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quarta-feira, 25 maio, 2022

Como fica a economia após revés da taxa básica de juros?

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Como fica a economia após revés da taxa básica de juros?
Imagem de flyerwerk por Pixabay

Decisão esperada. Em meio ao aumento da inflação de alimentos, combustíveis e energia, o Banco Central (BC) apertou ainda mais os cintos na política monetária. Por unanimidade, o Comitê de Política Monetária (Copom) elevou a taxa Selic – juros básicos da economia – de 5,25% para 6,25% ao ano. A taxa está no nível mais alto desde julho de 2019, quando estava em 6,5% ao ano. Esse foi o quinto reajuste consecutivo na taxa Selic.

Inflação.  A Selic é o principal instrumento do Banco Central para manter sob controle a inflação oficial, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). Em agosto, o indicador fechou no maior nível para o mês desde 2000 e acumula 9,68% em 12 meses, pressionado pelo dólar, pelos combustíveis e pela alta da energia elétrica.

Crédito mais caro. O remédio é amargo e a elevação da taxa Selic ajuda a controlar a inflação. Isso porque juros maiores encarecem o crédito e desestimulam a produção e o consumo. Por outro lado, taxas mais altas dificultam a recuperação da economia. No último Relatório de Inflação, o Banco Central projetava crescimento de 4,6% para a economia em 2021. A taxa básica de juros é usada nas negociações de títulos públicos no Sistema Especial de Liquidação e Custódia (Selic) e serve de referência para as demais taxas de juros da economia.

Entre a consequência esperada e a realidade. Ao reajustar a taxa de juros para cima, o Banco Central espera segurar o excesso de demanda que pressiona os preços, porque juros mais altos encarecem o crédito e estimulam a poupança, porém a inflação no Brasil está longe de ser provocada por pressão da demanda. O problema por aqui está relacionado à inflação de custos alimentada pela desvalorização do real e falta de confiança no mercado, ou seja, a decisão de aumentar a taxa básica de juros pode atrapalhar a retomada da economia. Centrar atenção na desvalorização do real frente ao dólar e recuperar a confiança dos investidores é o melhor caminho para estabilizar os preços no país. Até porque a cadeia produtiva, os serviços e o poder aquisitivo da população são contaminados pelos aumentos sucessivos nos combustíveis causados pela política de preços da Petrobras que está atrelada ao dólar e a desvalorização do real frente a essa moeda, e isso encarece ainda mais os preços por aqui.

Os riscos ainda são altos no Brasil. O país poderia estar passando por um período de intensa euforia mas, segundo a avaliação faz parte do Boletim Macro do FGV Ibre (Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas), os riscos fiscais e políticos, somados aos gargalos de oferta, impedem que um cenário mais otimista se concretize. De acordo com o boletim, o mundo está entrando em uma nova fase, menos assustadora que a do auge da pandemia. No caso do Brasil, enquanto o impacto da crise sanitária retrocede, outros fatores contribuem para que o cenário seja “moderadamente otimista”, como inflação em alta e de elevado risco fiscal e político.

Janine Alves
Graduada em Economia e doutora em Gestão do Conhecimento, faz parte do Grupo de Pesquisa Interdisciplinar em Conhecimento, Aprendizagem e Memória Organizacional (Interdisciplinary research group on knowledge, learning and organizational memory), núcleo de excelência em pesquisa científica e tecnológica, vinculado ao Programa de Pós-Graduação em Engenharia e Gestão do Conhecimento (PPGEGC/UFSC). Trabalhou como: professora da UFSC e Univali, colunista de economia do Grupo RIC Record (Jornal Notícias do Dia e Ric Record TV) e analista de economia na RBS - TV/ NSC - Diário Catarinense, Consultora de Economia Internacional para a CIP Cosultores – Espanha, Diretora do Escritório do Governo da Galicia/Espanha no Brasil, Diretora de Integração Internacional e Consultora de Economia do Governo de Santa Catarina (Secretaria do Desenvolvimento Econômico e Assuntos Internacionais), etc.
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