Outubro 24, 2020

Criptomoedas - Eduardo Erlo explica tudo sobre o futuro das finanças

Criptomoedas - Eduardo Erlo explica tudo sobre o futuro das finanças

É fato que a tecnologia tem sido a nossa grande aliada na última década, mas principalmente nos tempos atuais, em que tivemos que nos isolar em casa. Ela mudou o jeito que nos comunicamos com os outros, as formas de trabalhos e... as finanças. Pois é, as pessoas estão buscando cada vez mais maneiras de lidar com o próprio dinheiro de forma mais autônoma, sem burocracia e sem fronteiras.

E é aí que entram as criptomoedas, um assunto que parece ser muito difícil para uns, mas que com o passar do tempo vem ganhando cada vez mais notoriedade. 

O jovem Eduardo Erlo é bacharel em Ciência da Computação e especialista em criptomoedas. De Santa Catarina ele coordena o marketing no Brasil do aplicativo da Status (Status.im), "uma carteira de criptomoedas descentralizada e segura, que funciona na blockchain da Ethereum".

A ideia, com o novo aplicativo, é facilitar a vida das pessoas, reunindo num lugar só uma carteira, chat entre usuários e acesso privado à internet. Batemos um papo com ele para entender um pouco mais da ferramenta e sobre o curioso mundo das moedas virtuais.

“O mundo das criptomoedas é fantástico, será cada vez mais normal em nossas vidas. Desmistificar esses conceitos e tornar o conhecimento e a liberdade disponíveis para todos é um desafio gigantesco”.

 

 


O que é  blockchain Ethereum?

Ethereum é uma plataforma que conta com a tecnologia blockchain para tornar possível a criação de aplicativos descentralizados, contratos inteligentes e transações da criptomoeda Ether e vários outros tokens (moedas digitais que atuam na blockchain).

A tecnologia da Blockchain ficou conhecida juntamente com o Bitcoin, porém muitos consideram o Ethereum como a evolução da tecnologia do Blockchain, pois além de permitir transações de criptomoedas, ainda é possível a criação de sistemas descentralizados completos, criando um universo de novas possibilidades no mundo das finanças e das transações de dados.

O Ethereum se tornou a criptomoeda com a segunda maior capitalização do mercado, atrás apenas do Bitcoin.

 

Como as criptomoedas e as finanças descentralizadas podem auxiliar na autonomia financeira das pessoas? 

No mundo das finanças descentralizadas, as pessoas, empresas e comunidades são livres para criar seus próprios sistemas financeiros através de contratos inteligentes que executam na Blockchain. Já existem diversas empresas e comunidades criando seus próprios tokens, cada um com seu propósito e oportunidades.

A maioria destes sistemas possuem seu código-fonte aberto, permitindo que qualquer pessoa verifique o funcionamento e a confiabilidade. A partir disso, as pessoas são livres para decidir o que fazer com seus ativos, não sendo mais obrigadas a confiar somente nas instituições centralizadas tradicionais, que são controladas por pessoas, em muitos casos mais vulneráveis à corrupção. 

 

A Status se propõe a ser uma carteira de criptomoedas. O que a diferencia das outras carteiras do mesmo segmento no mercado?

Na Status, estamos sempre colocando a transparência e a facilidade de uso em primeiro lugar.

Não é fácil tornar uma tecnologia tão complexa acessível para todos, mas acredito que a Status está fazendo um excelente trabalho, traduzindo seu aplicativo 100% para Português, investindo na comunidade brasileira e desenvolvendo materiais e cursos para que o conhecimento esteja disponível para todos.


A Status está lançando o aplicativo no Brasil. Por que o interesse no país?

O Brasil é um país muito grande e com muito potencial. Todos ao redor do mundo sabem disso. A crescente desvalorização da moeda brasileira, a falta de opções financeiras justas e atrativas, e o aumento da desconfiança dos brasileiros em seus governantes, são fatores que atraem empresas que estejam dispostas a tornar o conhecimento, liberdade, privacidade e autonomia disponíveis para todos.

 

Quais os desafios de coordenar o marketing no Brasil de uma iniciativa inovadora e ainda pouco conhecida?

