Abril 01, 2021

Daniela se aproxima da Assembleia

Daniela se aproxima da Assembleia
MAURICIO VIEIRA/SECOM

Um encontro institucional com o presidente Mauro De Nadal (MDB), na fotoprincipal, e com o primeiro secretário da mesa diretora, Ricardo Alba (PSL), depois a solenidade de entregas de equipamentos para a Polícia Militar, fruto de emendas parlamentares, em pleno Palácio Barriga Verde, e a participação na sessão de criação do Observatório da Violência Contra a Mulher, foram mais do que gestos da governadora em exercício Daniela Reinehr para com o parlamento estadual.

A articulação, que passa pelo assessor de Daniela, o ex-vice-prefeito de São Lourenço do Oeste e ex-secretário João Carlos Ecker (Infraestrutura), cumpre uma necessidade da governadora em exercício de melhorar a imagem, mostrar a qualificação de liderança e abrir um relacionamento franco com o Legislativo.

Os próximos 120 dias, previstos como prazo máximo para o afastamento do titular do governo, devem servir para Daniela pavimentar um novo caminho político, que deveria ser um voo solo, sem a tutela de Gelson Merisio (PSDB), Jorginho Mello (PL) ou Paulo Bornhausen (Podemos), que jogaram as cartas e muito alto para ter o “perigoso” Carlos Moisés longe do cargo, alguém que contraria seus interesses e projetos, embora o descartem como adversário em 2022.

 

Em casa

Deputada Carmen Zanotto, que já teve a nomeação para a Secretaria Estadual de Saúde confirmada no Diário Oficial do Estado, já está em Florianópolis, nesta quinta (1º), onde participa da posse do novo presidente do Conselho de Secretarias Municipais de Saúde (Cosems/SC), Daisson José Trevisol (Tubarão), farmacêutico-bioquímico, com doutorado em Ciências da Saúde.

Carmen fará uma série de reuniões com a governadora em exercício e terá que destrinchar, pelo menos, um pepino dos grandes, o fim do decreto que impedia a participação de torcedores nos estádios de futebol.

 

Fora dali

As direções nacional e estadual do Cidadania, partido de Carmen Zanotto, discordam da posição da parlamentar em assumir um cargo na gestão de Daniela.

Para o histórico Roberto Freire, de Pernambuco, presidente da sigla, a deputada não devia ter aceito participar de um governo Bolsonarista e chama a decisão de “grave equívoco”, já no diretório estadual um grupo elogia ascendência de Carmen e opta pela sua competência para respaldar a ida para o cargo.

 

Pela governabilidade

Secretário-geral do PP, o histórico Aldo Rosa afirma que pouco importa a quem está imputada a indicação do ex-deputado e ex-secretário do Ministério das Cidades, Leodegar Tiscosky, seja Gelson Merisio (PSDB) ou Laércio Schuster (PSB), em nome de Paulo Bornhausen.

Aldo explica que o partido foi chamado para ajudar o Estado e o governo de Carlos Moisés, mantém a posição com Daniela Reinehr e reforça que Leodegar, o Léo para os pepistas, é nome de competência, engenheiro civil e o homem certo na pasta certa, a Infraestrutura e Mobilidade, matéria que conhece como poucos.

 

No paredão

Leodegar foi um dos anunciados por Daniela que passou por um verdadeiro paredão, questionado por ter participado dos governos do PT, em Brasília.

O PP questiona que o seu quadro seja considerado como um afastado da política e lembra que o deputado Altair Silva permanece na Secretaria da Agricultura.   

 

Lamentável 1

Advogada Ana Cristina Blasi, primeira linha de defesa e que trabalhou muito para livrar a atual governadora em exercício dos processos de impeachment, ficou sem o apoio de Daniela Reinehr na pretensão de se candidatar à vaga de desembargadora no Tribunal de Justiça pelo quinto constitucional da OAB.

Daniela fechou com o candidato apoiado, nas internas, pelo presidente do Tribunal de Justiça, desembargador Ricardo Roesler, o advogado Wilson Pereira Júnior, o Tiji.

