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Tem brasileiro no Globo de Ouro, no Golden Beast e até no Framboesa de Ouro!

Foto: Divulgação/Reprodução

Quem acompanha a coluna já leu várias vezes eu me referir ao cinema brasileiro como “um forte”. Ao longo de sua história, houve incontáveis altos e baixos, dependendo da situação econômica no país até, e principalmente, à importância que cada governo dá à cultura. Felizmente, nos últimos anos, estamos vivendo um dos nossos melhores momentos com produções que ganharam o mundo, trazendo prestígio e divisas para o Brasil.

Depois do sucesso internacional de “Ainda estou aqui”, de Walter Salles, no ano passado, com premiações importantes e indicações ao Oscar, estamos acompanhando a trajetória muito bem sucedida de “O Agente Secreto”, de Kleber Mendonça Filho. O filme já recebeu 56 troféus em 36 premiações, incluindo Melhor Direção e Melhor Ator para Wagner Moura no Festival de Cinema de Cannes e no último domingo (11), o Globo de Ouro nas categorias Melhor Filme em Língua Estrangeira e Melhor Ator em Drama para Wagner. Se queremos mais? Claro ! Dia 22 de janeiro sai a lista dos indicados ao Oscar 2026, com cerimônia de entrega marcada para 15 de março. A probabilidade de “O Agente Secreto” e Wagner Moura estarem na lista é enorme.

Apesar da alegria de vermos nossos artistas brilhando no tapete vermelho, algumas polêmicas foram levantadas por questões ideológicas, a partir da dita “polarização” no país. Não quero me estender muito no assunto, então serei cirúrgica:

1) Não, “O Agente Secreto” não usou financiamento da Lei Rouanet , até porque ela não contempla longas-metragens (mas, se tivesse usado não haveria nada demais, principalmente pelo retorno para as empresas que tivessem investido na produção);

2) Para quem argumenta que os diretores só utilizam o assunto “ditadura” nos seus roteiros para fazer sucesso, referindo-se a “Ainda estou aqui” e ao “O Agente Secreto”, deixo abaixo uma listinha de ótimos filmes nacionais com outros temas dos quais gosto muito. Os dois primeiros com Wagner Moura, aliás. Bóra lá conhecer melhor o cinema brasileiro?

 

Sugestões de filmes brasileiros

  • Cidade Baixa – direção: Sérgio Machado – 2005 – Netflix
  • Saneamento básico – direção: Jorge Furtado – 2007 – Globoplay e Netflix
  • Cinema, aspirinas e urubus – direção: Marcelo Gomes – 2005 – Prime Vídeo
  • Estômago – direção: Marcos Jorge- 2008 – Globoplay e Telecine
  • O Lobo atrás da porta – direção: Fernando Coimbra – 2013 – Globoplay e Prime Vídeo
  • Marte Um – diretor: Gabriel Martins – 2022 –
  • O filho de mil homens- direção: Daniel Resende – 2025 – Netflix

 

Bônus

MANAS, dirigida por Mariana Brennand Fortes, foi indicado ao Goya de Melhor Filme Ibero-Americano, o prêmio mais importante do cinema na Espanha. O longa brasileiro aborda a exploração sexual infantil no Marajó.

 

CARMINHA, a gatinha que interpreta as personagens Liza e Elis em “O Agente secreto” levou o “Golden Beast” (O Bicho de Ouro) no The New York Film Festival. Sua performance no longa de Kleber Mendonça Filho foi considerada a melhor entre os animais que participaram de filmes em 2025.

 

YANUNI, o documentário brasileiro aclamado pela crítica internacional e incluído na shortlist do Oscar de Melhor Documentário de Longa-Metragem, lançou sua trilha sonora no Spotify, Apple Music e em todas as principais plataformas de streaming. O trabalho foi composto por H. Scott Salinas, com o apoio do compositor argentino Tomás Videla, em colaboração com o líder indígena, músico e produtor executivo Eric Terena, e com participações da rapper Katú Mirim e da cantora Djuena Tikuna. A música-tema “No Front” (“na linha de frente”), que aborda a exploração indígena e a extração ilegal de petróleo e ouro na Amazônia, foi escrita e interpretada exclusivamente pela rapper indígena Katú Mirim. Um videoclipe da música “Yanuni Suite”, com a participação de Juma, do conjunto de intérpretes e de cenas do filme, também foi lançado junto com a trilha.

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Artigo

Tem brasileira até no Framboesa de Ouro que premia os piores!

Estamos ocupando todos os espaços internacionais do audiovisual, até no troféu dos piores! Quem nos conta a história é o escritor e cinéfilo Robertson Frizero.

 

Razzies 2026: quando Hollywood tropeça — e ri de si mesma

A lista dos indicados aos prêmios Razzies, conhecidos no Brasil como Framboesa de Ouro, não é aguardada com muita expectativa pela indústria cinematográfica estadunidense — mas os cinéfilos divertem-se muito a cada ano com os nomes famosos escolhidos anualmente por votantes de diversas partes do mundo. Criado em 1981 como uma brincadeira de John J. B. Wilson, um redator de Los Angeles especializado na divulgação de filmes, o prêmio ganhou cobertura da imprensa já em seu primeiro ano e, atualmente, faz parte do calendário de premiações do cinema com uma peculiaridade: apontar os piores filmes do ano e seus responsáveis.

