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sexta-feira, 20 maio, 2022

Discurso forte para fugir da fotocópia

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Discurso forte para fugir da fotocópia
DIVULGAÇÃO/PODEMOS

Um dos maiores cabos eleitorais de Jair Bolsonaro, em 2018, por conta da cruzada contra a corrupção da Operação Lava Jato, o ex-juiz Sérgio Moro retornou dos Estados Unidos depois de um ano para e filiar ao Podemos com o desafio de não ser um espelho do atual presidente.

Moro fez um discurso de pré-candidato ao Planalto, com fortes ataques ao PT, leia-se Lula, e a Bolsonaro, na coletiva, em Brasília, sem dispensar dois seguranças que o acompanham, uma prevenção contra eventuais revanches depois de mexer com gente poderosa na política e no empresariado, tanto no Brasil quanto no exterior.

Em cada palavra, o ex-juiz federal e ministro da Justiça e Segurança Pública, seguia o mesmo roteiro de Bolsonaro, um misto de tom messiânico com contundente apelo pelo combate à corrupção, que agora sustenta não ter conseguido acelerar por falta de apoio do governo que o fez desistir da carreira em ascensão na magistratura e que garante não ter sido exterminada na administração federal.

A participação de Moro na eleição do ano que vem significa que o Podemos entra no jogo da sucessão país afora, mesmo que, em alguns segmentos da sigla, o recém-chegado, que ainda tem um séquito bem robusto, inclusive entre os bolsonaristas menos radicais, tem mais jeito de vice, preferencialmente do tucano Eduardo Leite.

 

Frases

Fique atentos em algumas frases proferidas por Moro que demonstram o quanto está afiado e ressentido da campanha de difamação que a milícia digital promoveu quando ele deixou o Ministério da Justiça:

“(A Petrobras) Foi saqueada por interesses políticos, como nunca antes na história deste país”

“Um estudante que me disse: ‘Moro, você abandonou o país?’ Então decidi voltar e mudar a política de dentro para fora!”

“Meu desejo era de continuar atuando como ministro, em favor dos brasileiros. Infelizmente não pude prosseguir no governo. Quando aceitei o cargo não fiz por poder ou prestígio, eu acreditava em uma missão, queria combater a corrupção, mas para isso eu precisava do apoio do governo, esse apoio foi negado”

“Chega de corrupção, chega de mensalão, chega de Petrolão, chega de rachadinha, chega de orçamento secreto, e, por fim, chega de enganar e querer levar vantagem em tudo”  

“Não existe nenhum cargo que valha a alma de uma pessoa”

Assista à íntegra ao discurso de Sérgio Moro:

 

Avaliação

O presidente estadual do Podemos, o ex-prefeito de Palhoça Camilo Martins, acompanhado entre outros pelo pai, o deputado estadual Nazareno Martins, e pelo prefeito Eduardo Freccia, já estava em Brasília desde à véspera da filiação de Moro, na tradicional peregrinação pelos gabinetes no Congresso.

Na noite anterior à solenidade, esteve na casa da presidente nacional do partido, Renata Abreu, que recebeu Moro para um jantar junto com o ex-deputado federal Paulo Bornhausen.

Camilo afasta a possibilidade de Moro ter acenado para a filiação do governador Carlos Moisés e conclui que a chegada do ex-juiz e ministro fortalece o Podemos no país e em Santa Catarina, o coloca no jogo da sucessão, e até admite que, se for necessário para compor o palanque em Santa Catarina, põe o seu nome à disposição para concorrer ao governo.

 

Nome

Fabrício de Oliveira, prefeito de Balneário Camboriú e pré-candidato do Podemos ao governo, tem acumulado certo desgaste dentro da legenda, que se reúne em um grande evento de filiações, nesta quinta (11), em Blumenau.

Um dos motivos é o que alguns da cúpula consideram “um exagerado movimento pró-Bolsonaro”, potencializado pelo convite ao presidente da República para inaugurar o alargamento da faixa de areia da Praia Central, uma forma de agradar aos ruidosos apoiadores locais.

 

Ele vem

Ainda sem data definida, mas este ano, Moro deve visitar Santa Catarina, quem sabe na condição de pré-candidato ao Planalto.

Reconhecido como uma pessoa reservada, o quase sempre calado, o ex-magistrado é visto como a figura certa para impactar no eleitorado conservador no Estado, sem que se tenha certeza do poder para reverter o favoritismo de Bolsonaro.

