Julho 17, 2021

Em busca das raízes

Em busca das raízes
Olivier Rousteing e os avós em cena do documentário Wonder Boy/Netflix

Ele é jovem, talentoso, rico, bonito e famoso. Apesar dessas coisas tão ambicionadas pela maioria dos humanos, ele tem um vazio que não o deixa ser feliz. Estou falando de Olivier Rousteing, o diretor criativo da Balmain, que recolocou a grife francesa no mapa das mais importantes marcas da alta costura.

O documentário Wonder Boy mostra a trajetória pessoal e profissional de Olivier, adotado por um casal francês branco aos cinco meses de idade. No auge de sua carreira como designer ele começou a buscar suas origens. Quem eram os pais que o deixaram no orfanato aos sete dias de vida? Durante as filmagens, ele recebeu o resultado de seu DNA indicando origens na Somália e Etiópia.

Enquanto vamos conhecendo os bastidores do ateliê e a reverência ao designer responsável por ter aumentado em cinco vezes o faturamento da Balmain ao assumir a marca aos 25 anos, em 2011, vemos também um homem solitário em busca de suas raízes. Afinal, por que foi abandonado pela mãe? E hoje, será que ela sabe que seu filho é alguém tão famoso e bem-sucedido? Rousteing é o único estilista negro titular de uma grife de tamanha projeção. Articulado e culto, ele é também ativista contra o racismo e a homofobia.

Apesar do amor recebido dos pais adotivos e dos avós, que ele parece amar sem limites, Olivier necessita profundamente conhecer suas raízes. Talvez só essas respostas possam sossegar sua inquietação interior.

É tão fácil entendê-lo! Quem não quer conhecer melhor qual junção nos fez ser como somos. Atualmente, se não conseguimos responder nossa maior indagação existencial: de onde viemos, para onde vamos?, podemos ao menos saber nossa origem étnica e histórica.  Os escritórios de levantamento da árvore genealógica se junta agora também à pesquisa de DNA, que se tornou muito acessível nos últimos tempos.

Histórias cruzadas

Apesar de ter sido criada pela minha família biológica eu também queria saber mais sobre meus ascendentes. Há alguns anos contratei uma pesquisadora para traçar a história de meus antepassados italianos. Meu único intuito era conhecer a história de meus avós paternos de sobrenome. A primeira coisa que a gente descobre é que a grafia do sobrenome que carregamos a vida toda pode ser diferente do original.

Entre muitas revelações, soube que meu avô veio da Calábria com mulher e filho, em 1898, mas logo viuvou e então casou com Brígida, de quem herdei o nome, vinda da região da Campania. Meu pai foi o caçula de cinco ou seis filhos do segundo matrimônio. Uma vida dura a dos nonos, vejo pelo olhar na única foto que tenho deles. Meu avô, um homem bonito, com gravata de laço no pescoço, tentando manter um ar digno, me comoveu às lágrimas.

Mas, o que me fez chorar rios foi descobrir que ele era analfabeto. Imaginei-o chegando num país estranho, sem falar o idioma, sem saber ler, sem trabalho garantido. Minha compaixão se expande a todos os refugiados e imigrantes que hoje são enxotados de países ricos como incômodos ao bem-estar local. Os mesmos países, como a própria Itália, de onde saíram tantos imigrantes fugindo da fome.

Cruzando nossas histórias, é provável que os pais de Olivier Rousteing tenham chegado à França - saindo da Somália ou Etiópia - em busca de uma vida melhor. Encontraram indiferença e uma vida miserável. Talvez por isso a mãe precisou abrir mão do filhinho. Eu já sei algumas coisas, Olivier também, mas continuamos buscando. Torço por ele, como se fosse meu irmão.

(Brígida De Poli)

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WONDER BOY – direção: Anissa Bonnefont- França -2021

O documentário foi selecionado para a competição de melhor documentário do Tribeca Film Festival 2020. Tem 1h30 e está disponível na Netflix.

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Filmes

Eu sou todas as meninas – direção: Donovan Marsh – 2021-Netflix

A produção desse thriller da África do Sul é bem simples, mas o tema é importante. Trata do tráfico humano, meninas “exportadas” para outros países para servir como escravas sexuais. Uma policial investiga o caso, enquanto ocorrem assassinatos de vários suspeitos do tráfico. Ela tem ajuda de uma misteriosa perita. A informação que encerra o filme é assustadora: 500 mil pessoas são traficadas por ano no mundo.

