As eleições municipais de 2024 em Florianópolis, que reelegeram Topázio Neto (PSD) no primeiro turno, destacaram não apenas as estratégias políticas, mas também o impacto financeiro das campanhas. Com receitas que variaram de grandes aportes partidários a campanhas praticamente autofinanciadas, os candidatos demonstraram que o dinheiro, embora importante, nem sempre garante sucesso nas urnas.
A seguir, uma análise detalhada das campanhas dos principais candidatos, comparando suas despesas, o número de votos recebidos e o custo por voto.
O atual prefeito, Topázio Neto, saiu com a vitória já no primeiro turno com 58,49% dos votos válidos, mas seu desempenho nas urnas também foi o mais caro em termos absolutos. Por outro lado, candidatos como Marquito (PSOL) conseguiram maximizar os recursos limitados e ainda se destacar como uma força competitiva.
Custo por Voto nas Eleições de Florianópolis 2024
O atual prefeito, Topázio Neto, saiu com a vitória já no primeiro turno com 58,49% dos votos válidos, mas seu desempenho nas urnas também foi o mais caro em termos absolutos. Por outro lado, candidatos como Marquito (PSOL) conseguiram maximizar os recursos limitados e ainda se destacar como uma força competitiva.
As campanhas dos candidatos à prefeitura de Florianópolis em 2024 apresentaram uma grande variação de despesas, com valores que refletem a diversidade de estratégias e recursos financeiros disponíveis para cada partido. No topo da lista, a campanha de Topázio Neto (PSD) foi a mais cara, com um total de R$ 4.485.805,00, seguida de perto por Dário Berger (PSDB), cujas despesas chegaram a R$ 3.448.321,81. Pedrão (PP) ocupou o terceiro lugar em gastos, com R$ 2.556.474,59, enquanto a campanha de Lela (PT) apresentou despesas de R$ 1.609.866,33 (ver tabela abaixo).

Em uma faixa de menor custo, Marquito (PSOL) registrou R$ 507.649,07 em despesas, e as campanhas de menor investimento foram as de Carlos Muller (PSTU), com R$ 23.250,00, e Rogério Portanova (Avante), com R$ 8.500,00. Na extremidade mais modesta, Mateus Souza (PMB) teve gastos de apenas R$ 800,00, e Brunno Dias (PCO) não declarou despesas, com R$ 0,00.
Dário Berger (PSDB): O maior custo por voto, o menor impacto
Dário Berger, apesar de ter sido um dos candidatos com maior arrecadação e gastos totais (R$ 3.448.321,81), obteve apenas 16.750 votos, resultando no custo mais alto por voto: R$ 256,00. Este valor é significativamente superior à média dos outros candidatos e evidencia um problema de conexão entre sua campanha e o eleitorado. Berger investiu pesadamente em mídia e estrutura, mas não conseguiu transformar esse investimento em apoio concreto. Esse resultado sugere que a estratégia de campanha, embora financeiramente robusta, não foi capaz de reverter o desgaste político ou atrair novos eleitores.
O elevado custo por voto de Dário, comparado a outros candidatos, revela a importância de uma narrativa de campanha que ressoe com o público, algo que, aparentemente, faltou em sua proposta, já que sua experiência política não foi suficiente para converter o investimento financeiro em votos.
Carlos Muller (PSTU): Um alto custo para poucos votos
Carlos Muller, do PSTU, também apresentou um custo por voto muito elevado, de R$ 162,59, com apenas 143 votos obtidos. Embora seu total de arrecadação tenha sido baixo (R$ 23.250,00), seu desempenho nas urnas reflete o desafio enfrentado por candidatos de partidos menores e com menos visibilidade. O PSTU, como partido de nicho, focado em uma mensagem específica, teve dificuldade em expandir sua base de apoio, mesmo com os investimentos feitos, reforçando a importância da capilaridade de campanha e da presença midiática, aspectos nos quais Muller foi limitado. Nesse caso, a melhor estratégia poderia ter sido unir as forças de esquerda e utilizar esses recursos financeiros para alavancar a candidatura de pelo menos um vereador, o que somaria muito para o equilíbrio dos debates na Câmara Municipal.
Pedrão (PP) e Lela (PT): Investimento mediano, impacto reduzido
Pedrão (PP) e Lela (PT) também tiveram campanhas de médio porte, mas seus custos por voto ainda foram significativamente maiores que os de Topázio e Marquito. Pedrão, que gastou R$ 78,93 por voto, e Lela, com um custo de R$ 100,61 por voto, apresentaram desempenhos inferiores ao esperado. Esses candidatos, apesar de terem um histórico político e uma base partidária relevante, não conseguiram converter seu investimento em um grande apoio popular, destacando que o simples aumento de recursos não garante sucesso eleitoral.
Lela (PT): Desempenho fraco e falta de estratégia para alavancar a oposição
O caso de Lela, que obteve 16.001 votos e gastou R$ 1.609.866,33, revela não apenas um desempenho abaixo do esperado para o PT, mas também uma oportunidade perdida em termos de estratégia eleitoral. O Partido dos Trabalhadores, tradicionalmente uma força política em Florianópolis, não conseguiu mobilizar seu eleitorado de forma eficiente. Com um custo elevado de R$ 100,61 por voto, a campanha de Lela demonstrou que houve um erro na estratégia de comunicação e mobilização de bases.
Uma das críticas mais apontadas foi a resistência do PT em formar uma chapa conjunta com o PSOL, onde Marquito (PSOL) lideraria a coligação. Essa aliança poderia ter somado os votos das duas principais forças progressistas de Florianópolis e fortalecido a candidatura de Marquito, levando potencialmente a disputa para um segundo turno. Se Lela tivesse unido forças com o PSOL, não apenas ampliaria a base eleitoral da esquerda, mas também garantiria mais recursos financeiros para a campanha, aumentando as chances de confrontar Topázio de maneira mais competitiva.
Essa resistência a uma aliança com Marquito acabou fragmentando o voto progressista e resultou em uma dispersão dos votos que poderia ter sido consolidada em uma única candidatura de oposição forte. Como resultado, o PT teve um desempenho medíocre, e Marquito ficou em segundo lugar com menos apoio do que poderia ter alcançado.

