Outubro 08, 2020

Decisão histórica já tem data marcada

Decisão histórica já tem data marcada
BRUNO COLLAÇO/AGÊNCIA ALESC

O dia 23 de outubro ainda parece um pouco distante mas já entra para a história de Santa Catarina como o momento decisivo de um fato inédito: a possibilidade real de afastamento de um governador e de uma vice, no caso Carlos Moisés e Daniela Reinehr, sobre um controverso pedido de impeachment.

O que se propõe a ser a reunião em que cinco deputados estaduais, investidos de juízes, e cinco desembargadores do Tribunal de Justiça definirão mais do que uma substituição, mas o futuro do Estado, não necessariamente ficará focada no que a maioria dos parlamentares considerou como crime de responsabilidade, a não pacificada equiparação dos salários dos procuradores do Estado com os da Assembleia.

Enquanto se aguarda uma decisão do Tribunal de Justiça sobre o tema, que seria um forte elemento influenciador dos magistrados no Tribunal Especial de Julgamento, a situação delicada do presidente da Assembleia, deputado Julio Garcia (PSD), denunciado por corrupção, lavagem de dinheiro, peculato e fraude em licitação pelo Ministério Público Federal, na Operação Alcatraz, e virtual governador interino com a saída de Moisés e Daniela, igualmente será relevante para o desfecho.

 

Movimento

Quando Julio Garcia envolveu a Assembleia, não só dos deputados que lhe prestaram apoio irrestrito, ao fazer contundente pronunciamento na cadeira de presidente do parlamento, fez uma catarse que supera a sua condição de segundo na linha sucessória.

Após os respaldos, estava à mesa, sem dirigir os trabalhos da sessão a observar no celular as repercussões digitais de sua fala, no ambiente ideal de amigos e seguidores, nas redes sociais, distante da reação não tão favorável e mais crítica que boa parte de seus colegas de parlamento enfrentava.

 

O que esperar

Sob sigilo, o relatório desenhado pelo deputado Kennedy Nunes (PSD), um dos mais ardorosos adversários, com jeito de inimigo de Moisés e Daniela, não poupará argumentos para tirar a dupla do poder, algo cristalino desde o início da campanha pelo impeachment.

Sem poder trazer a conclusão, na publicação no Diário Oficial da Assembleia, aguarda a manifestação dos demais pares do Tribunal Especial com uma linguagem técnica, sem abusar dos adjetivos e palavras que pesaram como insultos e ofensas, muitas vezes, durante as declarações feitas na condição de parlamentar, durante a CPI dos Respiradores ou nos momentos que antecederam a admissibilidade do impeachment.

 

Não dá tempo

Para quem acreditava que a caneta da juíza federal Janaína Cassol Machado, da 1ª Vara da Capital, alcançaria Julio e os demais 14 denunciados pelo MPF, o prazo de 15 dias para receber as manifestações dos entre eles que são servidores públicos ou detentores de mandatos dificulta isso.

Na primeira denúncia, onde serão citadas três pessoas – Julio, uma filha e a ex-mulher -, este prazo começou a contar na segunda passada (5) e terminaria no dia 26, quando a situação já deve estar resolvida, governador e vices notificados e Julio prestes a assumir na interinidade, caso nenhuma intercorrência seja registrada.

 

REPRODUÇÃO/TVBV

MOISÉS SUBIU O TOM

No estilo a melhor defesa é um ataque, o governador Carlos Moisés da Silva tem elevado o tom de voz e atacado diretamente o grupo político, que garante, pretende retornar ao poder por não ter digerido a derrota em 2018. O fim de contratos milionários e a perda de nomeações de apadrinhados cortaram o abastecimento de propina aos líderes de uma “organização criminosa”, que age no Estado, pontua Moisés. Na entrevista que concedeu ao Band Cidade, na TVBV, ressaltou que isso não mudará seu ânimo, o Estado prossegue sua trajetória de crescimento e de índices invejáveis no país, mas assegura que acredita no discernimento do Judiciário, no Tribunal Especial de Julgamento, sem a menor expectativa de mudança dos deputados investidos de magistrados, que fazem parte da estrutura. Moisés afirmou que a uma “roubalheira se instalou no governo, não só no Executivo” e aponta o dedo para seus adversários.

 

Palavra

Moisés valeu-se da palavra “roubalheira” não ao acaso.

A utilizou em contraponto e parafraseando o ex-governador Eduardo Pinho Moreira, que em entrevista à NDTV, avaliou a questão do pagamento antecipado de R$ 33 milhões pelos 220 respiradores e outros supostos problemas com a frase: “Que roubalheira, Moisés”!