 

Mademoiselle Paradis – direção: Barbara Albert – 2017

Para quem gosta de filmes de época, essa é uma história em original.

Viena, 1777. A pianista cega Maria Theresia Paradis, de 18 anos de idade, perdeu a visão durante seus primeiros anos de vida. Após inúmeros experimentos médicos fracassados, seus pais a levam ao controverso médico Franz Anton Mesmer, e ela se junta a um grupo de pacientes extravagantes, que buscam no magnetismo uma oportunidade de cura para males que a ciência tradicional não resolve. (Sinopse oficial)

 

A lenda de Barney Thonson – direção: Robert Carlyle – 2015 – Netflix

Este é o segundo filme dirigido por Robert Carlyle (conhecido como ator pela série Once upon a time e filmes como Trainspotting e Tudo ou Nada) Ele interpreta o protagonista, acompanhado dos ótimos Emma Thompson e Ray Winstone . A produção não alcançou grande sucesso, mas vale a pena conferir.

Vivendo uma vida medíocre e desinteressante, o tímido e desajeitado Barney (Robert Carlyle) leva o dia a dia como barbeiro na cidade escocesa de Glascow. Porém, o rumo das coisas está prestes a mudar quando ele passa a se envolver no mundo grotesco e comicamente absurdo de um serial killer, tentando cobrir seus rastros à medida que foge do detetive local. (Sinopse Adoro Cinema)

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Séries

Castle Rock – 10 episódios – Prime Vídeo

Esta série baseada em personagens criados por Stephen King, aliás ele é um dos produtores, é daquelas para quem gosta de muito suspense e terror psicológico. São idas e vindas e novos personagens a cada episódio. Os últimos capítulos dão um nó na cabeça do espectador, mas o final deixa um gancho para a segunda temporada (já disponível, mas desconfio que não tão interessante quanto a primeira).

Ela acompanha os passos de Henry Deaver, um advogado que volta à Castle Rock, sua cidade natal, depois de ser chamado por um jovem encontrado enjaulado dentro da prisão local. Ele reencontra sua mãe adotiva e se vê envolvido em uma série de mistérios e segredos do passado.

O elenco é bom: André Holland, Sissi Spacek e Bill Skarsgard (o membro mais novo da família Skarsgard, que tem pai e irmão atores).

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VEM AÍ

Gramado

Saiu a lista dos selecionados para o 49° Festival de Cinema de Gramado que acontece de 13 a 21 de agosto. Além dos brasileiros, participam filmes da Argentina, Uruguai e Peru.

A produção Brasil-Estados Unidos, “Fourth Grade”, do diretor Marcelo Galvão, encerrará o festival.

 

Emmy

Foi divulgada também a lista dos selecionados para a 73ª cerimônia do Emmy, marcada para 19 de setembro. Vamos conhecer as melhores produções e intérpretes da TV americana.

Minha grande torcida vai para a Uzo Aduba, atriz que interpreta a terapeuta na 4ª temporada de Em Terapia. Infelizmente acho que ninguém ganha de Emma Corrin no papel da princesa Diana na última temporada de The Crown. Aliás, The Crown e Mandalorian são as duas séries com maior número de indicações.

Gosto muitíssimo também de Ewan McGregor como o estilista Halston, na minissérie de mesmo nome. Entre os nomes mais conhecidos da disputa estão Michael Douglas por O Método Kominski e Kate Winslet, ótima em Mare of Eastown. Aguardemos.

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BÔNUS

Reflexos do amor canino

A crônica da semana passada sobre o cãoletivo Tiririca gerou um monte de manifestações sobre o amor canino de cada um. Recebi tantas fotos que é impossível publicar todas. Escolhi os representantes dos outros fofos. São eles que hoje ocupam o lugar que já foi do Tiri na NSCTV. O trio faz a alegria dos jornalistas e demais funcionários da emissora. Com vocês, a matilha caramelo: Chery, Brenda e Maromba!



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THE END

*Fotos reprodução/divulgação

Tags:
cinema séries beijos de cinema arte cultura séries de TV netflix
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Brígida Poli

Brígida Poli

Jornalista, cinéfila desde criancinha e maníaca por séries de TV desde "Os Sopranos". Não se considera crítica de cinema, pois não consegue deixar o coração de lado na hora de avaliar um filme. Adora falar e escrever sobre o assunto e tenta chamar a atenção para as grandes obras cinematográficas que as novas gerações desconhecem. Concorda com o mestre Federico Fellini quando ele disse que "o cinema é um modo divino de contar a vida".

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