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domingo, 29 maio, 2022

Casildo era uma alegria política

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Casildo era uma alegria política

Quem diria que um dos mais proeminentes emedebistas de Santa Catarina, Casildo Maldaner – que fazia a festa como o registrado na foto, durante uma das vitoriosas campanhas de Udo Döhler, em Joinville – iniciou a carreira política como vereador, em Modelo, pela UDN, sigla que deu origem à Arena, responsável pela sustentação do regime militar.

Este foi sempre um dos poucos momentos em que Casildo ficava menos alegre, quando tratava deste pequeno detalhe, superado em muito por uma carreira de deputado estadual, federal, vice-governador, governador e senador por duas vezes, sempre pelo Manda Brasa, mesmo quando a legenda ganhou um P na frente.

Nas reuniões partidárias, ele era figura frequente e, antes da pandemia, em 2019, seguiu até o fim do ano boa parte da programação de eventos em todas as regiões do Estado, que conhecia tão bem como poucos, embora tivesse nascido em Carazinho, no vizinho Rio Grande do Sul, há 79 anos, o que fazia dele um dos tantos “Gaúchos a pé”, responsáveis pela grandeza do Oeste catarinense.

A despedida ao ex-governador será na Assembleia Legislativa, das 10h às 13h, seguirá todos os protocolos de saúde, e depois o corpo será cremado no Jardim da Paz, em Florianópolis, em cerimônia reservada à família.

Assista, a partir das 13h desta terça (18), ao vídeo que foi gravado dia 22 de abril de 2021, o último depoimento concedido à equipe que produzia o livro com as memórias de Casildo, onde ele fala sobre o legado político com quase 50 anos de carreira. A peça foi apresentada no encerramento do velório na Assembleia:

 

Singular e aguerrido 1

Dono de tiradas engraçadíssimas, Casildo era frequentador assíduo de um quadro do jornalista Alexandre Garcia no programa Fantástico, da TV Globo, que trazia o lado humorístico da política, pelas frases que pronunciava, dentro e fora do plenário ou ainda no exercício do governo do Estado.

Foram tantas, que Dorvalino Furtado Filho imortalizou algumas dessas expressões no Casildário, livro que chegou a ter duas edições.

Na despedida ao companheiro de partido, em 1990, em pleno Cemitério Municipal de Joinville, cercado de familiares, amigos, correligionários, câmeras e microfones, com transmissão ao vivo do sepultamento do governador, repetiu várias vezes que Pedro Ivo Campos era a “Ureia” que serviu para fertilizar a liberdade e a igualdade dos novos tempos no Estado, uma alusão ao primeiro governador de oposição eleito em Santa Catarina depois de encerrado o regime militar.

 

Singular e aguerrido 2

Mas não se enganem, este homem que gostava de sair dançando nas passeatas e campanhas, era capaz de fortes posicionamentos e, durante um programa RBS Entrevista, na afiliada da Globo, na década de 1990, tirou o então senador Esperidião Amin (PPB à época, hoje PP) do sério, ao repetir várias vezes cobranças sobre a administração do ex-governador.

O jornalista Cláudio Prisco Paraíso e integrantes da equipe tiveram que agir como turma do deixa disso para que os dois políticos não chegassem às vias de fato, enquanto a gravação já havia sido parada e o programa encerrado.

Coube a Casildo inaugurar a terceira ligação entre o Continente e a Ilha de Santa Catarina – que depois foi alvo de investigações por superfaturamento -, que levou o nome de Pedro Ivo, em tempos em que a Ponte Hercílio Luz estava fachada, justamente por uma faceta do destino, pois o mandato, à época, terminava dia 31 de março.

 

A nota de pesar

A direção estadual do MDB, hoje presidida pelo irmão de Casildo, o deputado federal Celso Maldaner, emitiu uma nota de pesar sobre a morte do ex-governador. Leia na íntegra:

“É com profunda tristeza que informamos a toda família do MDB catarinense que o ex-governador e ex-senador, Casildo Maldaner, nos deixou na noite desta segunda-feira, 17, às 23h, vítima de câncer. Aos 79 anos, Casildo foi uma das maiores e mais carismáticas lideranças do nosso partido.

Foi eleito vice-governador em 1986 na chapa encabeçada por Pedro Ivo. Com o falecimento do titular, em janeiro de 1990, ele assumiu o Governo de Santa Catarina. Enquanto governador, entre as suas realizações, podemos citar a autonomia financeira da Udesc, o compromisso com a escola pública gratuita e de qualidade e a implantação do Sistema Único de Saúde (SUS) em Santa Catarina. Em 1994 foi eleito senador, onde atuou até 2003. O primeiro governador do Oeste catarinense foi também vereador, deputado estadual e federal, e presidiu o BRDE.

Além de suas realizações e conquistas, Casildo será lembrado também pela sua determinação, alegria e força. Enquanto presidente de honra do MDB dedicou-se em motivar e estimular as nossas bases e apoiar as novas lideranças que surgiam.

