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sexta-feira, 20 maio, 2022

Crise de desabastecimento! Vai faltar comida?

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Crise de desabastecimento! Vai faltar comida?

O Presidente Jair Bolsonaro afirma que o Brasil pode enfrentar crise de desabastecimento em 2022 por falta de fertilizantes. Segundo ele, um dos principais efeitos da falta de produtos, se nada for feito, será o aumento de preços, ou seja, mais inflação à vista. De acordo com o chefe do Executivo, a Secretaria de Assuntos Estratégicos está concluindo a elaboração de um plano emergencial para a compra de fertilizantes. O Presidente colocou a culpa na China, mas será que é isso mesmo?

Antes de entrar no emaranhado chinês é necessário fazer uma retrospectiva no fechamento e arrendamentos das fábricas de fertilizantes por parte da Petrobras durante o Governo de Bolsonaro. Sim para cada ação há uma reação, e nesse caso, o fechamento e arrendamentos das fábricas de fertilizantes brasileiras pode sim levar a uma maior dependência de outros países.

Em 2018/2019, a Petrobras arrendou as fábricas da Bahia (Fafen-BH) e de Sergipe (Fafen-SE) mesmo com o alerta de que a agroindústria brasileira iria ficar nas mãos dos importadores de amônia e uréia, base para a produção de fertilizantes. Em 2020, a atual gestão da Petrobras, fechou a Fábrica de Fertilizantes Nitrogenados da Petrobras no Paraná (Ansa/Fafen-PR). A Ansa Fafen-PR era uma subsidiária da Petrolífera, com autonomia estatutária e personalidade jurídica distinta, patrimônio e gestão próprios. Com a decisão de encerrar as atividades da fábrica, a Petrobras deu continuidade à estratégia de sair do segmento de fertilizantes e focar em ativos que geram mais retorno financeiro e estejam mais ligados à sua área de atuação, porém a unidade, segundo Federação Única dos Petroleiros – FUP, abastecia aproximadamente 30% do mercado brasileiro de ureia e amônia deixando a agroindústria mais dependente da importação de fertilizantes. Na época, o Diretor da FUP, Deyvid Bacelar, declarou que “O país coloca em risco sua segurança e soberania alimentar. As fábricas de fertilizantes serviam como lastro para a agroindústria escolher onde comprar”.

Por outro lado, embora ainda não seja uma posição oficial, às exportações de fertilizantes da China podem ser interrompidas a pedido da comissão reguladora do país, ou National Development and Reform Comission  – NDRC,  com o objetivo de proteger o mercado interno. Uma decisão que vai impactar no mercado mundial, mas que deixa claro que a política do atual Governo em relação a Petrobras deixou o Brasil vulnerável a compra de produtos do mercado internacional, então mea culpa seja feita, aos estrategistas do atual Governo que mais uma vez dão um tiro no pé. Se por aqui a posição foi deixar o mercado descoberto, na China a decisão caminha para a proteção do mercado interno deles. Agora é administrar as consequências do problema criado pelo próprio governo brasileiro e que implica na política de segurança alimentar do país.

Janine Alves
Graduada em Economia e doutora em Gestão do Conhecimento, faz parte do Grupo de Pesquisa Interdisciplinar em Conhecimento, Aprendizagem e Memória Organizacional (Interdisciplinary research group on knowledge, learning and organizational memory), núcleo de excelência em pesquisa científica e tecnológica, vinculado ao Programa de Pós-Graduação em Engenharia e Gestão do Conhecimento (PPGEGC/UFSC). Trabalhou como: professora da UFSC e Univali, colunista de economia do Grupo RIC Record (Jornal Notícias do Dia e Ric Record TV) e analista de economia na RBS - TV/ NSC - Diário Catarinense, Consultora de Economia Internacional para a CIP Cosultores – Espanha, Diretora do Escritório do Governo da Galicia/Espanha no Brasil, Diretora de Integração Internacional e Consultora de Economia do Governo de Santa Catarina (Secretaria do Desenvolvimento Econômico e Assuntos Internacionais), etc.
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