Novembro 04, 2020

Este post Daniela não vai apagar

Este post Daniela não vai apagar
DIVULGAÇÃO/VICE-PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA

O encontro com o vice-presidente da República Hamilton Mourão (PRTB), acompanhado pelo secretário da Casa Civil, general Ricardo Miranda Aversa, é um marco para a interinidade de Daniela Reinehr (sem partido) e não deve constar do já volumoso rol de posts deletados por ela desde que assumiu o comando do Executivo e passou a ser patrulhada por grupos conservadores, do qual a governadora faz parte.

A ida a Brasília para participar de um encontro de governadores com os presidentes da Câmara, deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ), e do Congresso, senador Davi Alcolumbre (DEM-AP), para tratar da vacinação contra o Coronavírus, é uma espécie de batismo de fogo para Daniela, um debut no centro do poder sob os holofotes da imprensa nacional.

O item vacinação dependerá para a governadora em exercício de Santa Catarina da posição do presidente Jair Bolsonaro, uma única visão que aparentemente lhe interessa e aos que têm patrulhado suas publicações nas redes sociais.

Torpedeada por episódios como a cobrança por seu pai, o professor Altair Reinehr, negar o holocausto de judeus na Segunda Guerra Mundial; e sobre os posts apagados, primeiro sobre a necessidade do uso de máscara e segundo por recriminar a intimidação e agressão sofrida por profissionais da NSC TV, ainda em função do combate à pandemia, Daniela teve, enfim, um contato com muitos que a criticam sem conhecê-la.

 

Ápice

O momento mais aguardado por Daniela e equipe será nesta sexta (6), quando o presidente Bolsonaro virá a Santa Catarina para a formatura do curso de formação de policiais rodoviários federais, na Universidade Corporativa da PRF, instalada na Vargem Pequena, Norte da Ilha de Santa Catarina.

É quase que uma homenagem à interinidade, embora a visita oficial já estivesse agendada.   

 

Versão

Os fatos devem ser maiores do que as versões alimentadas em torno deles, daí que, em momento algum, o juiz Rudson Marcos, em 50 páginas de sua sentença sobre o caso, onde Mariana (Ferrer) Ferreira Borges acusa André Camargo Aranha, trata o fato como um “estupro culposo”, ilação feita em reportagem do The Intercept Brasil.

O magistrado da 3ª Vara Criminal faz considerações sim sobre a denúncia de estupro de vulnerável, aplicada contra menores de 14 anos, portadores de deficiência mental permanente ou temporária, incapazes de reagir, e cita Rogério Greco ao dizer que “dolo (intenção) é o elemento subjetivo necessário ao reconhecimento do delito”. O crime, por sisó, gera desconforto, asco e muita revolta.   

 

Detalhes

Mariana tinha 21 anos à época dos fatos, as mais de 20 testemunhas, provas e perícias não referendaram o depoimento dela e seus advogados avisaram que irão recorrer da sentença que inocentou André.

Ficar do lado de um ou de outro é do caráter e da responsabilidade de cada um, porém o resultado do julgamento, que é de setembro passado, tomou proporções gigantescas nas redes sociais e pouco importa o que existe ou não em torno do delicado assunto. O Ministério Público reafirmou, em nota, que a absolvição deu-se por falta de provas do estupro de vulnerável.  

 

É grave

O fato que chama a atenção é a maneira grosseira, agressiva e intimidatória com que o advogado Cláudio Gastão da Rosa Filho trata Mariana, durante a audiência de instrução e julgamento, e que não foi devidamente repreendida pelo juiz Rudson Marcos, tampouco pelo representante do Ministério Público por se tratar de matéria penal.

Entende-se como grave esta postura e a falta de uma reação das autoridades presentes ao ato jurídico, que agora justificam a crítica do ministro Gilmar Mendes, do STF, sobre a postura do defensor, além da manifestação do conselheiro Henrique Ávila ao CNJ, que pede a apuração da conduta do magistrado em uma reclamação disciplinar. De fato, não existe “estupro culposo”, nunca houve, dentro ou fora deste julgamento do qual cabe recurso.