 

Martelo Batido

O presidente Jair Bolsonaro confirmou ao presidente nacional do PL, o ex-deputado Valdemar da Costa Neto, que se filia à sigla no próximo dia 22, uma referência ao número da sigla, os dois “patinhos na lagoa”.

A expectativa agora fica por conta de como o senador Jorginho Mello, pré-candidato ao governo, capitalizará o importante momento, poder lincar uma campanha no Estado ao número de Bolsonaro na urna eletrônica.

 

Não está fácil

Jorginho está sob ataque nas últimas horas, a ponto do filho dele, o advogado Filipe Mello, reagir e prometer reparação judicial à informação divulgada pela coluna Radar, da revista Veja, que chama de Fake News, pois  cravou que o TCE investiga supostas irregularidades sobre o uso indevido de diárias por parlamentares e servidores, entre 2009 (quando o atual senador presidiu a casa) e 2011 (gestão de Gelson Merisio), na Assembleia.

Mas os problemas não ficam restritos a isso e o Tribunal Regional Eleitoral condenou o PL de Bombinhas por fraude à cota de gênero, nas eleições de 2020, e cassou o mandato do vereador Atila Ueliton Rodrigues de Oliveira, o Boca, que já foi presidente da Câmara local.

 

Nem tudo é ruim

Jorginho confirmou que o ministro do Trabalho e Previdência, Onyx Lorenzoni, estará nesta quinta (11), em Florianópolis.

Os dois participarão do Fórum Nacional de Entidades Representativas dos Militares Estaduais, que debaterá Leis e Política e Reserva Remunerada, ao lado de comandantes, coronéis, o vice-governador do Acre, Major Rocha (PSL), e o deputado federal Major Victor Hugo (PSL-SP).

 

E agora

Entre o debate sobre calote e a necessidade social, o presidente Jair Bolsonaro garantiu enorme vitória na Câmara ao aprovar a PEC dos Precatórios, com votação maior do que no primeiro turno, para viabilizar o Auxílio Brasil, sucedâneo do Bolsa Família, reforço na estratégia política à reeleição.

Não será tranquila a votação no Senado, porém deve ser dada uma olhada maior ao presidente da casa, deputado Arthur Lira (PP-AL), que, além de entregar o que prometeu ao Planalto, o fez depois dos ministros do Supremo já terem construído maioria em torno do fim da concessão de emendas do relator (do orçamento) a deputados apaniguados.

 

Tese vencedora

Turma do STJ invalidou as provas produzidas pela Polícia federal contra o deputado Julio Garcia (PSD), na Operação Alcatraz, por entender que não foi respeitada a prerrogativa de foro no inquérito.

A decisão abre as portas para outras manobras jurídicas, que, por ora, não beneficiam os demais envolvidos, muitos já transformados em réus nas diversas fases do processo na Justiça Federal a pedido da Procuradoria da República, mas a defesa de Julio saiu vitoriosa na tese que sempre defendeu.

Sem ter qualquer ligação com o caso em Santa Catarina, o interessante é notar que os ministros do STJ estavam suscetíveis à questão invalidação de provas, pois fizeram o mesmo em outro tema, o do inquérito que apura as rachadinhas no gabinete do hoje senador Flávio Bolsonaro (Patriota-RJ), filho do presidente Bolsonaro, quando ele era deputado estadual na Assembleia Fluminense.

Roberto Azevedo
Roberto Azevedo tem 37 anos de profissão. Estudou jornalismo na UFSC, de Florianópolis, e direito na FURB, de Blumenau. Foi repórter, editor, chefe de Reportagem, chefe de Redação, editor-chefe, gerente e diretor de Jornalismo, na RBS TV de Blumenau e Florianópolis, na TV Record de Florianópolis, na Rede TV Sul! e na TVBV (Barriga Verde, BAND); comentarista na RIC TV Record e na Record News, e colunista no Diário Catarinense (onde também foi editor de Política) e no Notícias do Dia, tendo blogs nas versões digitais das edições. Atuou nas rádios União de Blumenau e União FM de Florianópolis, e na Rádio Record da Capital catarinense. Além de ter uma coluna no Portal Making Of, desde setembro de 2016, faz comentários sobre política e economia na Rádio Cidade em Dia FM, de Criciúma, e na TVBV (BAND), de Florianópolis.
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