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domingo, 29 maio, 2022

Enfim, a libertação

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Enfim, a libertação

O bordão “respeitem os meus cabelos brancos” ganhou uma atualização graças à pandemia. Explico. Às mulheres não era socialmente permitido deixarem o cabelo grisalho, sob pena de serem acusadas de desleixo. Principalmente no mercado de trabalho, era inaceitável uma mulher grisalha, enquanto que nos homens sempre foi algo louvado como charmoso, símbolo de maturidade e poder.

Ao aparecerem os primeiros fios arrancávamos os invasores com a pinça. Quando chegava num volume que retirá-los significaria abrir clareiras, a solução era tingir os invasores.

A logística feminina obrigatória para esconder os sinais do tempo incluía passar horas num salão de beleza, produtos com certa toxicidade na cabeça e um rombo no orçamento. A operação precisava ser repetida todos os meses, pois os fios insistiam em crescer e se multiplicar.

Para mim, o fim desta “obrigação” veio bem antes da Covid 19. Fiquei calva em consequência da quimioterapia e, quando os caracóis voltaram com fios brancos e pretos, curti tanto que os mantive assim.

Para outras mulheres, assumir a cor natural das madeixas só veio com o protocolo de cuidados contra o contágio do coronavírus. Sem poder sair de casa e com salões impedidos de funcionar, restou a elas tentarem uma solução doméstica ou parar de tingir.

Muitas mulheres acabaram descobrindo a beleza das mechas brancas e gostaram do que viram no espelho. Vocês já devem ter notado a profusão de cabeleiras grisalhas longas, médias e curtas andando orgulhosas pelas ruas. Uma verdadeira libertação. Agora, aquela frase inicial foi atualizada para  “admirem meus cabelos brancos”!

Se é algo passageiro, só moda, não sei. O que importa mesmo é que assumamos os brancos, sem pudor. E se quisermos tingi-los de azul, vermelho, roxo…que assim seja. A cabeça é nossa.

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PRA ENCERRAR

“Sinal dos tempos! Antes, a questão era descobrir se a vida precisava ter algum significado para ser vivida. Agora, ao contrário, está evidente que ela será melhor vivida se não tiver significado”. (Albert Camus, escrito, jornalista, romancista e dramaturgo- 1913-1960).

Brígida Poli
Jornalista, cinéfila desde criancinha e maníaca por séries de TV desde "Os Sopranos". Não se considera crítica de cinema, pois não consegue deixar o coração de lado na hora de avaliar um filme. Adora falar e escrever sobre o assunto e tenta chamar a atenção para as grandes obras cinematográficas que as novas gerações desconhecem. Concorda com o mestre Federico Fellini quando ele disse que "o cinema é um modo divino de contar a vida".
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