Muitas pessoas já utilizaram esses termos e conceitos para objetivos de má fé aqui no Brasil. Muitos foram iludidos e perderam seu dinheiro conquistado com muito esforço, enganados por pessoas e empresas que criaram pirâmides financeiras, utilizando criptomoedas como justificativa.

O maior desafio aqui no Brasil, com certeza, é quebrar esse paradigma criado de que criptomoedas são pirâmides e utilizadas para coisas ruins.

O mundo das criptomoedas é fantástico, será cada vez mais normal em nossas vidas. Desmistificar esses conceitos e tornar o conhecimento e a liberdade disponíveis para todos é um desafio gigantesco.

 

Recentemente, o PIX foi implementado pelos bancos brasileiros. Essa nova forma de transação financeira tem alguma semelhança com as criptomoedas?

O PIX promete tornar mais fácil a execução de transações financeiras, em que cada conta tem seu próprio código, que é único.

Isso se assemelha com a forma de executar transações na BlockChain, onde cada carteira possui seu próprio endereço único, e isso basta para que uma transação seja realizada. Essa, porém, é a única semelhança ao meu ver.

O PIX não traz mais privacidade, liberdade nem a autonomia financeira que o mundo das finanças descentralizadas torna possível.

 

Para quem quer começar a investir em criptomoedas, qual o primeiro passo?

O primeiro passo é ter muita calma e estudar para entender como esse mundo funciona. Assim todos terão real autonomia em tomar suas decisões, e não precisarão confiar em terceiros para controlar seus ativos.

Como quase tudo no mundo, a BlockChain pode ser usada para o bem e para o mal, pessoas mal intencionadas atuam em todos os pilares da tecnologia. Quanto mais complexa uma tecnologia parece, mais possibilidades de fraudes e golpes se revelam. Por isso, conhecimento e educação são os primeiros passos com toda certeza.

 

 

Durante a pandemia, as pessoas passaram a aderir mais à tecnologia. Isso facilita para que elas se abram para novas formas de lidar com as finanças? 

Definitivamente, sim. A pandemia acelerou a adesão à tecnologias, o que influencia as pessoas a verem novas possibilidades com muito mais abertura.


Na sua visão, como será o futuro das relações financeiras?

A BlockChain do Ethereum vem crescendo ano após ano, possibilitando que softwares inteiros, como Redes Sociais e Corretoras de Criptomoedas, funcionem de forma totalmente descentralizada, permitindo inclusive que qualquer pessoa com conhecimentos da tecnologia (que é open-source e pode ser aprendida por todos) crie sua própria criptomoeda (token) e seu próprio sistema descentralizado.

Isto se torna então, na minha opinião, o maior símbolo de liberdade e autonomia que uma sociedade pode desenvolver até o momento.

Sistemas financeiros completos estão sendo desenvolvidos por várias pessoas, muitas vezes, de forma colaborativa e democrática. Startups estão sendo criadas, Organizações Autônomas Descentralizadas (DAO) estão aparecendo e tornando possível que todos tenham acesso a possibilidades financeiras que antes eram acessíveis apenas a algumas pessoas. Este novo mundo financeiro vem sendo chamado de DeFi - Decentralized Finance, que significa Finanças Descentralizadas em Português.

O futuro, apesar de incerto, parece brilhante, em que a liberdade de acesso a  sistemas financeiros justos para todos se mostra possível.

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Yula Jorge

Yula Jorge
Jornalista graduada pela UFSC. Antes disso estudou e viveu quatro anos entre o Canadá e os Estados Unidos e quando retornou a sua terra natal, Goiânia, graduou-se pela PUC em Secretariado Bilíngue. 
Logo mudou-se para Florianópolis, ingressou na Universidade Federal, e da ilha não saiu mais. Atua como colunista desde 2012, assinou uma coluna diária no jornal Notícias do Dia por alguns anos, e, paralelamente, foi repórter da RICTV Record e Record News. Traz todos os dias o que rola de especial em Floripa: sobre quem acontece, empreende, se engaja em causas legais. O que inaugura, as festas bombásticas, as melhores casas, restaurantes, os shows, as ações bacanas e o voluntariado.

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