O Framboesa de Ouro têm servido, para além da galhofa, como um lembrete para os realizadores dos deslizes mais vistosos da indústria cinematográfica — de projetos grandes demais para ideias pequenas, estrelas confiantes em excesso e filmes aprovados com a perigosa convicção de que o nome no cartaz resolve tudo…

Este ano, a Golden Raspberry Award Foundation (GRAF) ainda não havia divulgado a lista oficial quando ela acabou vazando para a imprensa. Não há grandes surpresas, na avaliação dos críticos: muitos dos indicados já sinalizavam, no decorrer de 2025, os problemas de vários desses filmes cuja ambição estética muitas vezes não encontrou sustentação narrativa. The Electric State, com Millie Bobby Brown, e Nas Terras Perdidas, com Milla Jovovich e Dave Bautista, por exemplo, foram descritos como vitrines visuais à procura de um filme que as justificasse, e ganharam as vaias do público mesmo sendo adaptados de livros famosos. Já a Branca de Neve ‘live-action’ da Disney e Star Trek: Seção 31 surgem como indicados por terem arriscado mexer em mitologias queridas do público sem compreender o que as tornou duradouras — pecado maior só em Guerra dos Mundos, que apostou na urgência do presente, transformando o livro de H. G. Wells na mais longa e enfadonha chamada de vídeo pelo Zoom já vista, confundindo modernidade com barulho. Hurry Up Tomorrow tentou criar profundidade, mas entregou apenas uma atmosfera insistente e uma mácula na carreira da banda The Weeknd. Código Alarum e Off the Grid, por sua vez, viraram piada entre os espectadores, que registraram sua opinião nos baixíssimos índices de aprovação em sites especializados.

Os Razzies 2026 mostram uma verdade incômoda: ninguém está imune a um mau projeto. Grandes nomes do cinema estão entre os indicados: Al Pacino está indicado por O Ritual, uma adaptação frouxa da história real que inspirou O Exorcista; Natalie Portman, Michelle Yeoh, Nicholas Cage e Jared Leto também aparecem na lista por suas escolhas em participar de narrativas que pouco lhes ofereceram espaço para brilhar. Robert De Niro, em especial, foi indicado em uma categoria que, pelo próprio título, já é motivo de riso: Pior Combinação de Tela, no caso, o encontro dele contracenando com ele mesmo em The Alto Knights: Máfia e Poder. Ele concorre com Ice Cube e sua câmera Zoom, Todos os sete anões artificiais de Branca de Neve e com a banda The Weeknd e seu ego colossal —como foram listados pela GRAF.

A premiação também faz sua crítica sutil à falta de criatividade que assola Hollywood nos últimos anos — a categoria Pior Prequel, Remake, RipOff ou Sequel traz Five Nights at Freddy’s 2, Eu Sei o Que Vocês Fizeram no Verão Passado, Smurfs, Branca de Neve, Star Trek: Seção 31, Os Estranhos: Capítulo 2 e, claro, Guerra dos Mundos.

Este ano, teremos até mesmo uma presença brasileira entre os indicados: a atriz Isis Valverde concorre a Pior Atriz Coadjuvante por Código Alarum. A crítica, porém, têm defendido a brasileira por ser apenas mais uma profissional derrubada por um roteiro fraco e um filme mal dirigido que tentou se escorar em nomes famosos como Sylvester Stallone e Scott Eastwood, ambos também indicados ao Razzie.

Mas a Framboesa de Ouro está longe de ser um destruidor de reputações. Sandra Bullock venceu como Pior Atriz e Pior Casal em 2010 por Maluca Paixão e, no dia seguinte, ganhou um Oscar por Um Sonho Possível. Ela foi uma das celebridades de Hollywood que entrou na brincadeira e foi pessoalmente receber o prêmio na cerimônia anual que ocorre sempre na véspera da entrega dos prêmios da Academia — Halle Berry também foi receber o Razzie de Pior Atriz por Mulher-Gato, em 2004, bem como o diretor Paul Verhoeven, escolhido o Pior Diretor e Pior Filme por Showgirls, em 1995. Até o diretor J. David Shapiro, que ganhou o Framboesa de Ouro em 2010 pelo Pior Filme da Década por A Reconquista (2000), compareceu à cerimônia e fez um emocionado discurso… O prêmio, afinal, exercita nossa capacidade de rirmos de nossos erros e registra tropeços específicos — não define trajetórias.

A lista dos indicados para os Razzies é uma crônica bem-humorada dos descaminhos da indústria cinematográfica. Para os amantes do cinema, funciona como um lembrete anual de que o cinema não é sagrado ou intocável — e talento, fama e bom orçamento não substituem o essencial: boas histórias, e bem contadas.

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*Fotos: Divulgação/Reprodução

 

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