Topázio Neto (PSD) x Marquito (PSOL): Eficiência e resultados contrastantes
Topázio Neto, o candidato reeleito, apresentou uma campanha financeiramente robusta, com um custo de R$ 27,72 por voto, totalizando R$ 4.485.805,00 em despesas. Embora tenha tido o maior orçamento, seu custo por voto foi relativamente controlado, considerando o tamanho de sua campanha e sua vitória com 161.839 votos. Topázio investiu fortemente em mídia tradicional e eventos promocionais, o que, junto ao apoio de alianças políticas importantes, contribuiu para garantir sua reeleição no primeiro turno. Sua vitória, com um custo por voto equilibrado, mostra que o alto investimento foi eficaz, mas também que ele já contava com uma base sólida de eleitores.
Por outro lado, Marquito (PSOL) se destacou por ter a campanha mais eficiente em termos de custo por voto, gastando apenas R$ 8,25 por voto, com um total de R$ 507.649,07 em despesas (11,32% do orçamento de Topázio). Embora tenha tido um orçamento muito menor que o de Topázio, Marquito conseguiu conquistar 61.509 votos, um resultado importante considerando os recursos limitados. Sua campanha focada em temas como sustentabilidade e direitos fundamentais, com forte presença nas redes sociais, mobilizou o eleitorado jovem e progressista, provando que uma mensagem clara e autêntica pode ter um grande impacto, mesmo com menos dinheiro.
Dinheiro versus engajamento popular
A principal diferença entre os dois candidatos não está apenas nos recursos investidos, mas também em como esses recursos foram usados. Topázio, com um custo por voto três vezes maior que o de Marquito, apostou em uma campanha tradicional, com grande presença de mídia e eventos, aproveitando-se de uma sólida aliança política e de sua posição como prefeito em exercício. Marquito, por outro lado, foi o exemplo de uma campanha eficiente, que utilizou bem o orçamento disponível para maximizar o engajamento com o público, provando que é possível alcançar grandes resultados com recursos limitados, desde que a mensagem ressoe com o público certo.
Estratégia eleitoral e alianças podem ser decisivas
A análise das campanhas de Pedrão e Lela evidencia que, mesmo com recursos moderados, a falta de uma estratégia eleitoral eficaz e de alianças importantes pode ser decisiva para o desempenho nas urnas. A resistência do PT em apoiar uma candidatura unificada de esquerda liderada por Marquito acabou por enfraquecer tanto a campanha de Lela quanto a do PSOL. Ao contrário de Topázio, que consolidou apoios e maximizou seu orçamento, a dispersão dos votos progressistas impediu que a esquerda de Florianópolis avançasse para um segundo turno, uma oportunidade perdida que poderia ter mudado o equilíbrio da disputa.

Dinheiro conta, mas são as alianças decidem
As eleições de 2024 em Florianópolis mostram que o financiamento de campanha é um fator importante, mas não garante, por si só, o sucesso nas urnas. Candidatos como Dário Berger e Carlos Muller, apesar dos investimentos, não conseguiram obter muitos votos, enquanto Marquito demonstrou que uma campanha com menos recursos, mas com uma narrativa clara e eficaz, pode conquistar resultados expressivos.
Topázio Neto, embora tenha gastado mais, também mostrou eficiência em converter seu investimento em votos, garantindo uma vitória no primeiro turno. No entanto, a diferença no custo por voto entre ele e Marquito sugere que campanhas mais ágeis, com menos gastos, podem ser uma estratégia competitiva, especialmente em um cenário político em que o engajamento digital e a comunicação direta com os eleitores ganham cada vez mais importância.
A conclusão é clara: o dinheiro é importante, mas a construção de alianças estratégicas e uma narrativa que unifique o eleitorado são igualmente decisivas para alcançar o sucesso eleitoral. O caso de Lela e Marquito demonstra que uma oposição dividida dificilmente pode competir em igualdade de condições com uma candidatura sólida e bem estruturada como a de Topázio Neto. Prova disso é que, em mais um mandato, o prefeito reeleito terá novamente a maioria na Câmara Municipal, o que facilita a aprovação de projetos polêmicos e impede que assuntos delicados avancem. Além disso, essa maioria pode fazer com que os vereadores deixem de lado suas funções essenciais de legislar, fiscalizar e representar os interesses dos cidadãos.









