Maio 29, 2021

Corpo de vinte, cabeça de sessenta

Corpo de vinte, cabeça de sessenta
Imagem: Pixabay

O título desta crônica pode confundir o leitor, então começo explicando que não estou me referindo a um jovem com cabeça de velho. Muito antes pelo contrário. Há poucos dias ouvi falaram sobre transumanismo na TV, um tema interessante e surpreendente. Em explicação acadêmica superficial: “transumanismo é uma corrente filosófica emergente que defende a aplicação da tecnologia avançada na superação dos limites impostos pela condição humana”.  Numa definição mais popular, trata-se da busca pela fonte da juventude e da tão sonhada imortalidade. Agora, não mais através do imponderável ou do mitológico, mas da tecnologia.

O conceito de criação de super-humanos não é tão novo. Surgiu na década de 60, mas agora voltou à berlinda com mais força. Além da logística propriamente dita, questões éticas e o impacto que isso causaria na sociedade, na medicina e no direito, estão no centro da discussão.

Entre as metas mais ambiciosas do transumanismo está o poder de escolher a idade em que gostaríamos de parar o tempo. Claro que isso me intrigou e comecei a pensar no assunto! Para início de conversa, não ambiciono a imortalidade. Gosto da vida, mas acho que ela deve ser finita mesmo. Além disso, não devemos abrir espaço para novas criaturas ? Enfim, apenas pálidas reflexões ...

Continuando nas minhas elucubrações, conclui que se eu aderisse ao programa daria muito trabalho à “ oficina do tempo” na hora de definir minha idade ideal. Isso porque eu escolheria duas fases bem diferentes, uma física e a outra mental. Não tenho total certeza sobre o corpo, algo entre 20 e 40 anos,  ou qualquer idade antes do surgimento da dor no joelho e da diminuição da memória.

Já a cabeça não acompanharia a idade física. Prefiro a mente, o conhecimento, as emoções e a capacidade de empatia, de tolerância, além de uma certa serenidade - o que não significa o fim da inquietude – que a maturidade traz.

Sigo aqui refletindo. E você, já pensou qual idade gostaria de ter para sempre ? Conta aí.

(Brígida De Poli)

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Horizonte perdido (Lost Horizon) – 1937 e 1973

Sempre que o assunto é a fonte da juventude lembro desse filme, principalmente a versão de 1973, dirigida por Charles Jarrot, com trilha sonora do Burt Bacarah.Vai dando uma alegria na gente imaginar estar num lugar tão lindo, com aquelas músicas deliciosas...

Sinopse: Durante uma tempestade, um avião cai em algum lugar do Himalaia. Em busca de ajuda, os sobreviventes acabam encontrando um mundo estranho e maravilhoso chamado Shangri-la, onde existe a eterna juventude e a felicidade plena. Baseado em romance homônimo de James Hilton. O original para o cinema é de 1937, com direção de Frank Capra. Aqui, uma das canções de Burt Bacarah ( há uma cópia completa do filme no YouTube).

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Séries

Em Terapia (In treatment) –  4ª temporada -  2021 –HBO

Já contei para vocês que sou mega fã da série InTreatment, versão americana, pois já foi produzida no Brasil, Argentina e Itália, sem falar no original israelense. Agora acaba de entrar no Now, os primeiros episódios da nova temporada que terá 24 episódios (só os primeiros estão disponíveis).

Ainda não sei se vou me acostumar com a Uso Aduba no papel de terapeuta que foi  vivido até então pelo Gabriel Byrne, perfeito no personagem. A médica atenderá três pacientes, um a cada dia. Conheceremos o drama de deles e também os pessoais da psiquiatra. Os temas foram atualizados, incluindo a pandemia, coisa ainda rara nas produções atuais. A conferir. (Trailer Oficial HBO)

 

Quem matou Sara – 2ª temporada – Netflix

Vou colocar a série mexicana aqui porque a primeira temporada fez um sucesso enorme. Para mim já estava terminada, mas os produtores resolveram fazer a segunda. Cheia de reviravoltas em relação à anterior, só faltaram ressuscitar algum personagem. Aliás, quase... A impressão que passa é que chamaram os roteiristas e disseram: - precisamos de uma segunda temporada, virem-se.

Os diálogos são muito ruins e os atores parece que pioraram. Há momentos em que me lembrou uma paródia do tipo " Todo mundo em pânico"! Dito isso, se você gostou da primeira, deve ver o provável desfecho do mistério. Afinal "Quem matou Sara?". Tente descobrir, mas já vou avisando: vem aí a terceira temporada!