 

Aliás

Querem dar boas gargalhadas, saibam que o quase sempre sério Moisés é expert em algumas imitações.

Quando se referiu à frase da “roubalheira”, nos bastidores da entrevista na TVBV, imitou Eduardo Pinho Moreira com entonação, vozeirão e tudo mais.    

 

Não aceita

O governador do Estado tenta até hoje entender onde foram parar os 18 votos que acreditava ter antes da votação da admissibilidade em plenário, no último dia 17 de setembro, que viraram minguados seis favoráveis para ele e sete favoráveis para a vice-governadora.

Não descarta nada, sequer a cooptação em forma de pressão ou a distribuição de valores para os que trocaram de lado, denúncia tão grave que precisa ser comprovada.

 

Mais um

Depois da delação premiada de Michelle Guerra, ex-sócia de Nelson Castello Branco Nappi Júnior, ex-secretário adjunto da Administração do Estado e diretor de Informática da Assembleia, preso na Operação Alcatraz, em que sugere um propinoduto para Julio Garcia, então conselheiro de Contas, e os ex-governadores Raimundo Colombo (PSD) e Eduardo Pinho Moreira (MDB), então vice, que viriam de contratos com o Estado, mais uma denúncia pipoca contra ex-governos. Os três negam o fato e exigem provas.

O Ministério Público de Contas, órgão que atua junto ao TCE, soltou mais uma no ventilador: o repasse de R$ 1,2 milhão, feito em 2008, no governo de Luiz Henrique (MDB), para a produção do filme norte-americano “The Heartbreaker” (O quebrador de Corações em tradução livre), que jamais chegou às telas. O MDB virou alvo.

 

Batalha

A busca pela recuperação dos valores, repassados a uma instituição com fins lucrativos e uma associação, via Fundo Estadual de Incentivo ao Turismo, já foi objeto de um pedido pelo Ministério Público de Contas.

Mas embora a questão tenha sido reconhecida pelo Pleno do Tribunal de Contas, a devolução dos valores não o foi, e agora pede-se a punição aos agentes públicos e o retorno do dinheiro público.  

 

Pedido

O candidato à prefeitura da Capital Pedro Silvestre (PL), o Pedrão, solicitou ao presidente da Câmara da Capital, Fábio Braga (PSD), que a TV Legislativa da casa realize um debate com os postulantes ao cargo.

A ideia de Pedrão, vereador mais votado da história de Florianópolis, é interessante, mas a televisão do parlamento local terá os mesmos problemas das demais emissoras abertas, um protocolo rigoroso contra a pandemia e equipamentos obrigatórios para a inclusão de portadores de deficiência na transmissão.

 

REPRODUÇÃO/FACEBOOK

POLÊMICA GARANTIDA

Mal começou a campanha em Criciúma, e a candidata Julia Zanatta (PL) já provoca fortes debates, mesmo que o alvo não sejam exatamente seus adversários. Julia publicou uma foto do deputado estadual Felipe Estevão (PSL), tão aliado do presidente da República quanto ela, para rotulá-lo de “Falso Bolsonarista”. Tudo porque o parlamentar-julista e anti-Moisés, que não vota em Criciúma, tem base em Laguna, apoia o tucano Clesio Salvaro à reeleição. E pelo que mostra outro story publicado acima, não vai continuar batendo. Mas não pense que o território de combate da recém-chegada ao PL para na seara política. Na Rádio Eldorado, soltou o verbo contra o comentarista esportivo Reginaldo Corrêa, de quem cobrou respeito no ar, um belo barraco. E os candidatos ainda têm muito pela frente para mostrar suas ideias e pôr as feras para fora. 

Tags:
roberto-azevedo política economia bastidores da política Santa Catarina
Compartilhe: Compartilhe no FacebookCompartilhe no TwitterCompartilhe no Linkedin

Artigos Relacionados

Roberto Azevedo

Roberto Azevedo
Jornalista com 35 anos de profissão. Foi repórter, editor, chefe de Reportagem, editor-chefe, chefe de Redação, gerente e diretor de Jornalismo na RBS TV (Blumenau e Florianópolis), hoje NSC TV; na TV Record (Florianópolis) e na Rede TV Sul (hoje SCC SBT); comentarista na RIC TV (hoje NDTV) e na Record News; editor de Política e colunista no Diário Catarinense (DC), e colunista no Notícias do Dia (ND). Atuou nas rádios União AM e FM (Blumenau e Florianópolis) e na Rádio Record da Capital. Atualmente, além do Making Of, faz comentários na Rádio Cidade em Dia FM, de Criciúma, e é diretor de Conteúdo na TVBV (Band).
  • Youtube

Comentários

Media Social

Fique por dentro

Receba novidades no seu e-mail!