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segunda-feira, 15 agosto, 2022

Como o jornalismo digital está se preparando para cobrir as eleições

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(Fernanda Giacomassi*) Novos produtos, parcerias e mudanças editoriais: organizações associadas à Ajor contam como se organizam para a corrida eleitoral

No dia 2 de outubro de 2022, os brasileiros voltam às urnas para escolher o novo presidente do país, além de governadores, senadores, deputados federais e estaduais. O trabalho da imprensa, entretanto, começa muito antes. A cobertura eleitoral movimenta significativamente as redações, que precisam adaptar suas estruturas de equipe, orçamento e projetos para conseguir suprir a demanda por conteúdos sobre o tema.

“O papel do jornalismo em ano eleitoral é ajudar o eleitor a escolher os melhores candidatos. Para isso, é necessário que haja uma correspondência entre o que está sendo disputado e o que a imprensa informa. Isso significa estudar a origem de cada candidato,  sua formação e atuação, e trabalhar sempre pela transparência e independência das informações, da cobertura, dos enfoques e das críticas”, explica Eugênio Bucci, jornalista e professor titular da Escola de Comunicações e Artes da USP.

Para o especialista, o principal desafio do jornalismo em 2022 é informar com objetividade quais são os candidatos que defendem a democracia, e quais os candidatos que atuam para minar as instituições democráticas por dentro: “A democracia está em jogo, não só no Brasil mas em vários países. Isso exige da imprensa uma capacidade mais aprimorada de separar opinião de informação, sem deixar de mostrar que estão surgindo forças que são contrárias à democracia. Isso é um fato objetivo, não é questão de opinião. E isso precisa ser mostrado como tal para ajudar na formação da vontade livre de cada eleitor”, completa.

prazo final para registro de candidaturas é 15 de agosto. No dia seguinte (16), começa a campanha oficial nas ruas e na internet.

O que está sendo feito nas redações?

Centro Internacional para Jornalistas (ICFJ) divulgou na última semana as organizações selecionadas pelo programa “Jogo Limpo”, iniciativa em parceria com o Youtube que vai apoiar o desenvolvimento de projetos que combatam a desinformação antes das eleições. Três projetos de iniciativas associadas à Ajor foram selecionados.

Núcleo vai desenvolver um bot que monitora vídeos de YouTube para pesquisa colaborativa contra desinformação. O BotPonto vai varrer transcrições de vídeos do YouTube para encontrar palavras-chave duvidosas. A partir daí, irá publicar no Twitter o link com o ponto exato de um vídeo no qual esses termos são pronunciados, para que checadores, jornalistas e a sociedade em geral possam identificar potenciais fake news.

Já o Aos Fatos vai disponibilizar gratuitamente sua ferramenta de transcrição automática de áudios a outras redações, de modo a reduzir o tempo gasto pelos jornalistas para transcrever declarações de candidatos à presidência. Hoje, o Escriba é usado pelos checadores principalmente na transcrição de declarações públicas do presidente Jair Bolsonaro, compiladas no contador de checagens. A organização também estreou sua cobertura das eleições com um novo método de selos de checagem de informação e um canal no Telegram.

Agência Pública, por sua vez, vai investir na criação de conteúdo de vídeo sob medida via Canal Reload, com o objetivo de melhorar o conhecimento do público jovem sobre o processo eleitoral brasileiro. Um dos projetos vencedores do Google News Innovation Challenge em 2019, o Reload é uma iniciativa encabeçada pelas organizações ((o))eco, Agência Lupa, Agência Pública, Amazônia Real, Congresso em Foco, Énois, Marco Zero Conteúdo, Ponte Jornalismo, Projeto #Colabora e Repórter Brasil.

“Nosso objetivo principal é contribuir na formação dos jovens eleitores e no combate à desinformação, trazendo conteúdos mais formativos — como um guia sobre como funciona o processo democrático no Brasil — e também mais noticiosos, baseados nas reportagens e checagens das organizações que compõem o Reload”, explica Sofia Amaral, coordenadora da iniciativa.

Outras organizações associadas à Ajor também apostaram em novos produtos para as eleições de 2022.

Carta Capital acaba de lançar o Manual das Eleições, uma newsletter semanal e gratuita que vai revelar bastidores e explicar os rumos e descaminhos da corrida eleitoral.  Já o Portal Lunetas publicou o especial “Política e as Infâncias”, que traz conteúdos que relacionam diretamente eleições e os impactos às vivências e às perspectivas de futuro das crianças brasileiras.

Com o apoio do programa Acelerando a Transformação Digital, o Fauna News irá lançar um hotsite com informações sobre o que consta nos planos de governo dos principais candidatos sobre conservação da fauna silvestre. O Diário do Rio lançou uma série de entrevistas com pré-candidatos a deputados estaduais e federais. A série está disponível no canal do Youtube da organização. E o Alma Preta vai investigar a distribuição do fundo eleitoral para candidaturas de pessoas negras.

Há também iniciativas que investiram em mudanças na equipe e na reestruturação editorial para acompanhar de perto a corrida pelo governo.

Click Curvelo está ampliando o número de colaboradores para atuar na cobertura, além de adaptar seu escopo editorial, que até então era limitado a notícias regionais.

Por meio do Diversidade nas Redações, e com a ajuda das dez redações das regiões Norte e Centro-Oeste que serão selecionadas no programa, a Énois vai criar um consórcio de veículos para a cobertura articulada das eleições.

Já a Marco Zero Conteúdo anunciou que esta será a sua maior cobertura, abordando as eleições de forma mais ampla, plural e analítica. Pela primeira vez, a iniciativa terá analistas fixas que produzirão artigos quinzenais para discutir temas de interesse público que não podem ficar de fora do debate político estadual e nacional. Além disso, o Arrumadinho, podcast de análise e opinião da Marco Zero, vai ter uma temporada exclusiva sobre eleições.

Quer acompanhar a cobertura eleitoral e a produção do jornalismo digital brasileiro? Conheça as associadas da Ajor e siga a nossa lista no Twitter.

*Artigo por , coordenadora de Comunicação da Ajor, é jornalista formada pela Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (ECA-USP) com especialização pelo Máster de Jornalismo Multiplataforma e Produção Audiovisual pela Universidade da Coruña (ESP) – Texto publicado originalmente em 01/7/2022 pela Ajor

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