovem Pan News, no Debate da Pan, que é crucial que qualquer negociação com investidores seja feita de forma criteriosa, para evitar os erros do passado. A gestão deve ser profissionalizada, com foco em resultados dentro e fora de campo, respeitando a história e os objetivos do Avaí.
As garantias
Apesar das promessas de crescimento e recuperação, a criação da SAF não está isenta de riscos. O maior temor de muitos avaianos, especialmente dos 82 conselheiros que votaram contra, é a falta de segurança quanto à estabilidade do novo modelo. Afinal, um projeto mal conduzido pode resultar em mais dívidas ou, pior ainda, na perda de identidade do clube.
Não é difícil imaginar o Avaí, um clube centenário e tradicionalmente associativo, se distanciando de sua essência em troca de uma gestão pautada apenas pelo lucro. Os riscos de uma transição mal planejada são enormes, e isso gera uma enorme desconfiança no torcedor e nos conselheiros que temem que a SAF não traga os resultados esperados, levando o clube a uma nova crise financeira.
Desafios da Assembleia Geral
A Assembleia Geral, marcada para quinta-feira (18), será o palco da decisão final. Os sócios terão o poder de validar ou não a criação do novo CNPJ e os rumos futuros da SAF. A proposta não envolve, de imediato, a venda de participação do clube para investidores, mas abre portas para futuras negociações. A questão crucial será como equilibrar a necessidade urgente de recursos com o risco de perder o controle sobre o próprio clube.
Racionalidade Financeira
O maior desafio será, sem dúvida, conseguir transformar os recursos em soluções reais para o clube, sem comprometer sua integridade. Não se trata de uma simples captação de dinheiro, mas de aplicar esses recursos com inteligência e criatividade. A recuperação das dívidas históricas e o fortalecimento da gestão são processos que exigem muito mais que recursos financeiros. Exigem uma visão clara, estratégias bem definidas e uma execução impecável.









