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quinta-feira, 26 maio, 2022

Em busca da primeira noite de tranquilidade

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Há poucos dias, uma notícia chocou o público do mundo inteiro. Alain Delon, um dos maiores astros da história do cinema francês, decidiu pela eutanásia. Aos 86 anos, aquele que foi um dos mais belos rostos das telas, disse ter “perdido a paixão pelo mundo”.  Depois de dois AVCs simultâneos, Delon acabou pedindo ao filho, Anthony, que providenciasse seu suicídio assistido. A família mora na Suíça, onde o procedimento é legal. Depois de Anthony ter divulgado a decisão do pai, o próprio ator publicou mensagem no Instagram: “Tomei minha decisão há muito tempo. Minha vida foi bonita, mas também muito difícil. Nunca gostei de envelhecer, todas as dores e provações que tenho que enfrentar cotidianamente me deixam imóvel diante de tudo”. Ainda não se sabe quando será sua partida. Quem sabe até volte atrás. É triste, mas ele tem livre arbítrio sobre a própria vida.

Não vou me estender sobre o tema polêmico da eutanásia, até por este não ser o fórum adequado. Gostaria apenas de contar para as novas gerações que Alain Delon,  além de sinônimo de homem bonito, é um ator talentoso e intérprete de grandes filmes. Selecionei alguns.

No mais, só me resta desejar ao ser humano Alain Fabien Maurice Marcel Delon que encontre sua primeira noite de tranquilidade.

Obs: Escolhi o vídeo de “Os aventureiros” (Robert Enrico- 1967), não só por ter o próprio Delon cantando a música “Laetitia”, mas por ser uma cena de pura felicidade. E paz.

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A primeira noite de tranqüilidade (1972)

Não começo em ordem cronológica, mas pelo meu filme favorito de Alain Delon. Dirigido por Valério Zurlini, um diretor italiano menos prestigiado do que merece, La prima notte de quiete (um dos títulos mais bonitos da história do cinema) traz Delon no papel de um angustiado professor que se apaixona por uma aluna misteriosa, também comprometida. Mas não é uma historinha de amor. Fala de vazio existencial e o tom é profundamente melancólico. Grande filme, grande atuação.

Rocco e seus irmãos  (1960)

Outro grande diretor italiano, Luchino Visconti, dirigiu o ator francês em outro grande filme. Delon, recém iniciando na profissão, interpreta Rocco, o jovem que se muda  com a mãe viúva e três irmãos de um vilarejo para Milão, em busca de uma vida melhor. O quinto irmão já vive na grande cidade, mas o grupo descobre ao chegar lá que ele não poderá abrigá-los. A mamma aluga um quarto, para todos morarem. Com o tempo, o irmão mais velho se dá bem no boxe, mas ele e Rocco acabam disputando a mesma mulher. A fotografia em preto e branco torna tudo mais triste e melancólico.

O leopardo (1963)

Alain Delon voltaria a trabalhar com Visconti neste belíssimo filme, baseado no romance de Giuseppe Tomasi di Lampedusa, com trilha de Nino Rota . Ao lado de Delon, estão a estreante Claudia Cardinale e o astro americano Burt Lancaster, dublado em italiano, no papel do Príncipe Don Fabrizio Salina. Ambiente em 1860, na Sicília, durante o período de reunificação italiana, é de Lancaster a melhor frase do filme: tudo deve mudar para que tudo continue como está. Warren Beatty chegou a viajar para a Itália em busca do papel que acabou ficando mesmo Delon.

O sol por testemunha  (1960)

Este é um dos filmes mais conhecidos de Delon. Foi baseado no romance  “O talentoso Ripley”, de Patricia Highsmith, e dirigido pelo francês René Clément. Delon interpreta o amoral Tom Ripley, que acaba se apropriando da vida de um jovem rico de quem se tornou amigo. A história foi refilmada, com sucesso, por Anthony Minghella, em 1999, com Matt Damon e Jude Law nos papeis principais.

O eclipse  (1962)

Michelangelo Antonioni foi outro diretor italiano importante a dirigir Alain Delon. A trama: após passar a noite discutindo, Vittoria rompe com Riccardo , seu namorado. Ao ir se encontrar com a mãe na Bolsa de Valores, Vittoria conhece Piero , um jovem e elegante corretor da bolsa, vivido por Delon.  Ele é muito sedutor e ela resiste no início, mas gradativamente vai se apaixonando. Vittoria é interpretada por um ícone do cinema italiano: Monica Vitti.

Adeus, amigos  (1968)

Talvez esse título nem seja tão importante na filmografia de Alain Delon, mas lembro que gostei muito quando o vi nos anos 70. Delon é um médico francês, Charles Bronson, um mercenário americano. Eles se conhecem servindo na Legião Estrangeira e se reencontram anos depois, tentando realizar um assalto. O antagonismo acaba virando a amizade que me fez chorar no final do filme.


