Junho 24, 2020

CPI ouve um não sobre as especulações

CPI ouve um não sobre as especulações
SOLON SOARES/AGÊNCIA AL

Ávidos por uma resposta objetiva, a sociedade catarinense e os deputados que compõem a CPI dos Respiradores acompanharam, na reunião desta terça (23), uma sequência de negativas do representante da Cima, Samuel de Britto Rodovalho, quanto à citação do nome do governador Carlos Moisés da Silva, sobre quem afirma que nunca teve qualquer contato.

Este era um dos pontos que levaram a força-tarefa, composta por Ministério Público, Polícia Civil e TCE, a remeter o inquérito ao Superior Tribunal de Justiça, e Rodovalho disse que, indevidamente, citou a palavra governador, que estaria “na linha”, na versão printada do WhatsApp, quando queria dizer governo e que isso foi uma suposição dele, pois não conhece nenhum agente público, tampouco Moisés.

Em outro ponto bastante esperado, Rodovalho disse que não se referia a “dela”, mas sim por um erro de digitação à comissão dele, de César Augustus Martinez Thomaz, assessor jurídico da Veigamed, preso na segunda fase da Operação Oxigênio, e que, depois veio a saber, que era o dinheiro, cerca de R$ 3 milhões, para Fabio Guasti, também preso preventivamente a pedido da força-tarefa.

Mas se livrou Moisés, Rodovalho provocou um novo desgaste dentro da administração estadual ao aparecer, em uma reprodução de abril passado, numa videoconferência com outras três pessoas, uma delas o atual secretário Amândio João da Silva Júnior, atual secretário da Casa Civil, e um assessor dele.

 

O mentor

O advogado César Augustus é quem diz no print, que consta da decisão judicial, “o que faço com o governador meligando (sic)”, algo que parece inverossímil diante do contexto, um blefe ou a tentativa de mostrar poder.

Preso, César pode esclarecer muito mais, embora na decisão do juiz Elleston Lissandro Canali, da Vara Criminal Metropolitana, quando a força-tarefa pediu a transferência de foro para o STJ, nada consta sobre o que o procurador da Veigamed teria dito sobre esta troca de mensagens.

 

Grande equívoco

A suposição de Samuel Rodovalho, que, ao mesmo tempo, negociava em nome da Cima e atendia a possibilidade de garantir uma comissão junto à Haier, outra empresa também chinesa, que também não logrou êxito, custou caro a ele, como garantiu à CPI que teve a vida vasculhada e suas empresa também.

Mas principalmente ao governador Carlos Moisés, que se vê envolvido em uma suposição, que lhe valeu o desgaste, uma narrativa pesada e delírios feitos pelas redes sociais, o que inclui vasta lista de parlamentares, que aproveitaram para faturar sobre algo que não era verdadeiro.

 

SOLON SOARES/AGÊNCIA AL

IMAGEM CONTROVERSA

Foto colagem tirada do aplicativo Celebrity, recuperada pelos peritos da força-tarefa depois do celular estar quebrado, mostra Rodovalho em conversa com um grupo onde aparece, ainda barbudo, o atual secretário da Casa Civil, Amândio João da Silva Júnior, com outras duas pessoas.

A imagem foi recuperada no dia 17 de junho pelo MP, mas Rodovalho garante que a conversa foi há dois meses e não teve contato depois que Amândio assumiu a função no governo. O relator Ivan Naatz pegou a informação e disse que a declaração do depoente não tinha mais valor. 

 

Muleta

Os deputados da CPI ganharam um ponto para especular, até com base na informação de que Amândio teria quebrado o celular, apresentada pelo deputado Felipe Estevão (PSL).

A informação veio do MP, e, na mesma foto, há outro servidor público estadual, identificado por Sandro Yuri Pinheiro, que estava na Secretaria de Desenvolvimento Econômico Sustentável e agora foi para a Casa Civil. Entre uma coincidência ou o batom na cueca, muita coisa precisa ser esclarecida à sociedade.

