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Como começar o novo ano de verdade — as superstições dos descrentes

Charge do cartunista Iotti

Crônica de Anna Tscherdantzew*

Antes de partir para as dicas, um aviso: 2026 é a sequência de 2025, que é a sequência de 2024, que é a sequência de… bom, você entendeu né? Não tem ano novo, tem uma série do Netflix que é renovada constantemente, até a gente virar história. Então não adianta achar que do dia 31 de dezembro pro dia 1 de janeiro de cada ano tudo vai magicamente mudar, porque só muda numa sequência de atitudes e acontecimentos que não se restringem a uma data específica.

Agora que estamos entendidos, seguem minhas dicas, que você pode ou não seguir, porque elas servem pra mim e tem que fazer sentido pra você.

 

  • Pra não iniciar com polêmicas, não entrei o ano nem com o pé direito nem com o esquerdo, muito menos com os dois pés. Entrei de bunda mesmo, porque é bom já começar o ano dizendo a que veio;

 

  • Ao invés de pular 7 ondas, estou aprendendo a sobreviver às ondas de calor, microexplosões e mudanças climáticas extremas que certamente vamos enfrentar esse verão e em 2027, 2028 (lembra que 2026 é a sequência de 2025, que é a sequência de ….);

 

  • Comer 15 uvas ou sementes de romã é pros fracos. Pra trazer fartura e começar o ano de barriga cheia, tentei comer 15 melancias. Inteiras. Já comecei o ano não entrando pro livro do Guinness Records;

 

  • Muito importante: A cor da virada. Não usei o vermelho cor da paixão. Nada de amarelo da fartura nem branco da paz. Não usei nada. Fique em casa, sozinha e pelada porque combina mais com meu saldo bancário;

 

  • Para evitar decepções, não fiz a famosa lista de objetivos pra 2026. Descobri que pra mudar alguma coisa, não devemos contar pra ninguém e fiz uma surpresa pra mim mesma, que provavelmente sou a minha maior sabotadora, e não aquele parente ou vizinho invejoso;

 

  • Comecei o ano fazendo uma limpeza. Doei, vendi, joguei fora várias coisas que eu não usava ou que me faziam mal. Daquela roupa que esperei 10 anos pra emagrecer e voltar a usar, aos relacionamentos que não me fazem bem;

 

  • Faça como eu, preste atenção em quem você segue, idolatra ou tem como modelo. Influencers e coaches, políticos e pregadores, veja o que eles fizeram no verão, outono, inverno e primavera passados. Como vivem, do que se alimentam, com quem andam, o que querem te vender e como efetivamente ajudam você a ter uma vida melhor;

 

  • Comi lentilha e outros grãos no dia 31, mas vou comer durante o ano inteiro. Faz bem pro intestino. Mas cuidado, leia a bula, que nos alimentos está na embalagem. Validade, identificação do fabricante, selo de lupa e orgânico e o que usaram como adubo/fertilizante/envenenante;

 

  • Banho de sais, queimar incenso, usar cristais, rezar, consultar os astros, pode fazer tudo isso. Mas não espere que isso mude a sua vida. Terapia, leitura, mudança de hábitos e desapegos emocionais e materiais ajudam muito mais que efeitos placebo esotéricos;

 

  • Comece uma nova tradição, como por exemplo fazer o que você tem vontade e não o que você acha que deveria fazer ou o que esperam que você faça. Quer ficar em casa lendo um livro? Fique! Quer ir pra um lugar diferente de onde todo mundo vai nas férias? Vá! Quer uma vida nova em 2026? Se possível, mude o que te incomodou em 2025. Vai na fé, fé em você mesma!!!

 

Espero que tenhamos todos ótimos dias no novo ano e que a gente consiga fazer tudo diferente, não pra ficar tudo igual, mas pra realmente mudar.

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Sobre Anna Tscherdantzew

Praticamente uma bucica caramelo, sou uma mistura de russos, mongóis, gregos, alemães, brasileiros e, dizem, descendente de Gengis Khan e dos Romanoff. Morar pelo mundo, ficar no quintal de casa, cozinhar, pegar o caminho errado pra descobrir um lugar novo, música, minha família e amigos, natureza, observar o comportamento humano, ler e escrever mentalmente crônicas ficcionalistas (ficções realistas) são minhas principais ocupações.

Formada em Publicidade pela PUCRS, pós-graduada em Marketing pela FGV, Master em Fashion Design pela NYFA (Seattle) e Digital Design pela Santa Barbara City College (Califórnia). Docente (Unisul), Pesquisadora e moderadora de focus group (Agencia Um, Mapa Pesquisa de Mercado), Designer (Nordstrom), Figurinista Independente de Filmes e Music Videos (Los Angeles), Produtora e Roteirista (Radicci Entretenimentos), Co-apresentadora do programa de Viagem e Pesca On The Rod (Canal Fish TV e Iotti TV) e Colunista (Portais Sler, Fumetta, Leouve e Making Of).

 

Contato

e-mail annad.design@gmail.com

Instagram www.instagram.com/annadtscherdantzew/

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