Janeiro 08, 2021

EU PROMETO

EU PROMETO
Divulgação/Freepik

Vocês não acharam que eu ia deixar de falar em promessas de Ano Novo, né?  Traçar metas na virada de ano é tão tradicional quanto fogos de artifícios (pobres dos cachorrinhos) e lentilha na ceia para trazer sorte. Começar dieta,  fazer academia, aprender a tocar um instrumento, ler mais, parar de fumar, beber menos vinho, ser mais tolerante com os que pensam politicamente diferente, visitar mais os pais, encontrar mais os amigos... são alguns clássicos.

2021 pode trazer algumas variações por causa da pandemia, algo que as gerações atuais jamais haviam enfrentado. De minha parte condicionei minhas promessas ao atendimento do meu pedido de Natal. Quem acompanha a coluna deve estar lembrado o que pedi ao Papai Noel: Que os cinemas sobrevivam e que a gente sobreviva para ir ao cinema.

O que ofereço em troca não é pouca coisa, não!

1)      Não vou xingar quem rói pipoca no cinema;

2)      Vou passar um ano  sem falar mal do Nicolas Cage;

3)      Darei mais atenção aos filmes brasileiros

4)      Vou parar de reclamar da inutilidade de se fazer  remakes

5)      Ficarei seis meses sem repetir que Pedro Almodóvar é meu diretor vivo favorito;

Pedi para alguns leitores e amigos contarem quais foram suas promessas nessa virada de um ano que aprontou tanta coisa com a gente. Olha aí...

Cida Garcia – Prometi tentar ser a cada dia uma pessoa melhor. Outra promessa: me ouvir mais.

Eliane Ribeiro – Não faço promessas para o novo ano. Razão? Não vejo sentido e até porque não vou cumprir. Vou continuar fazendo as coisas do mesmo jeito que sempre fiz. Vou continuar errando e acertando. Não me obrigo a nada.

Marcelo Guido – Até faço promessas...tenho uma média de 6/10 ...normalmente. As quatro que faltam envolvem exercícios, alimentação saudável, hidratação do corpo e sono correto. Acaba que se tornam recorrentes.Mas esse ano com a pandemia, me movimentei zero e comi tudo! Resultado, resolvi antecipar a resolução de tentar comer de forma correta. Resumindo a lista de  resoluções de Ano Novo: vou focar nas quatro que sempre sobram...

Paulo De Poli – Prometi que neste novo ano  não faria mais promessas que não irei cumprir.

Margarida Santi –  Prometo viver com leveza e esperança porque esta é a melhor vingança contra os que defendem o caos e a morte.

Juraci Perboni – Prometo tomar a vacina contra a Covid-19 e sair à rua para protestar! E como sempre: cumprir mais etapas de uma vida mais sustentável.

Ana Luiza Von Hohendorff – Não costumo fazer promessas para não me frustrar no fim do ano. Mas desta vez fiz a de me centrar para definir como vou viver a segunda metade da minha vida ( pretensiosa por cogitar durar até os 100 anos). Mãe de duas meninas aos 40, passei um bom tempo em função de "cuidar". Prometo buscar o equilíbrio e focar mais em mim, nas minhas habilidades, necessidades e desejos. Apertando o reset...

 

Olha, gente, se não cumprirmos, tudo bem. Tão tradicional quanto prometer, é descumprir as promessas de Ano Novo. Não virá nenhum castigo do céu, relaxem! No próximo ano, a gente faz tudo de novo...

(Brígida De Poli)

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DICAS DA COLUNA

FILMES

O CÉU DA MEIA-NOITE - direção: George Clooney – 2020 – Netflix

O filme pós-apocalíptico dirigido por George Clooney  sofreu uma saraivada de críticas, principalmente pelo uso de clichês ao contar a história de um cientista solitário que tenta avisar a equipe de uma nave que não volte à Terra, dizimada por uma hecatombe em 2049. O próprio Clooney vive o protagonista. Não é uma obra-prima, mas achei um filme simpático. Acredito que se fosse um diretor menos "estelar", a crítica seria mais condescendente. Lembrando que a estreia dele na direção foi muito bem sucedida: Boa noite e boa sorte ( 2005) é um filme muito interessante.