Consternado, o irmão e presidente estadual do MDB, Celso Maldaner, fala do orgulho que tem em Casildo. “É uma honra e um orgulho ter um irmão como o Casildo, que, além de ter me inspirado, sempre desempenhou o papel de meu conselheiro. Seu espírito realizador, sério e engajado foi um exemplo não só para mim, mas para todos os que se dedicam a trabalhar em prol da população catarinense e brasileira. Como costumo dizer, a política é um sacerdócio e deve ser desenvolvida com muito trabalho e amor. E isso o Casildo fez como ninguém”, lembra.

Expressamos os nossos sentimentos a viúva e companheira de uma vida, dona Ivone Maldaner, seus filhos e netos e todos os seus familiares e amigos. Que Deus conforte a todos.

Informações sobre o velório
O velório acontece na Assembleia Legislativa, das 10h às 13h, e seguirá os protocolos de segurança e prevenção à covid-19. Na sequência, será realizada uma cerimônia de cremação, no Jardim da Paz, em ato reservada à família e amigos mais próximos. O credenciamento da imprensa, para o velório, deve ser realizado junto à comunicação da Alesc.

Biografia resumida:
Natural de Carazinho, Rio Grande do Sul, Casildo João Maldaner nasceu em 2 de abril de 1942. É o primogênito de nove filhos de Andreas e Érica Braum Maldaner. Casou com Ivone Maldaner, em 1972, com quem teve três filhos, Josaine, Jandrey e Janiara. Avô de Joanna, Joaquim, Jessica, Emília e Otto, concluiu o grau de bacharel em direito pela Universidade de Brasília. Irmão do deputado federal e presidente estadual do MDB catarinense, Celso Maldaner.

Iniciou sua vida pública em 1962 como vereador em Modelo, mesorregião do Oeste Catarinense pela União Democrática Nacional (UDN). O primeiro político da família Maldaner, fez campanha a cavalo e acabou sendo eleito como o vereador mais votado, com 114 votos. Com o fim dos partidos em 1966, Casildo filiou-se ao MDB. Partido que chegou a presidir em Santa Catarina e do qual foi presidente de honra até o seu falecimento.

Foi deputado à Assembleia Legislativa de Santa Catarina na 8ª legislatura (1975 — 1979) e na 9ª legislatura (1979 — 1983). Foi deputado à Câmara dos Deputados na 47ª legislatura (1983 — 1987). No seu primeiro mandato em Brasília aproximou-se de lideranças nacionais do PMDB, como Ulysses Guimarães, sendo conduzido a Executiva Nacional do seu partido como 1º secretário. Comandou o processo de redemocratização do Brasil, participando da Campanha Diretas Já e a da Eleição de Tancredo Neves. Atuou sob inspiração de bandeiras sempre voltadas para a conciliação, e entendimento e à prudência.

Foi vice-governador de Santa Catarina, eleito em 1986 na chapa encabeçada por Pedro Ivo Campos (PMDB). Com o falecimento de Pedro Ivo, em janeiro de 1990, assumiu a chefia do poder executivo estadual, exercendo o mandato até março de 1991. Sem mandato, Casildo assumiu a presidência do PMDB em Santa Catarina.

Foi eleito senador da República e exerceu o mandato de 1995 a 2003. Em 2006 foi eleito primeiro suplente do senador Raimundo Colombo (DEM-SC), pelo PMDB. Foi diretor do Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul até janeiro de 2011, quando Colombo renunciou ao mandato para assumir o governo de Santa Catarina e Maldaner assumiu novamente uma cadeira no Senado.

Conselheiro de grande parte das lideranças do MDB em Santa Catarina, Casildo João Maldaner teve participação decisiva nas eleições do ex-governador Luiz Henrique da Silveira e tantos outros companheiros que expressavam confiança da liderança de Maldaner. No comando do MDB, fortaleceu a sigla, liderando a famosa Jornada da Unidade no início dos anos 90 e dando início a uma caminhada de novas e importantes conquistas para seu partido.

No MDB e na política catarinense, Casildo será lembrado como um político realizador, de diálogo fácil e principalmente conciliador.

#NossoSempreGovernador #PraSempreCasildo”

Roberto Azevedo
Roberto Azevedo tem 37 anos de profissão. Estudou jornalismo na UFSC, de Florianópolis, e direito na FURB, de Blumenau. Foi repórter, editor, chefe de Reportagem, chefe de Redação, editor-chefe, gerente e diretor de Jornalismo, na RBS TV de Blumenau e Florianópolis, na TV Record de Florianópolis, na Rede TV Sul! e na TVBV (Barriga Verde, BAND); comentarista na RIC TV Record e na Record News, e colunista no Diário Catarinense (onde também foi editor de Política) e no Notícias do Dia, tendo blogs nas versões digitais das edições. Atuou nas rádios União de Blumenau e União FM de Florianópolis, e na Rádio Record da Capital catarinense. Além de ter uma coluna no Portal Making Of, desde setembro de 2016, faz comentários sobre política e economia na Rádio Cidade em Dia FM, de Criciúma, e na TVBV (BAND), de Florianópolis.
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