Agosto 29, 2017

E o homem criou a bomba...

FORA DE SÉRIE

MANHATTAN (WGN – 02 temporadas – 2014/2015- USA)

Confesso que relutei um pouco a assistir uma série que falava sobre a construção da bomba atômica. Depois de iniciar não parei mais (quem nunca???). Muita gente não se ligou na qualidade dessa produção e a baixa audiência nos Estados Unidos fez com que o canal WGN América cancelasse a terceira temporada. Mas as duas temporadas com 23 episódios - ainda disponíveis no Fox Premium do Now/Net – merecem ser vistas.

Situada em Los Alamos, Novo México, a série joga luz sobre o Projeto Manhattan durante a corrida para criação da primeira bomba atômica, mas não explora só o lado tecnológico e a rivalidade entre os cientistas. Há muita emoção nas histórias humanas paralelas ao mostrar o alto custo dos segredos e seu efeito devastador  sobre  indivíduos,  famílias e relações conjugais.

Por questões de segurança nacional todos que participam do Projeto Manhattan, incluindo os familiares, são proibidos de sair da vila onde moram, trabalham e vivem em constante estresse. No confinamento há esposas entediadas que não sabem exatamente qual o trabalho do marido, mulheres cientistas com pouco espaço por causa do gênero, traições conjugais e casos amorosos transgressores para a época.

Nesse ambiente não poderia faltar um elemento: a espionagem. Estados Unidos e Alemanha disputam passo a passo a primazia de construir o armamento capaz de ganhar a guerra. A paranoia corria solta e qualquer um virava suspeito de estar vendendo segredos para o inimigo nazista.

No centro desse turbilhão duas equipes pesquisam separadamente: uma liderada por  Frank Winter (John Benjamin Hickey) ,um professor de física veterano obcecado por uma bomba menos letal; a outra pelo jovem Charlie Isaacs (Ashley Zuckerman) , brilhante aluno egresso de importante universidade americana. A rivalidade entre eles, os dramas pessoais e as dúvidas morais que surgem diante da invenção daquela que seria a arma mais destrutiva do mundo, criam uma série dinâmica, diferente e cheia de suspense. Vejam e comentem aqui no C&S . A gente adora saber a opinião de vocês.

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O LIVRO QUE VIROU FILME

Literatura e cinema andam juntos desde o surgimento da sétima arte. Grandes livros geraram filmes inesquecíveis.  Quase nunca o leitor concorda com a versão cinematográfica, mas controvérsias à parte é sempre interessante assistir o resultado nas telas.

O AMOR NOS TEMPOS DO CÓLERA

O  livro mais importante e conhecido de Gabriel Garcia Marquez é "Cem Anos de Solidão". Também acho extraordinário, mas meu favorito dele é " O amor nos tempos do Cólera".  E estou em excelente companhia nessa preferência : o próprio Gabo também achava que era o seu melhor romance! Me apaixonei  já na dedicatória: como o livro fala de grandes amores, Gabriel García Marquez dedicou-o à sua mulher. Escreveu apenas: para Mercedes, por supuesto. Como quem diz: se fala de amor, claro que é para Mercedes !  Inspirado na vida de seus pais, Garcia Marquez disse que escreveu o livro "com as entranhas". O lançamento aconteceu em 1985.

A adaptação para as telas só se deu em 2007. Quando li que seria filmado fiquei animadíssima. Para melhorar, um dos papeis centrais seria do maravilhoso ator espanhol, Javier Bardem. O resultado final, porém, foi decepcionante. A começar pelo inglês falado com sotaque espanhol algo exótico...O filme não consegue passar a intensidade e a emoção da história de Florentino Ariza, um telegrafista, violinista e poeta, que se apaixona por Fermina Daza, filha de uma respeitável família. Para afastá-la do pretendente que não está altura dos Daza, o pai de Fermina a manda em uma longa viagem. Na volta, ela casa com outro para dor insuperável de Florentino. O tempo passou e... se você não leu o livro, nem viu o filme, faça-o para descobrir o que é amor infinito.



"Bastou ao médico um interrogatório insidioso, primeiro a ele e depois à mãe, para comprovar uma vez mais que os sintomas do amor são os mesmos do cólera". (GGM)

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FAN PAGE

A indicação da semana é do escritor e dramaturgo Mário Prata :

"Recomendo a série sueco-dinamarquesa 'A Ponte' por ser diferente das séries americanas. A detetive- protagonista, Saga Norén, ( Sofia Helin), é genial!"


