Nova fórmula
O Campeonato Catarinense chega com um modelo mais enxuto e desafiador. São dois grupos de seis equipes, com quatro classificados de cada chave avançando ao mata mata do título, enquanto os dois últimos disputam o quadrangular do descenso. Ao todo, apenas 11 rodadas, reflexo direto da adequação ao novo calendário do futebol brasileiro. Com o Brasileirão começando já no fim de janeiro e sendo ano de Copa do Mundo, não há margem para atrasos: os estaduais precisaram se reinventar para caber na agenda.

Risco e estrutura
O formato curto torna o Estadual perigoso, especialmente para os clubes grandes, que não podem se dar ao luxo de tropeços. Em contrapartida, a competição ganha em organização e qualidade. A Federação exige gramados em melhores condições, o VAR estará presente em todos os jogos e, de forma histórica, todas as partidas terão transmissão. Um avanço significativo, que amplia o acesso do torcedor e valoriza o produto do futebol catarinense, agora acompanhado de perto, direto da sala de casa.

Rodada inicial
O Campeonato Catarinense 2026 abriu a semana com dois empates nesta terça-feira (6) e segue nesta quarta (7) com as estreias de Avaí e Figueirense, cercadas de expectativa, dúvidas e discursos realistas. O começo já mostrou equilíbrio, poucos espaços e muita cautela, um indicativo de que ninguém vai passear nesta edição.
Avaí reformulado
Atual campeão estadual, o Avaí entra em campo na Ressacada diante do Barra, com arbitragem do FIFA Ramon Abati Abel, mas longe de repetir a estrutura que encerrou a Série B. É um Avaí desfigurado, que perdeu cerca de 20 jogadores, incluindo toda a zaga titular e o capitão Eduardo Brock, hoje fora do clube e cobrando na Justiça mais de dois milhões de reais em atrasados. Ele não foi o único. Outros seguiram o mesmo caminho.
Limite financeiro

O novo presidente, Bernardo Pessi, jovem advogado que assumiu no dia 2 de janeiro, foi direto: o clube precisa trabalhar dentro do que pode pagar. Planejamento financeiro restritivo, poucos reforços e muita cautela. Chegaram Léo Aragão, João Maistro, Gabriel Simples, Wallison, Pedro Cuiabá e Talisson. Nenhuma garantia, até aqui, de titularidade imediata sob o comando do técnico Cauan de Almeida.
Peças conhecidas

A tendência é um Avaí que aposta no que já conhece. Garcez, contratado a peso de ouro na gestão passada e que defendeu o Paysandu na Série B, não despertou interesse de mercado e pode retornar ao time titular. Contrato alto para a nova realidade, é verdade, mas ativo disponível. Ao lado dele, o jovem Thayllon surge como opção ofensiva, enquanto Zé Ricardo segue sendo peça-chave no meio pela qualidade técnica.
Defesa primeiro
O Avaí campeão de 2025 venceu com uma defesa sólida e pragmática sob Enderson Moreira. Foram seis empates seguidos no fim da competição, dois deles na decisão contra a Chapecoense, título assegurado pela melhor campanha. Repetir esse modelo será difícil com tantas mudanças. Não vejo o Avaí favorito. Pode surpreender, mas vai penar muito para defender o título.
Figueira ambicioso

O Figueirense estreia diante do Joinville, adversário recente da final da Copa Santa Catarina. Waguinho Dias foi claro e objetivo: o Figueira vai brigar pelo título estadual. O elenco é experiente, com jogadores rodados, muitos com passagem por grandes clubes. A perda de Marlyson, artilheiro da temporada passada, foi pesada, mas a reposição veio rápido.
Alternativa ofensiva

Kayke foi escolhido como novo homem gol. Começa no banco, mas carrega histórico de artilharia que agrada ao treinador. O Figueira aposta na maturidade do grupo e na competitividade desde a primeira rodada, algo que faltou em outros anos.
Recuperação judicial
Assim como o Avaí, o Figueirense também olha para os tribunais. A homologação da recuperação judicial é decisiva para destravar investimentos e dar outro patamar ao clube, que amarga a sexta temporada seguida na Série C. Com recursos, o discurso de brigar por título estadual deixa de ser apenas retórico.
Favoritismo Chape

A Chapecoense, apontada como grande favorita, tropeçou na estreia na Arena Condá ao empatar em 1 a 1 com o Brusque. Saiu atrás, perdeu gols e sentiu a perna pesada da pré-temporada. Mesmo assim, o selo de Série A pesa. Vai classificar e brigar pelo título.









