Outubro 20, 2020

Aviões, carros, etc, tudo produzido por cérebros. Favelas têm cérebros

Aviões, carros, etc, tudo produzido por cérebros. Favelas têm cérebros
Reprodução

O que é que produz um automóvel, um avião, e com isso ganha uma montanha de dinheiro? Resposta: É um conjunto de cérebros, que aprenderam a produzir o automóvel, ou o avião. Na favela tem cérebros? Tem, sim. Só que não aprenderam a produzir o automóvel ou avião. Os cérebros da fábrica de automóveis ou aviões também não sabiam. Até que aprenderam a produzir. É esse o único caminho para a favela sair da pobreza. Fazer seus cérebros aprenderem a produzir, se não automóveis e aviões, coisas mais simples, bicicletas, cadeiras, sapatos, mesas, colchões, vidro, roupas, bolsas, brinquedos, louça, panelas, comida, bebidas, etc., etc. Tudo que existe por aí, de mais simples, produzido fora das favelas. A única coisa necessária para fazer isso é capacitar os cérebros para fazer. Cérebros não estão faltando nas favelas. Só estão faltando as capacitações desses cérebros para produzir. Tudo, ou quase tudo. Enquanto os cérebros das favelas não aprenderem a produzir alguma coisa, para vender e ganhar dinheiro, as famílias das favelas continuarão na pobreza e na fome.

É difícil ensinar os cérebros das favelas a produzir alguma coisa? Algumas coisas são mais difíceis. Automóveis, aviões, por exemplo. Outras são mais fáceis. Roupas, bicicletas. Porque, então, não se escolhe as mais fáceis, e se começa imediatamente a ensinar as favelas a produzir? Para ganhar dinheiro e fugir da pobreza e da fome? Resposta: Porque não se tem um sistema educacional que faça isso. E porque não se tem um sistema educacional que faça isso? Porque os que hoje produzem não só os automóveis e aviões, mas também tudo que a pobreza consome, não querem que isso aconteça. E estão mancomunados com o governo para impedir que isso aconteça. O máximo que é permitido ao sistema educacional ensinar as pessoas a fazer são as tarefas simples, mecânicas, dos que trabalham para essas poucas organizações produtivas monopolizadoras do consumo pela sociedade, e pela pobreza. O que fica claro, entretanto, é que todos os produtos humanos são produzidos por cérebros treinados, educados para isso. E que as favelas possuem cérebros que podem ser treinados para produzi-los, pelo menos os mais simples, e assim libertá-las da pobreza e da fome.         

Para fazer isso, educação integral, corretamente definida. Metade do dia ensinar os cérebros da favela a produzir, se não automóveis e aviões, outros produtos, mais simples. E metade do dia injetar nesses treinamentos, nessa educação para produzir, as tais matérias básicas acadêmicas – matemática, línguas, ciências, etc. – mas devidamente articuladas com os interesses da produção profissional e do empreendedorismo. A tese geral do que estamos dizendo é bem clara. Na fábrica de automóveis e aviões são os cérebros que sabem produzir as duas coisas. Nas favelas tem cérebros também, que podem aprender a produzir automóveis e aviões. Ou, pelo menos, outros produtos mais simples. É um absurdo para a economia distributiva e completa que o Brasil poderia ter, não ensinar as favelas a produzir para sair da miséria e da fome. O caminho para fazer isso é muito claro, a educação integral corretamente definida acima. A educação só não vai nessa direção por uma razão. Porque os monopolizadores da produção não querem. E porque os técnicos educacionais conservadores, que estão a serviço desses monopólios, ficam intimidados com a envergadura da reforma a que tem que ser submetida a educação para fazer com que os cérebros das favelas consigam produzir. Se não automóveis e aviões, outros produtos, um pouco, ou bastante, mais simples.

Por Ricardo Luiz Hoffmann, formado em direito, técnico em assuntos educacionais da Universidade Federal de SC, aposentado.

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Redação Making Of

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