Outubro 27, 2020

Fato novo deve interferir em impeachment dos respiradores

Fato novo deve interferir em impeachment dos respiradores
BRUNO COLLAÇO, AGÊNCIA AL

Setores da imprensa e manifestações de entidades como a Facisc, que criticaram a atuação dos deputados no processo de impeachment sobre a equiparação dos salários de procuradores do Estado com os procuradores da Assembleia, foram os alvos dos parlamentares na sessão desta terça (27) sem que o grande fato que viria mais tarde fosse debatido.

A preocupação dos deputados era escolher os cinco integrantes do Tribunal Especial de Julgamento, que representam a Assembleia, no outro processo, o da compra com pagamento antecipado de R$ 33 milhões por 200 respiradores, sem a garantia de entrega.

Mas veio de Brasília a informação bombástica de que a Polícia Federal concluiu o inquérito solicitado pelo Superior Tribunal de Justiça e afirmou “inexistência de indícios de crime por parte do governador”, o viés criminal, que não tem necessariamente a ver com a questão levantada pela Assembleia, de crime de responsabilidade, embora ajude a enfraquecer a ação dolosa defendida pela CPI dos Respiradores.

Resta saber como a sociedade vai entender a diferença entre os acontecimentos e os deputados farão para dissociar a imagem que imputam ao governador depois que a investigação não deu em nada.

 

 

Peça robusta
O material sob investigação, inclusive o notebook e um celular de uso pessoal de Moisés, recolhidos na Casa d'Agronômica, mais o amplo material da Operação Oxigênio, produzido pela força-tarefa composta pelo Ministério Público Estadual, a Polícia Civil e o Tribunal de Contas, serviram para a PF finalizar a peça jurídica, que será encaminhada ao ministro Benedito Gonçalves, do STJ, presidente do inquérito, que remeterá as conclusões ao Ministério Público Federal, que deve pedir o arquivamento.

Caso isso ocorra, Gonçalves devolverá todo o conjunto probatório para a Justiça catarinense, lembrando que os autos subiram para Brasília, no foro de Moisés, por conta da simples citação da palavra "governador" pelo empresário Samuel de Britto Rodovalho, que, tanto à força-tarefa, quanto à CPI dos Respiradores, negou que conheça o governador, ora afastado, e reafirmou que não possui o número do telefone dele.

 

Problema

O clima era de relaxamento na sessão em que os deputados escolheram Valdir Cobalchini (MDB), Marcos Vieira (PSDB), Laércio Schuster (PSB), Fabiano da Luz (PT) e José Milton Scheffer (PP), a maioria integrantes da Comissão Especial que votou pela admissibilidade do impeachment por crime de responsabilidade, e adversários declarados de Moisés, aberta na parte destinada aos partidos com um pronunciamento do presidente Julio Garcia (PSD), que enalteceu o trabalho da Assembleia no julgamento que afastou Moisés, mas principalmente o voto divergente do desembargador Luiz Felipe Siegert Schuch, favorável à tese dos deputados.

O problema para os deputados, agora, é sustentar um novo julgamento sobre os respiradores (e um Hospital de Campanha que sequer saiu do papel) este argumento administrativo sem que a Polícia Federal, a Polícia Civil, o Ministério Público Estadual e o Tribunal de Contas tenham encontrado razões para incriminar Moisés.

 

BRUNO COLLAÇO/AGÊNCIA AL

EU NÃO, EU NÃO!

Deputado Kennedy Nunes (PSD), que cumprimenta o colega Vicente Caropreso (PSDB) na foto, apressou-se a declarar, antes de iniciada a votação dos nomes para o Tribunal Especial do segundo impeachment, que não participaria da escolha. Foi objeto do bnom humor do presidente Julio Garcia, que, como nos velhos tempos, disparou: "Tenho a leve desconfiança que o senhor não será indicado". Kennedy protagonizou o episósdio do vazamento de críticas aos desembargadores em um grupo de WhatsApp, durante o julgamento do prosseguimento do processo de impeachment contra o governador Carlos Moisés e a vice-governadora Daniela Reinehr. Assunto nada resolvido. O pessedista não foi o único a pedir para ser desconsiderado na votação, previsamente acertada, o deputado Ivan Naatz (PL) também solicitou que não fosse lembrado.     

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Roberto Azevedo

Roberto Azevedo
Jornalista com 35 anos de profissão. Foi repórter, editor, chefe de Reportagem, editor-chefe, chefe de Redação, gerente e diretor de Jornalismo na RBS TV (Blumenau e Florianópolis), hoje NSC TV; na TV Record (Florianópolis) e na Rede TV Sul (hoje SCC SBT); comentarista na RIC TV (hoje NDTV) e na Record News; editor de Política e colunista no Diário Catarinense (DC), e colunista no Notícias do Dia (ND). Atuou nas rádios União AM e FM (Blumenau e Florianópolis) e na Rádio Record da Capital. Atualmente, além do Making Of, faz comentários na Rádio Cidade em Dia FM, de Criciúma, e é diretor de Conteúdo na TVBV (Band).
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