Mário Prata

Nota da coluna: Bron/Broen ( "ponte" em sueco e em dinamarquês) começou em 2011, mas já está indo para a 4ª temporada. Mistura drama-policial-suspense. Os americanos fizeram um remake  de "The Bridge". Durou apenas duas temporadas. Mania deles de refazer aquilo que é perfeito só porque não gostam de ler legenda!

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É COISA NOSSA

Apesar das dificuldades que a área de cultura vem enfrentando no Brasil nos últimos tempos, o Cinema catarinense se mantém vivo. Vamos sugerir neste espaço algumas produções nossas. Começamos com "Oração do Amor Selvagem", de 2015, do diretor Chico Faganello. O filme foi exibido no Festival de Locarno (Suiça) e na Mostra Internacional de São Paulo, além de outras 13 cidades. Quem não teve chance de ver no cinema pode encontrar no Net Now, Telecine ou Canal Brasil, através do VOD (vídeo on demand).

Baseado em fatos reais, "Oração do Amor Selvagem" fala de violência, loucura e intolerância religiosa, a partir dos crimes cometidos por um camponês no oeste de Santa Catarina ao final dos anos 1970.  O filme conta a história de Thiago que mora com a filha pequena e a mulher doente num local dominado pelo fanatismo religioso .  As coisas não melhoram, quando ele perde a mulher e acaba se envolvendo com a irmã de um rígido pastor. O religioso incita a comunidade contra Thiago por ser ateu e se negar a frequentar a igreja.  Filmado em Antonio Carlos e Urubici (SC),  "Oração do Amor Selvagem" tem no elenco os ótimos Chico Diaz e Sandra Corveloni. A trilha sonora de Zeca Baleiro é perfeita para reforçar o clima do filme. Confira!



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EM CARTAZ

*Há uma boa safra de filmes brasileiros em cartaz nas salas da Grande Florianópolis. A coluna destaca "O Filme da Minha Vida", de Selton Melo. Sinopse oficial: Serras Gaúchas, 1963. O jovem Tony Terranova precisa lidar com a ausência do pai, que deixou a ele e a sua mãe para voltar a viver na França. Professor de francês no colégio da cidade, ele se vê às voltas com seus alunos adolescentes. Apaixonado pelos filmes que vê no cinema da cidade grande, Tony faz do amor e do cinema suas grandes razões de viver. Até que a verdade sobre seu pai começa a vir à tona e o obriga a tomar as rédeas de sua vida.

*Outro bom de conferir é "Paris Pode Esperar". O sobrenome Coppola é sinônimo de Cinema. Começou com o patriarca Carmine Coppola, ganhador do Oscar de melhor Trilha sonora pelo "O Poderoso Chefão2",  da trilogia dirigida pelo filho Francis Ford Coppola.  Sofia, a filha de Francis, vem fazendo uma bela carreira como diretora (como o recente remake "O Estranho que nós Amamos"). A irmã de Francis, Talia Shire e o sobrinho Nicolas Cage escolheram a atuação. Agora, aos 80 anos, chegou a vez da mulher de Francis, Eleanor Coppola, deixar os documentários de lado e dirigir seu primeiro filme de ficção."Paris Pode Esperar". Sinopse oficial: Uma negligenciada mulher de um produtor de cinema tem sua vida alterada para sempre depois de dois dias pela França. Agora ela é seguida por um misterioso homem.( Diane Lane, Alec Baldwin).

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PIPOCA NEWS

Sugestões para os cinéfilhinhos!

Olhem que massa !! Todos os sábados, às 16h,  o Cineclube Mostra de Cinema Infantil exibe um filme para as crianças. É no Cinema do CIC –Centro Integrado de Cultura.  Pra ficar ainda melhor: a entrada é gratuita !

Dia 02/09- As Aventuras do Pequeno Colombo de Rodrigo Gava, animação, Brasil, 2015, 88 min. -Ano de 1460, o jovem Cris (Cristóvão Colombo), preocupado com a situação financeira de seu pai, sai atrás de um lendário e valioso mapa que estava com um inescrupuloso mercado de escravos, o terrível Capitão Bonneville. Crise seus amigos Léo (Da Vinci) e Lisa (Mona Lisa) embarcam num navio e partem numa emocionante aventura pelos oceanos.

