Outubro 22, 2021

Bolsonaro e aliados encaram o mundo real

Bolsonaro e aliados encaram o mundo real
ISAC NÓBREGA/PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA

No mesmo dia em que parte da equipe do ministro Paulo Guedes (Economia) - a perigo de perder o cargo a qualquer momento - debandou e outros integrantes da pasta das Minas e Energia deixaram o cargo, o assunto R$ 400 para o auxílio brasil (que substituirá o Bolsa Família) e o valor semelhante para abono com os gastos com o diesel para os caminhoneiros autônomos (cerca de 750 mil trabalhadores), o presidente Jair Bolsonaro e seus aliados voltaram-se para o mundo real.

Decidir deixar as redes sociais e os ataques às instituições e biografias públicas ainda é pouco provável, mas combater a inflação e seus efeitos nefastos no bolso dos brasileiros é mais importante do que criar factoides a todo segundo, ainda mais com a ameaça de uma greve de caminhoneiros e de desabastecimento.

O problema é que todos os valores envolvidos necessitam de uma fonte para evitar a contabilidade criativa e o estouro no teto de gastos do governo federal, uma tragédia fiscal que, antes de efetivada, provocou a reação negativa do mercado de capitais e significaria, a médio prazo, a perda da credibilidade de investidores externos.

A saída seria aprovar a PEC dos Precatórios (dívidas da União decorrentes de decisões judiciais), assegurar o limite no pagamento previsto e garantir um excedente de R$ 83 bilhões no ano que para bancar os novos programas, que já passou na Comissão Especial da Câmara, na quinta (22), embora venha acompanhada da correção do teto de gastos e especialistas alertam que a desconfiança deva gerar mais inflação.

 

No ataque

Na linha de Bolsonaro, que finalmente admite que a alta dos combustíveis (gasolina e diesel) é efeito dos preços internacionais do petróleo, agravada pela alta do dólar, e não culpa do ICMS e dos governadores, nem mesmo aliados como o senador Jorginho Mello (PL) aliviaram a pressão no Congresso, para quem criou até uma hashtag (#VotaRelpLira).

O senador catarinense cobra do presidente da Câmara, deputado Arthur Lira (PP-AL), a votação do novo Refis, parada há 70 dias na casa legislativa, sugestivamente chamado de Relp (sic), para atender 500 mil pequenas e médias empresas beneficiadas pelo Simples Nacional que somam uma dívida com tributos estimada em R$ 35 bilhões.

Jorginho usa um termo forte para denominar a situação, caso a Câmara não vote: “Lira responderá pela morte dessas empresas e empregos”.

 

Sonho de consumo 1

Jair Bolsonaro tem intensificado os contatos com Valdemar da Costa Neto, presidente nacional do PL, sonho de consumo do senador Jorginho Mello, que teria o 22 assim como o 17 foi para Carlos Moisés, em 2018.

Segundo o senador Flávio Bolsonaro (Patriota-RJ), que considera a chance “animadora”, essas conversas com o PL não atrapalham a maior aproximação de Bolsonaro com o PP, que tem o senador e presidente da sigla Ciro Nogueira, do Piauí, na articulação do Planalto à frente da Casa Civil.

 

Sonho de consumo 2

Na reportagem publica pelo Portal IG, consta que o assunto foi tratado em um jantar, na quarta-feira desta semana (20), onde participaram o catarinense Jorginho Mello, o próprio Valdemar, a ministra da Secretaria de Governo, Flávia Arruda (DF), o senador Carlos Portinho (RJ) e o vice-presidente da Câmara, deputado Marcelo Ramos (AM), todos do PL.

Do lado do Planalto, estava no evento a deputada federal Bia Kicis (PSL-SP), ligada ao presidente da República, que age como uma interlocutora, e terá que considerar que o presidente nacional do PL já foi muito próximo a Lula e acabou condenado e depois indultado por conta do Mensalão do PT.

E agora?

Alguém decretou que o novo delegado-geral de Polícia Marcos Ghizoni Junior não deve formar a equipe dele, por isso a troca do delegado Rodrigo Schneider, que chefiava a coordenadoria estadual de combate à corrupção da Polícia Civil, entrou no circuito das especulações sobre uma possível limpeza de quem supostamente investiga integrantes da administração estadual por irregularidades.

O assunto interferência política na Polícia Judiciária do Estado surgiu quando do vácuo de três dias que a administração de Carlos Moisés da Silva deixou ao não explicar os motivos da saída, depois de menos de duas semanas nomeado, do delegado-geral Laurito Akira Sato, que envolveria, na versão de delegados e opositores do governo, uma recusa para substituir chefes de investigações de corrupção.

Akira saiu por problemas de saúde, Ghizoni tem o direito de nomear quem ele quiser, a unidade que combate a corrupção terá como titular João Westphal Martins, enquanto Schneider, o substituído, já colocara o cargo à disposição no início deste mês, na versão oficial, por acumular as funções de coordenador do laboratório de lavagem de dinheiro da Deic e de gerente de investigações criminais da unidade, nas quais prossegue nos cargos.

 

DIVULGAÇÃO

A EDUCAÇÃO É O FUTURO

Reconhecida pela defesa da educação pública com qualidade, a deputada federal Tabata Amaral (PSB-SP) ficou impressionada positivamente com a iniciativa Movimento Geração do Futuro, desenvolvida pela prefeitura de São José, que tem como um dos principais entusiastas o secretário de Desenvolvimento Econômico e Inovação do município, Marcelo Fett. Foi ele quem apresentou a parlamentar o trabalho que objetiva a criação de uma jornada de formação de crianças, jovens e profissionais que já estejam no mercado de trabalho, o desenvolvimento de competências necessárias para atuar na nova economia global, em uma videoconferência nesta sexta (22). Tabata se propôs a acompanhar a iniciativa e até levar o modelo para escolas públicas paulistas. Para quem não sabe, a hoje deputada estudou em escola pública e pelo esforço e apoio dos que a viram com potencial, representou o Brasil em cinco competições internacionais de ciências, que garantiram bolsas de estudo para se formar em ciências políticas e astrofísica pela renomada Universidade Harvard, nos Estados Unidos. A deputada é cofundadora do Movimento Mapa Educação e do Movimento Acredito, que busca a renovação do Congresso.

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Roberto Azevedo

Roberto Azevedo
Roberto Azevedo tem 36 anos de profissão. Estudou jornalismo na UFSC, de Florianópolis, e direito na FURB, de Blumenau. Foi repórter, editor, chefe de Reportagem, chefe de Redação, editor-chefe, gerente e diretor de Jornalismo, na RBS TV de Blumenau e Florianópolis, na TV Record de Florianópolis, na Rede TV Sul! e na TVBV (Barriga Verde, BAND); comentarista na RIC TV Record e na Record News, e colunista no Diário Catarinense (onde também foi editor de Política) e no Notícias do Dia, tendo blogs nas versões digitais das edições. Atuou nas rádios União de Blumenau e União FM de Florianópolis, e na Rádio Record da Capital catarinense. Além de ter uma coluna no Portal Making Of, desde setembro de 2016, faz comentários sobre política e economia na Rádio Cidade em Dia FM, de Criciúma, e na TVBV (BAND), de Florianópolis.
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