 

Casquinha

Entre os que se manifestaram sobre o título da reportagem, sem observar o conteúdo ou ler a sentença do juiz Rudson Marcos, ou ao menos interpretar o que ele escreveu, está o deputado Kennedy Nunes (PSD), uma espécie de troco contra a magistratura.

O parlamentar foi envolvido recentemente em um lamentável episódio em que lia mensagens de um grupo privado, que ele afirma ser da família, com pesadas críticas à atuação da magistratura, chamada de “máfia de toga” nos textos, enquanto ele estava sentado entre dois desembargadores do Tribunal de Justiça, com quem trocou afagos e sorrisos, durante o Tribunal Especial de Julgamento do primeiro impeachment do governador Carlos Moisés.

 

REPRODUÇÃO/INSTAGRAM

POR FALAR EM POLÊMICA

Em um comunicado de menos de um minuto, disparado no Instagram, a ex-servidora municipal e hoje candidata a vereadora pelo DEM, Rosely Rosana Ferrari Dallabona, a Ursa, fez um comunicado para se defender do que considera um pré-julgamento “antes mesmo do devido processo legal”. Ursa afirma que contou com o apoio do marido e de amigos para se manifestar sobre o assédio que teria sofrido do prefeito Gean Loureiro (DEM), a quem acusa de estupro. Ela disse que teve que escolher entre se esconder, se sentir um lixo ou levar o fato ao conhecimento das autoridades, embora confesse que, a princípio, se manteve em silêncio. Ursa exortou às mulheres que passaram pelo mesmo fato que ela para não se calarem. A ex-servidora municipal, que afirma ter sido estuprada na sala do secretário municipal de Turismo, qualificou de “conto de fadas” a declaração de Gean de que o episódio absurdo deveria ter “ficado entre quatro paredes”.

 

Interessante

A manifestação de Rosana Ferrari UIrsa, como aparece nos santinhos da campanha, ocorre um dia depois da pesquisa Ibope, contratada pela NSC, ter dado a possibilidade de Gean ganhar em primeiro turno.

Além de uma luta pela honra e a dignidade, esta disputa se dá no campo minado da política, sem aparentemente ter dado resultado contrário ao prefeito candidato à reeleição, por ora. E o futuro dirá se há potencial na denúncia para tanto.

 

BRUNO COLLAÇO/AGÊNCIA AL

CAÍRAM NA REAL

Precisou de uma fatalidade, a morte de um servidor da casa, Ricardo Valério Oriano, 58 anos, para a Assembleia adotar, mais uma vez, medidas restritivas de combate à Covid-19. Em um ambiente em que pouquíssimos deputados usam máscaras de proteção e grande parte deles nega a intensidade e capacidade destrutiva da pandemia, é uma evolução e tanto. No plenário vazio, apenas com a participação remota online dos demais parlamentares, o vice-presidente do Legislativo, deputado Mauro de Nadal (MDB), comandou os trabalhos nesta terça (3). Foi uma sessão rápida.

 

Restrições

A partir de agora, há uma série de impedimentos para as atividades no parlamento: as sessões plenárias, reuniões de comissões e audiências públicas serão exclusivamente virtuais; fica vedado o acesso de visitantes à Assembleia e à Unidade Administrativa Deputado Aldo Schneider, na Rua Mauro Ramos; e suspenso o acesso da imprensa às dependências do parlamento estadual.

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roberto-azevedo política economia bastidores da política Santa Catarina
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Roberto Azevedo

Roberto Azevedo
Jornalista com 35 anos de profissão. Foi repórter, editor, chefe de Reportagem, editor-chefe, chefe de Redação, gerente e diretor de Jornalismo na RBS TV (Blumenau e Florianópolis), hoje NSC TV; na TV Record (Florianópolis) e na Rede TV Sul (hoje SCC SBT); comentarista na RIC TV (hoje NDTV) e na Record News; editor de Política e colunista no Diário Catarinense (DC), e colunista no Notícias do Dia (ND). Atuou nas rádios União AM e FM (Blumenau e Florianópolis) e na Rádio Record da Capital. Atualmente, além do Making Of, faz comentários na Rádio Cidade em Dia FM, de Criciúma, e é diretor de Conteúdo na TVBV (Band).
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