O Céu da Meia-Noite tem dois eixos e gosto bem mais daquele em que Clooney contracena com uma misteriosa menina ( Caoillin Spingall ,um achado de talento infantil!) do que o outro que mostra a equipe na nave. Apesar dos críticos, aposto que ele vai receber várias indicações ao Oscar ( o que não significa ter mais qualidades do que tem...). Direção, atuação, filme e outros nas categorias técnicas. A ver. Enquanto isso, espiem o trailer aqui.

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AOS OLHOS DE ERNESTO – direção:Ana Luiza Azevedo – 2020 ( YouTube)

Este filme foi recomendado pelo amigo Wladimir Neuquesaurt e valeu muito a indicação. A Casa de Cinema de Porto Alegre entregou mais um belo filme, desta vez o primeiro dirigido por Ana Luiza Azevedo. O roteiro dela e do experiente Jorge Furtado, com montagem de Giba Assis Brasil, resulta numa dessas pequenas jóias do cinema nacional que muita gente desconhece.

A trama não chega a ser original: a amizade  inusitada entre um homem mais velho solitário, ex-fotógrafo quase cego, e uma jovem "perdida" no mundo e como esse encontro muda a vida dos dois. Sem nunca descambar para a pieguice, o filme traz diálogos primorosos, com pitadas de humor principalmente nas cenas entre os dois vizinhos veteranos, um uruguaio (Jorge Bolani) e outro argentino( Jorge D´Elia) .Os atores estão ótimos nos papeis, assim como Gabriela Poester que interpreta a garota.

Obs.: O filme já esteve em cartaz no Canal Brasil, mas agora pode ser encontrado no YT, a preços acessíveis.

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SÉRIES

BRIDGERTON – 1 temporada – Netflix

Essa é uma daquelas para amar ou odiar, mas  toda a produção da poderosa Shonda Rhimes faz sucesso. Não morro de amores pelo trabalho dela, porém é inegável que ela sabe acertar o gosto popular como aconteceu com Greys Anatomy e Como defender um assassino. Desta vez até que me diverti, observando todos os pontos em que ela parece dizer " isso vai agradar". A história  se baseia no best-seller de mesmo nome de Julia Quinn, mostrando as tradições da regência britânica, principalmente o "mercado" de casamentos, único destino das mulheres da época.

Uma coisa que pode causar estranheza são os personagens  da nobreza interpretados por atores negros, como o protagonista, o Duque de Hastings, vivido por René Jean-Page. Essa escolha faz parte do color-blind casting, ou seja, pouco importa a cor original do personagem, atores podem fazer qualquer coisa.  Como "Midas" que é, a série da Shondalands já tem uma segunda temporada garantida. (VEJA O TRAILER)

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CONTOS DE LOOP – 1 temporada –  8 episódios - Prime Vídeo

Uma ficção diferente, sem grandes efeitos especiais, sem correria ou naves espaciais, onde as histórias acontecem em um passado de realidade alternativa. Os robôs e máquinas futuristas aparecem pelo cenário já em forma de sucata, sem que ninguém saiba direito o que fazem. Graças a essa ignorância, dois amigos trocam de corpo ao entrar numa esfera velha e enferrujada jogada no meio do mato. Essa é uma das muitas coisas estranhas que acontecem numa pequena cidade do interior dos EUA. Os personagens são basicamente os mesmos, mas a cada episódio há um novo acontecimento.  O cenário é inspirado nas pinturas fantásticas do artista sueco e especialista em ficção científica retrô,Simon Stalenhag. O clima é de melancolia, onde os humanos são carentes de atenção e afeto. No subterrâneo fica a empresa Loop, cujo líder é interpretado pelo ótimo Jonathan Pryce (o Papa Francisco em Dois Papas).

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THE END

 

 

(*) Fotos reprodução/divulgação

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Brígida Poli

Brígida Poli

Jornalista, cinéfila desde criancinha e maníaca por séries de TV desde "Os Sopranos". Não se considera crítica de cinema, pois não consegue deixar o coração de lado na hora de avaliar um filme. Adora falar e escrever sobre o assunto e tenta chamar a atenção para as grandes obras cinematográficas que as novas gerações desconhecem. Concorda com o mestre Federico Fellini quando ele disse que "o cinema é um modo divino de contar a vida".

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