Outubro 28, 2020

Capitalização embasada no consumo pela pobreza

Capitalização embasada no consumo pela pobreza
Reprodução

O Brasil, segundo a ONU, a pior distribuição de rendas do mundo. Porque isso? Porque a meia dúzia de grandes capitalistas brasileiros produzem apenas para o consumo por parte dessa vasta massa de pobreza. Não competem dentro da produção sofisticada mundial.

O projeto de renda mínima para toda a população, que já está a caminho em alguns países desenvolvidos, é, sem dúvida, um razoável benefício para a pobreza, diminuta em tais países. Mas no Brasil, sem um programa complementar de raiz sólido para acabar com a pobreza, esse programa da renda mínima teria, sem dúvida, outra intenção. Aumentar o consumo, e com isso beneficiar a meia dúzia de grandes capitalistas que produzem apenas para o consumo das grandes massas de pobres do Brasil. Pintado pelos políticos como assistencialismo, caridade, sem acompanhamento de um programa consistente para acabar com a pobreza, essa proposta só se tornaria completa se viesse acompanhada de uma revolução na estrutura da nossa produção.

Passo principal: Ensinar as favelas a produzir os artigos primários, simples, do consumo pela vasta pobreza: Roupas, alimentos, remédios baratos, etc... etc... E pressionar a meia dúzia de grandes capitalistas do Brasil a partir para a produção de produtos mais sofisticados, e com isso concorrer na economia mundial. O que hoje o Brasil não consegue fazer. Exceto na agricultura, onde pobres e ricos comem, mais ou menos, os mesmos produtos. Mas nas áreas de tecnologias e ciências avançadas, o Brasil não consegue competir internacionalmente. Em resumo: Entregar a produção simples, para consumo por parte de nossa vasta pobreza, para ser realizada pelas comunidades dessa vasta pobreza. E forçar os capitalistas, os produtores ricos, a partir para a competição internacional.

Apenas dar a renda mínima aos pobres, para consumirem mais os produtos simples do consumo cotidiano, produzido pela meia dúzia de grandes empreendedores brasileiros, já é algum benefício para os pobres, sim. Mas principalmente é um grande benefício para essa meia dúzia de grandes produtores brasileiros. Entretanto, acompanhar esse programa da renda mínima com um programa sério de geração de empreendimentos, empregos e rendas nas próprias favelas, seria a verdadeira, a sólida revolução econômica que o Brasil precisa para produzir distribuição de rendas. A pior do mundo, segundo a ONU. Programa este, de produção pelos pobres, que não se basearia apenas em assistencialismo, em caridade. Mas sim na valorização econômica das inúmeras comunidades pobres do Brasil. Campeão da má distribuição de rendas, que é impossível corrigir apenas com doações caridosas por parte do governo. Que em vez de ter a extinção da pobreza como intenção, tem apenas a intenção de aumentar o consumo para a meia dúzia de grandes capitalistas do país. Que jamais vão gerar todos os empregos que a população pobre necessita.

Para ensinar as favelas a produzir é preciso uma revolução na educação. Educação integral, corretamente definida. Metade do dia profissionalização. Do nascimento à morte dos cidadãos. E metade do dia o ensino acadêmico insuficiente que está aí, péssimo por não ter ligação com as carreiras concretas de vida, trabalho e empreendedorismo dos indivíduos.  

Por Ricardo Luiz Hoffmann, formado em direito, técnico em assuntos educacionais da Universidade Federal de SC, aposentado.

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Redação Making Of

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