Julho 19, 2021
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Bolsonaro deve vetar o Fundão de R$ 5,7 bi

Bolsonaro deve vetar o Fundão de R$ 5,7 bi

O presidente Jair Bolsonaro preferiu poupar a base governista e dizer que a culpa pela aprovação de R$ 5,7 bilhões para o Fundo Eleitoral, embutida na Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO), foi do deputado federal Marcelo Ramos (PL-PA), vice-presidente do Congresso Nacional, que não votou o destaque da matéria, como queriam muitos parlamentares.

Bolsonaro deveria vetar este trecho da LDO e não ficar a inventar um bode expiatório, até porque o próprio Marcelo Ramos escrachou nas redes sociais que o valor do Fundão foi gestado pela base governista e fechado em acordo antes da votação.

O presidente não deixou clara esta intenção de veto - que só deve ser efetivado quando da análise do Orçamento Anual, no fim do ano -, principalmente pela reação que deverá ocorrer dentro da própria base, notoriamente no Centrão, que dá sustentação ao governo, mas derrubar este valor, deixar em patamares mais próximos dos R$ 2 bilhões, usados em 2020, faria bem à imagem desgastada de Bolsonaro e melhor ainda para o contribuinte, que não aceita pagar esta conta.

 

Na corrida

É tanta vontade de se livrar da pecha negativa, que os deputados da base governista correram para publicar em duas redes sociais o vídeo em que Bolsonaro afirma que a culpa é de Ramos, que rebate à altura a provocação.

Aliás, Bolsonaro disse que foi uma “casca de banana, uma jabuticaba” que existiam no texto, quis dizer jabuti, expressão cunhada no processo sobre contrabandos colocados em meio a grandes projetos, animal que não sobe em árvores, mas é colocado nos galhos mais altos por alguém. Veja o ponto e o contraponto da polêmica:

 

 

Pressa

Saibam que havia outro fator em questão na votação da LDO no Congresso, a pressa excessiva.

É que os deputados e senadores só sairiam em recesso se votassem a matéria, o que explicaria a falta de cuidado e o vácuo deixado para os governistas mais afoitos.

 

“Pelado na piscina”

Para o presidente da República, quem prática a cobrança de propina faz “pelado na piscina’ e não grava vídeo, como o ex-ministro Eduardo Pazuello (Saúde) fez com a diretoria da World Trend, com sede em Itajaí, desmentida pela fabricante da vacina chinesa Coronovac, que não tem intermediários no Brasil além do Instituto Butantan.

Vestido ou não, Pazuello tem que se explicar e os conservadores bolsonaristas descobriram que não foi só a Secretaria da Saúde de Santa Catarina que caiu no conto do atravessador para comprar insumos na pandemia, o lamentável e escandaloso episódio dos respiradores, já que World Trend também queria pagamento antecipado por algo que não tinha como intermediar.  

Em Santa Catarina, teve gente que caiu; em Brasília, felizmente não.    

 

DANIEL CONZI/AGÊNCIA AL

O BOM EXEMPLO FOI MANTIDO

O presidente da Assembleia, deputado Mauro De Nadal (MDB), acertou ao manter o que Julio Garcia (PSD) já havia decidido no ano passado e suspendeu o recesso parlamentar que começaria esta semana. Ao contrário das trapalhadas no Congresso, De Nadal entendeu, com o apoio da mesa diretora, de que o Estado de Calamidade Pública, que foi decretado no Estado em função da pandemia, e o trabalho legislativo que inclui a análise da Reforma da Previdência dos servidores estaduais, impedem que os deputados tenham a folga regimental, que valeria de 18 de julho a 1º de agosto. Acertou a Assembleia, mesmo que devamos concordar que fazer comparações nem sempre sejam viáveis na política.

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Roberto Azevedo

Roberto Azevedo
Roberto Azevedo tem 36 anos de profissão. Estudou jornalismo na UFSC, de Florianópolis, e direito na FURB, de Blumenau. Foi repórter, editor, chefe de Reportagem, chefe de Redação, editor-chefe, gerente e diretor de Jornalismo, na RBS TV de Blumenau e Florianópolis, na TV Record de Florianópolis, na Rede TV Sul! e na TVBV (Barriga Verde, BAND); comentarista na RIC TV Record e na Record News, e colunista no Diário Catarinense (onde também foi editor de Política) e no Notícias do Dia, tendo blogs nas versões digitais das edições. Atuou nas rádios União de Blumenau e União FM de Florianópolis, e na Rádio Record da Capital catarinense. Além de ter uma coluna no Portal Making Of, desde setembro de 2016, faz comentários sobre política e economia na Rádio Cidade em Dia FM, de Criciúma, e na TVBV (BAND), de Florianópolis.
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