 

Para quem não viu: um homem é preso injustamente, acusado de matar a própria irmã quando eram jovens. Ele sai da cadeia com sede de vingança contra a família rica que o levou a assumir o crime para livrar a cara do filho, namorado da garota morta durante um passeio de barco.

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Filmes

Ferry – direção: Cecília Verheyden – Holanda – 2021

Uma rara produção holandesa na Netflix para quem gosta do gênero policial/ação. O personagem título é um assassino de aluguel, braço direito do “chefão”. Carregando traumas de infância, ele é triste e solitário. Quando precisa vingar o roubo e a agressão ao filho do chefe, Ferry tem que voltar à terra natal e acaba conhecendo uma jovem doce e meiga, o que vai acabar mudando a vida dele. O ator, Frank Lammers, muito famoso na Holanda, é um tipo fisicamente bem esquisito, mas combina com o papel.

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CineClube Italiano – até dezembro/2021 – Cine Belas Artes

O Cine Belas Artes à la Carte traz de volta uma seleção de filmes italianos. Disponíveis até dezembro, dá tempo de ver todos. Os títulos são “O que será”(2020), “De volta para casa” (2019), “ A arte da felicidade”(2013) e “ Gangue de ladras” (2019).

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OUTRAS PALAVRAS

Por acaso eu tinha pedido ao meu querido amigo, o jornalista Anselmo Prada, para escrever um texto sobre o docudrama Mr.Dreamer, que o havia impressionado. Agora me dou conta que a história de Pedro Sirotsky, retratada no filme, “conversa” com o tema da crônica. Num mundo da vitória do transumanismo teríamos a eternidade para tentar viver a vida sonhada. Na nossa realidade temos apenas uma vida limitada em anos para realizar nossos sonhos...

Mr.Dreamer, em busca do sonho perdido                                                        

Você cria a projeção de algo que não tem domínio, porque muitos fatores vão influenciar e te colocar nas encruzilhadas da vida. Quem de nós não teve que deixar sonhos adormecidos ou mesmo abandoná-los? Isso cria uma sensação de missão não cumprida, um mal estar, o vazio que pode seguir a vida inteira por mais que você se realize e seja feliz de outras formas.

O documentário Mr. Dreamer, de Pedro Sirotsky e Flávia Moraes, é uma incursão na vida do próprio Pedro, mas nos faz refletir sobre nossas vidas e nossos sonhos interrompidos ou adiados.

Gravado no Brasil e na Irlanda, o documentário traça um mosaico de sensações, aprendizados e a retomada de rumos de Sirotsky, com roteiro e fotografia do filme, mas sem distanciamento da realidade do personagem.

Ele conta como foi se distanciar do seu sonho de músico e apresentador de TV para se engajar no projeto empresarial de seu pai na RBS, o maior grupo de comunicação do sul do país. Tornar-se um executivo de sucesso, com uma grande jornada em Santa Catarina, obrigou-o a guardar o seu sonho da música e tudo o que este universo proporciona. Como conseqüência precisou enfrentar muitos questionamentos existenciais ao longo da vida.

O roteiro leva Pedro a uma escola em Dublin, Irlanda, onde ele conhece os ideais e desejos de jovens estudantes de música. Cria-se nesse contexto a oportunidade do personagem encontrar ressignificados para sua vida, como sonhos dentro do sonho. A história é dele, mas é também universal. É a história de cada um de nós, provocados por nossos sonhos o tempo todo.

Mr.Dreamer nos ajuda a entender que as correções de rota não são fáceis, mas necessárias para ajustar nossos emaranhados mentais. Uma grande lição de quem não deixa de sonhar e realizar. Está tudo lá do documentário, onde  a gente aprende um pouco a ser o senhor dos nossos sonhos.

*** O doc Mr.Dreamer está disponível no Globoplay e no Now/Net.

(Anselmo Prada, jornalista)

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THE END

 

(*) Fotos reprodução/divulgação

Tags:
cinema séries beijos de cinema arte cultura séries de TV netflix
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Brígida Poli

Brígida Poli

Jornalista, cinéfila desde criancinha e maníaca por séries de TV desde "Os Sopranos". Não se considera crítica de cinema, pois não consegue deixar o coração de lado na hora de avaliar um filme. Adora falar e escrever sobre o assunto e tenta chamar a atenção para as grandes obras cinematográficas que as novas gerações desconhecem. Concorda com o mestre Federico Fellini quando ele disse que "o cinema é um modo divino de contar a vida".

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