Ponto zero
A partir de segunda-feira (5), o Avaí entra, de fato, em uma nova era. Até aqui foi solenidade, discurso e expectativa. Agora começa o trabalho pesado, aquele que separa boas intenções de decisões duras. A mudança precisa ser real, de método, de mentalidade e de comando. Bernardo Pessi reúne atributos raros no futebol brasileiro: é jovem, advogado, organizado, com visão empresarial e compreensão jurídica de um clube que vive sob risco constante. Não é salvador, mas tem preparo. Carlos Schmidt é peça-chave. Economista, auditor, especialista em números e controle, com longa trajetória na Celesc e no setor público. É o contraponto ideal ao presidente: menos holofote, mais planilha. Em um Avaí quebrado, isso vale ouro.
Sob nova direção

O Avaí não precisa apenas de novas pessoas, precisa de outra lógica de gestão. Receita e despesa precisam, finalmente, conversar. O clube não suporta mais decisões baseadas em aposta esportiva sem lastro financeiro. Não basta cortar no futebol. A estrutura administrativa também precisa ser revista. O Avaí não pode sustentar um modelo caro, pesado e ineficiente, ainda mais com presidente e vice remunerados. Cada cargo precisa justificar seu custo.
CEO questionado
A permanência do CEO Lucas Pedroso é, hoje, o principal ponto de interrogação. Na gestão anterior, não houve equilíbrio entre arrecadação e gasto. O resultado está nas dívidas, nos atrasos e no colapso financeiro de 2025. Há indícios fortes de que Lucas Pedroso deixará a Ressacada. Internamente, muita gente associa a estrutura da SAF criada à figura do CEO, o que gera ainda mais debate. Seja qual for a decisão, ela precisa ser rápida, clara e pública. E quem disse que o Avaí precisa de CEO?
Comando firme

O Avaí não pode conviver com ambiguidades. Quem manda? Quem decide? Quem fica? Quem sai? Pessi e Schmidt precisam assumir o controle total da estrutura. A troca de gestão exige, inevitavelmente, troca de cabeças. A SAF não é solução mágica, mas é ferramenta. Bem feita, pode atrair investidores, profissionalizar o futebol e preservar o patrimônio. Mal conduzida, vira mais um problema. A Justiça suspendeu os efeitos; agora, o clube precisa mostrar segurança jurídica e credibilidade.
Investidor alvo
O Avaí precisa de um investidor grande, comprometido com o futebol, não com especulação. Alguém que compre o projeto esportivo, não a história do clube. Esse filtro será determinante para o futuro. No curto prazo, o torcedor precisa entender: não haverá time milionário. O foco será reconstrução, organização e competitividade possível. Criar “casca” de time vencedor começa fora do campo.
Virada cultural
O maior desafio não é financeiro nem esportivo, é cultural. O Avaí precisa aprender a viver dentro da própria realidade. Se conseguir isso, volta a crescer. O cenário é duro, o buraco é fundo, mas há, pela primeira vez em muito tempo, uma sensação de método. Se Pessi liderar com firmeza e Schmidt controlar os números com rigor, o Avaí pode, sim, encontrar um rumo. O futuro depende das decisões que começam agora.