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FILMES

Os olhos negros de Marilyn – direção: Simone Godano – 2021 –Netflix

Um daqueles filmes com enredo não muito original, mas divertido e simpático. Os italianos Diego e Clara conhecem-se num centro para pessoas com distúrbios mentais. Apesar das diferenças, eles têm uma paixão em comum: a gastronomia. Diego já foi um grande chefe e ela tem vocação para a administração. A dupla acaba montando um restaurante no centro de reabilitação, com todas as trapalhadas que esse empreendimento inusitado gera.

Norman – Confie em mim  – direção:  Joseph Cedar – 2019- Now/Net

Richard Gere, destituído de seu charme habitual, é Norman, um insignificante integrante do mercado financeiro, tentando progredir. Ele conhece todo mundo do setor, mas ninguém sabe nada realmente sobre ele. Um dia, Norman se aproxima de um político israelense em ascensão. Com o sucesso do político, parece que – finalmente -a vida de Norman vai mudar. Gere está muito bem no papel.

Bombardeio – direção: Ole Bordenal – 2021 – Netflix

Talvez este não seja o melhor momento para ver o filme holandês, ou pode até ser o contrário… A história é tragicamente real: em 21 de março de 1945, a Força Aérea Real Britânica partiu em uma missão para bombardear a sede da Gestapo, em Copenhague. Mas, por engano, os aviadores atingiram uma escola, matando cento e vinte pessoas, das quais oitenta e seis eram crianças. O filme mostra a história de alguns alunos e os traumas que a guerra causa nas vítimas inocentes. Um capítulo pouco conhecido da Segunda Guerra Mundial, com uma produção primorosa.


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SÉRIES

Bridgerton – 2 temporadas – Netflix

Para alegria do imenso fã clube, acaba de chegar a nova temporada da segunda série mais vista da história da Netflix ( a 1ª é  Round 6). Shonda Rymes, a “ Midas” das produções televisivas, teve  a ousadia de colocar atores negros como aristocratas nessa história que se passa na Londres do século 19. O que traz a segunda parte da trama? Anthony Bridgerton no meio de um triângulo amoroso. Disposto finalmente a se casar, ele escolhe uma jovem da sociedade, mas terá que conquistar a benção da irmã mais velha dela. E ela odeia o futuro cunhado. Ou é outro sentimento ? Apesar de estar prestes a deixar a solteirice, o título do primeiro episódio já entrega que Anthony continua o mesmo : “O grande libertino”.

Amor Imenso – 5 temporadas – 2006 – HBO Max

Esta ótima série dramática não é nova, mas quando a vi anos atrás, ela não teve grande repercussão. Agora os telespectadores têm uma nova chance. Big Love  voltou, desta vez na HBO Max.

Bill Paxton interpreta o dono de uma bem-sucedida cadeia de lojas, lutando para manter o equilíbrio financeiro e emocional de suas várias suas esposas. Ele precisa manter em segredo seu estilo de vida, uma vez que a poligamia foi proibida pela Igreja Mórmon há mais de um século. Bill ainda enfrenta problemas  com os pais, que vivem numa comunidade fechada e repressora, e também com a lei pelos seus vários casamentos.

Embora não esteja no elenco, Tom Hanks é um dos produtores de “ Amor Imenso”.

Lakers: Hora de Vencer – 1 temporada – 2022 – HBO

Uma bela pedida para quem curte histórias sobre o esporte, o que não é bem o meu caso. A trama: durante a década de 1980, o Los Angeles Laker foi o time de basquetebol mais bem sucedido dos EUA e fez  história ao vencer nove ligas até 1991. Eles reinaram absolutos com a chegada de “Magic” Johnson e suas jogadas incríveis. A série gira justamente em torno do dono da equipe e a contratação de “Magic”.

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ALERTA DOURADO!

Domingo, 27, é dia de entrega do Oscar 22.

A cerimônia de premiação será transmitida na televisão em dois canais pagos – TNT e TNT Séries.

A TV Globo não vai transmitir em canal aberto este ano, mas sim no seu serviço de streaming, o Globoplay. O acesso será liberado para não assinantes. Maria Beltrão, Marcelo Adnet, Fábio Porchat e Dira Paes serão os apresentadores e comentaristas na plataforma da emissora.

Para quem gosta de acompanhar as entrevistas no tapete vermelho e olhar os looks das estrela (eu!eu!), o canal E! começa a transmissão, às 20h.

Estarei desde cedo, torcendo por “ Ataque dos cães”, pela diretora Jane Campion e pelo ator Benedict Cumberbatch (embora achando que vai dar Will Smith).
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THE END
*Fotos: reprodução/divulgação

Brígida Poli
Jornalista, cinéfila desde criancinha e maníaca por séries de TV desde "Os Sopranos". Não se considera crítica de cinema, pois não consegue deixar o coração de lado na hora de avaliar um filme. Adora falar e escrever sobre o assunto e tenta chamar a atenção para as grandes obras cinematográficas que as novas gerações desconhecem. Concorda com o mestre Federico Fellini quando ele disse que "o cinema é um modo divino de contar a vida".
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