Dia 09/09-Sessão Curtas Internacionais
Ilha das Tartarugas (Petzi: Schildkröteninsel) de Michael Bohnenstingl, Johannes Weiland e Paul Cichon, Alemanha, 2016, 11 min 41 seg.
Primeira Nevasca (První Sníh) de Lenka Ivaneikova Republica Tcheca, 2015, 13 min 34 seg.
Miúdos de Jonathas Alpoim e Rafael Neves Brasil, 2015, 1 min 6 seg.
Homem Graveto (Stick Man) de Jeroen Jaspaert e Daniel Snaddon
Reino Unido, 2015, 27 min 8 seg.


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BEIJO DE CINEMA !

Nos anos 80, um beijo de cinema fez grande sucesso: o da Mulher Aranha. O filme de Hector Babenco, com Sonia Braga, William Hurt e Raul  Julia rendeu até um Oscar de melhor ator para Hurt. "O Beijo da Mulher Aranha" – uma co-produção americana - entrou para a galeria dos melhores filmes brasileiros de todos os tempos.

Dezessete anos depois, outro beijo aracnídeo se tornou famoso: o do Homem Aranha.  O beijo invertido, debaixo de chuva, entre Peter Parker (Tobey Maguire) e Mary Jane ( Kirsten Dunst) arrebatou o coração dos aracnofãs no mundo inteiro.  E, vamos combinar: a ideia foi mesmo genial ! Só quem não se divertiu foi Tobey Maguire que quase se afogou durante a filmagem da cena.

Nota da coluna: a sugestão foi do leitor Mario A. Nogueira.

E o seu beijo favorito qual é? Escreva pro C&S contando.

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HASTA LA VISTA, BABY!

A frase famosa da semana é dedicada a quem ama os clássicos.

"Casablanca", o clássico de 1942, talvez seja o filme que mais rendeu frases na cinematografia, embora a mais famosa "Play it again, Sam" jamais tenha sido dita no filme. Woody Allen escreveu uma peça com esse nome, depois adaptada para o cinema (Sonhos de um Sedutor). Como se espalhou que Humphrey  Bogart tivesse falado isso, ninguém sabe. E lembrando que ainda não existiam as redes sociais e as fake news...

Nossa frase verdadeira se dá quando Rick Blaine (Bogart ) vê Ilza ( Ingrid Bergman), sua grande paixão no passado, chegar ao  cassino "Ricks Café"  que pertence a ele.  Bogart olha e fala daquele jeito entre dentes só dele: De todos os botecos, de todas as cidades, no mundo todo, ela entra logo no meu ?!!" ("Of all the gin joints in all the towns in all the world, she walks into mine.").

Quem nunca pensou isso: "putz, por que logo aqui ??!!".

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Mens@gem para você

Espaço para elogios, sugestões e puxões de orelha

Agradeço a todos que se manifestaram, felicitando pela estreia ou enviando sugestões para o C&S. Esperamos que essa interatividade aumente a cada edição. O leitor/internauta  pode se manifestar nos comentários do Portal, via Facebook, ou pelo e-mail: cineseries@portalmakingof.com.br

A coluna C&S é pé-quente ! Na edição de estreia, semana passada,  a seção"Vem aí" destacou o filme brasileiro "Como Nossos Pais" , ainda  em fase de lançamento.  Pois, o filme de Laís Bodansky foi o grande vencedor do 45° Festival de Cinema de Gramado, encerrado sábado(26).  Além de melhor filme, "Como Nossos Pais" levou outros seis Kikitos, como direção e atriz para Maria Ribeiro. Parabéns à equipe!

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Fala, leitor !

# Victoria Razig: sua sugestão de "A Dama e o Vagabundo" para a seção"Beijo de Cinema" já está agendada. Estamos preparando o espaguete!

#Guilherme  Peruchene: você tem razão, o nome do ator de Game of Thrones é  Peter Dinklage ( e não Dinklake). Tyrion, o irmão "baixinho", é o melhor da família Lannister. Merece respeito!

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*Brígida De Poli é jornalista​ e cinéfila desde criancinha. Converteu-se à mania das séries de TV depois de assistir "Os Sopranos". Agora tem o prazer de escrever sobre o assunto em Cine&Séries.

THE END

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