 

Lamentável 2

Assumir o compromisso com Roesler seria uma coisa, a outra é dar irrestrito apoio ao outro padrinho de Tiji, o ex-deputado Gelson Merisio, que gosta de agir e dizer que indica desembargadores e presidentes da mais alta corte.

A questão é se a OAB comprará mais esta aventura de Merisio, que tentou impor o competente Alex Santore como desembargador, embora o profissional não tivesse comprovado o requisito para a candidatura, os 10 anos de atuação como advogado, caso que ainda corre de uma jurisdição à outra, estadual e federal, sem uma conclusão no Judiciário.

 

O caso

Santore ficou em terceiro na votação da lista sêxtupla, encaminhada pela OAB ao Tribunal de Justiça, e teve a indicação confirmada pelo então governador Raimundo Colombo (PSD), com direito a uma foto com jeito de constrangedora na Casa d’Agronômica.

O TJ anulou a escolha do nome na lista tríplice, a Ordem também, e o sucessor de Colombo, Eduardo Pinho Moreira (MDB), anulou o ato de indicação, um decreto do Executivo, mas o imbróglio prossegue, sem que Santore sequer pudesse renunciar à postulação, impedido pelo padrinho político, que não desistiu do intento.

 

Otimista

Alheio aos movimentos de bastidores, que agora revelados mudaram inclusive o entendimento de desembargadores sobre os recentes acontecimentos, devido a contaminação política, o governador afastado Carlos Moisés segue sereno em sua linha de raciocínio enquanto trabalha, com seus assessores, para evitar novas surpresas no julgamento definitivo do processo de impeachment.

Para Moisés, há um respeito pelo entendimento cada desembargador na primeira fase do julgamento, sem esconder a confiança de que sua inocência seja reconhecida durante a análise ampla do caso na instrução para o julgamento definitivo.

 

E o libelo

Libelo produzido pelos advogados dos proponentes do processo do impeachment contra Moisés, pede a ouvida de duas testemunhas para explicar, mais uma vez, como se deu o processo de compra dos 200 respiradores com o pagamento antecipado de R$ 300 milhões, sem a garantia de entrega, único objeto que sobrou na análise final.

A defesa de Moisés entende que o melhor é produzir novas provas documentais, reforçar os pontos em que nem o Ministério Público Estadual nem o Ministério junto ao Tribunal de Contas consideram dolo ou participação do governador na aquisição dos ventiladores, bem como ressaltar que o presidente da corte administrativa, conselheiro Adircélio de Moares Ferreira Júnior, jamais conversou com o chefe do Executivo sobre esta compra em particular. 

 

Rápido, talvez!

Se forem suprimidas as fases de depoimentos ou aberto mão de diligências, a votação definitiva do processo de impeachment deve ser acelerada.

Isso representaria um julgamento, no máximo, em 40 dias. A conferir.   

 

Mapeado

Estava certo que o secretário Jorge Eduardo Tasca não ficariana Secretaria da Administração do atual governo, até porque, no sábado, quando as assessorias de Moisés e Daniela se reuniram, no último sábado (27), havia uma lista de nomes que a governadora em exercício não queria manter na estrutura estadual.

O mais próximo de Moisés e agora empenhado na defesa do governador afastado, Tasca será susbstituído pelo adjunto, o servidor de carreira Luiz Antônio Dacol.    

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Roberto Azevedo

Roberto Azevedo
Jornalista com 36 anos de profissão. Foi repórter, editor, chefe de Reportagem, editor-chefe, chefe de Redação, gerente e diretor de Jornalismo na RBS TV (Blumenau e Florianópolis), hoje NSC TV; na TV Record (Florianópolis) e na Rede TV Sul (hoje SCC SBT); comentarista na RIC TV (hoje NDTV) e na Record News; editor de Política e colunista no Diário Catarinense (DC), e colunista no Notícias do Dia (ND). Atuou nas rádios União AM e FM (Blumenau e Florianópolis) e na Rádio Record da Capital. Atualmente, além do Making Of, faz comentários na Rádio Cidade em Dia FM, de Criciúma, e é diretor de Conteúdo na TVBV (Band).
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