 

Negou

Em nota, o secretário Amândio João da Silva Júnior defendeu-se sobre o contexto da foto em que aparece com Rodovalho:

“A foto que faz referência a mim na CPI se trata de uma reunião via web para apresentação de um projeto de Drive Thru para testes do Covid 19 na cidade de Florianópolis, que também foi apresentada para a ACIF e outras entidades empresariais em outras oportunidades, sem a minha presença. A foto é da data de 22/4/2020. Um negócio privado, transparente e que acabou não acontecendo. Destaco que neste período eu não exercia qualquer cargo público e atuava, como minha vida inteira, na iniciativa privada. Desde 22/4/2020 nunca mais mantive contato com Samuel Rodovalho. Infelizmente a CPI busca, mais um a vez, desvirtuar os fatos.”

 

Para todos os gostos

Amândio vira alvo da CPI e terá que se explicar sobre o que conversava antes de 22 de abril com Rodovalho e no que envolvia um servidor público, no caso Sandro Yuri, nos contatos.

Ao seu favor pode alegar, por exemplo, que, na data da foto recuperada, a operação de pagamento antecipado à Veigamed já havia sido consolidada, Rodovalho perdeu comissões e não concretizou nenhuma venda ao governo e que, se é público, alguém possui o contexto da reunião virtual e de outras, mas a coincidência incomoda.

 

Do relator

Ao final da reunião, depois de dizer que as declarações de Rodovalho em relação a Moisés estavam comprometidas por conhecer Amândio, o relator Ivan Naatz (PL) reiterou que os prints das conversas do empresário com o pessoal ligado à Veigamed são apenas parte do que fundamenta a remessa do material ao STJ, contida em 157 páginas da investigação feita pela força-tarefa.

Mas fez uma avaliação: a de que apenas o governador tem a ganhar com a subida dos autos para a corte em Brasília, porque, se for aceita pela Procuradoria Geral da República, a investigação reatroagirá e abrirá novos prazos para o caso.

 

SOLON SOARES/AGÊNCIA AL

FOI MUITO MAL

A participação do controlador-geral do Estado, professor Luiz Felipe Ferreira, na sua segunda incursão como testemunha na CPI dos Respiradores foi de lamentável a ruim. Acompanhado de dois advogados, Ferreira tropeçou em algumas informações e desdisse várias outras. De interessante, o controlador-geral deixou a informação de que, nesta quinta (25), assina o relatório preliminar de uma sindicância que apura responsabilidades no pagamento antecipado dos respiradores. E ficou sabendo, ao vivo, durante a reunião, que este relatório já havia vazado, antes mesmo dele ler.    

     

Vetado

Coronel Araújo Gomes, ex-comandante-geral da PM, soube que seu nome foi vetado pelo presidente Jair Bolsonaro para comandar a Secretaria Nacional de Segurança Pública.

Não foi só porque tinha indicação e reconhecimento do ex-ministro Sérgio Moro, mas principalmente pela ala mais ideológica, que não gosta mais do governador Carlos Moisés (PSL). 

 

Primeiro round

O Senado aprovou na noite de terça (23) o adiamento das eleições deste ano, com primeiro turno dia 15 de novembro e o segundo dia 29 do mesmo mês.

O sol foi tapado com a peneira e, pasmem: a última versão é a de que muitos prefeitos preferem fazer a eleição este ano porque aumentaram a popularidade com as ações contra a Covid-19. Tamanho absurdo é inominável. A palavra fica com a Câmara.

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roberto-azevedo política economia bastidores da política Santa Catarina
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Roberto Azevedo

Roberto Azevedo
Jornalista com 35 anos de profissão. Foi repórter, editor, chefe de Reportagem, editor-chefe, chefe de Redação, gerente e diretor de Jornalismo na RBS TV (Blumenau e Florianópolis), hoje NSC TV; na TV Record (Florianópolis) e na Rede TV Sul (hoje SCC SBT); comentarista na RIC TV (hoje NDTV) e na Record News; editor de Política e colunista no Diário Catarinense (DC), e colunista no Notícias do Dia (ND). Atuou nas rádios União AM e FM (Blumenau e Florianópolis) e na Rádio Record da Capital. Atualmente, além do Making Of, faz comentários na Rádio Cidade em Dia FM, de Criciúma, e é diretor de Conteúdo na TVBV (Band).
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