Março 01, 2021

Fabian Londero faz relato sobre enfrentamento ao coronavírus

Fabian Londero faz relato sobre enfrentamento ao coronavírus

O jornalista Fabian Londero, apresentador do NSC Notícias, da NSC TV, fez um relato, publicado no NSC Total, sobre o enfrentamento ao coronavírus.

Fabian testou positivo para a doença no mês passado; e até então está ausente do telejornal, se recuperando em casa. Entre os sintomas, ele teve perda de olfato e paladar, febre, diarreia, insônia, dores de cabeça e dores pelo corpo.

No texto, ele descreve a experiência e lições aprendidas com o coronavírus. Confira na íntegra:

Empatia da maneira mais simples de ser compreendida é se colocar no lugar do outro. Sentir o que o outro sente. Desde o começo da pandemia busquei aprender, fontes seguras, tentar assimilar o máximo de informações para passar ao nosso público a melhor e mais correta informação. O jogo político foi pesado demais, dedos em riste, apontados para todos os lados e para nós também. Dúvidas surgiram, dúvidas sanaram. Afirmações surgiam, mas em seguida a ciência trazia à tona a verdade. E no meio de tudo isso estamos nós, jornalistas, que temos famílias, nos preocupando todos os dias com eles e ao mesmo tempo com o povo.

A vida não para. Tive amigos que me julgaram porque eu estava sempre de máscara, algo do tipo “você já está longe de nós, para que isso?”. Eu respondia que era para me cuidar e cuidar de vocês. Empatia! Este ano, apesar dos decretos liberarem, acreditem, moro na praia e não coloquei os pés nela. Poderia ter ido sem problema, é saudável, vão se puderem, respeitando a distância, para não se arriscarem. Faz bem para a cabeça e para o corpo. Não fui porque minha presença poderia inspirar as pessoas sobre uma falsa sensação de segurança. Penso no todo, empatia.

No começo do desconhecido, com os governantes apavorados com o que estava chegando, pedimos para as pessoas: se puder, fique em casa. Quanta tristeza, o Estado parou, trabalhadores sofrendo, contas chegando, restaurantes demitindo, eventos cancelados, indústrias quebrando, o caos estava se instalando. O tempo passa, o “se puder fique em casa” tornou-se coisa do passado. Mas até hoje, acreditem, se eu for a um shopping com máscara, protegendo a mim e os outros, alguém aponta o dedo e diz: “Fica em casa!”. Quase um ano depois...

Para meus filhos, sou uma espécie de super-herói. Uma mistura do Homem-Aranha com Superman, eles me veem assim. Pois todo super-herói comete falhas, todos erramos. A Covid-19 chegou à minha casa. Isso mesmo. Minha mulher apresentou dor de cabeça – o que ela tem com frequência, por isso foi difícil descobrir de cara. No segundo dia, a dor de cabeça dela piorou. Mas no terceiro dia veio mais forte e um cansaço extremo. Isso me acendeu a luz na hora e avisei que faríamos o teste.

Até ali eu não tinha nada. O resultado dela saiu três dias depois: positivo. Isolei nossos filhos desde os primeiros dias e comecei a tomar conta da casa, dela e dos filhotes, uso constante de máscaras e litros e litros de álcool. Só pensava neles, tudo era por eles. Fiz o teste um dia depois: e deu positivo. Achei que com meu histórico, 48 anos, 80 quilos, não fumante, não bebo, praticante de atividades físicas, passaria bem pela Covid-19. Ledo engano.

Se fosse uma arma de guerra, seria perfeita. Tirou-me o olfato, o paladar, me trouxe febre por sete dias seguidos. Ela não cedia, a diarreia completava o quadro do aniquilamento, nada parava. A insônia me consumiu por quase uma semana, o corpo fica disperso, não te deixa dormir. Dores de cabeça, dores pelo corpo, massa magra perdida em três quilos, um soluço, um zumbido no ouvido e tontura.

Acreditem, meus pulmões lutavam bravamente em meio a tudo isso. Eles me salvaram. Estive sempre com acompanhamento médico remoto, baterias de exames de sangue, ressonância pulmonar. Bem assistido mesmo. Até a última terça-feira, dia 23, estávamos pela decisão de internação ou não, permanecer em casa ou não. Tenho condições de alugar um equipamento de oxigênio – e assim decidimos fazer. Jamais ficaria bem em saber que teria tirado o lugar de alguém mais necessitado em um hospital. Isso é empatia.

A Covid-19 é uma loteria. Para alguns ela passa rápido, para outros deixa marcas profundas e infelizmente enluta muitas famílias, muitos amores que se vão. A força psicológica tem que ser enorme, porque o emocional te toma por completo. Você pensa em quem ama e chora. Você pensa que vai morrer, que não vai sair dessa.

Aí vêm os amigos e te jogam pra cima, te desejam coisas lindas e tudo começa a vibrar novamente. Minha família foi fundamental, meus amigos foram fundamentais e minha esposa, para ela não tenho palavra mais sincera neste momento: gratidão.

A partir disso tudo, me tornei um ser humano melhor. Temos muito o que construir juntos, o que comemorar juntos. O melhor de nós está por vir. Fiquem com Deus. #vaipassar #vamosvencer.

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Covi-19
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Redação Making Of

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