Fevereiro 25, 2021

Fechamento era necessário, só não vê quem não quer

Fechamento era necessário, só não vê quem não quer

O mesmo governo que resistiu ao modelo de lockdown adotado em Araraquara (SP) por enfrentar resistência de prefeitos, divulgou na noite desta quinta (25) que os serviços não essenciais estarão fechados das 23h desta sexta (26) até as 6h de segunda, 1º de março.

A lição da tomada de decisão está no agravamento da Covid-19 no Estado, mesmo fato que se repete no Rio Grande do Sul e Paraná, tanto que a ação entre Carlos Moisés (PSL), Eduardo Leite (PSDB) e Carlos Roberto Massa Júnior (PSD) foi coordenada no mesmo sentido.

Os sinais do recuo dos prefeitos e até de alguns setores empresariais era evidente nas últimas horas com a falta de leitos em UTIs nos hospitais para receber pacientes da doença.

Moisés reuniu os secretários mais próximos na Casa d’Agronômica para apertar as medidas, visto que o decreto divulgado um dia antes, na quarta (24), era um amontoado de medidas sem efeito prático, um placebo jurídico, que sequer prevê punições para quem não seguir os regramentos, tampouco animou a população a fazer a sua parte, mas prossegue em vigor.

 

Peso

O Conselho de Secretários Municipais de Saúde (Cosems/SC) chegou a emitir uma nota ao governo e à sociedade, assinada pelo presidente Manuel Del Olmo, exigia o lockdown, punições para os transgressores e chamou de “tímidas” as ações do decreto anterior.

À esta voz se unia a do secretário estadual André Motta Ribeiro (Saúde), que enviou um ofício às 295 prefeituras onde alertava para o colapso no atendimento dos pacientes da pandemia nos hospitais, material que acabou divulgado, talvez pela fritagem que, volta e meia, vem da Casa Civil do próprio governo.

 

Saiba

André Motta Ribeiro, que nesta quinta (25), estava em Brasília, e alinhavou com o ministro Eduardo Pazuello (Saúde) medidas para facilitar o credenciamento de novos leitos, tem sido alvo de pressões internas.

O que ignoram seus críticos, é que muito do que ainda funciona no combate à Covid-19 no Estado deve-se ao secretário, que assumiu o posto depois da derrocada do coronel Helton Zeferino, também médico, em plena crise da compra com pagamento antecipado de R$ 33 milhões pelos 200 respiradores que nunca chegaram ao Estado.

 

Curioso

Coube ao ex-presidente do Cosems/SC, Alexandre Lencina Fagundes, hoje adjunto da Secretaria Estadual da Saúde, explicar o ofício que André Motta enviou às prefeituras, uma flagrante demonstração de que o corpo técnico da pasta discordava olimpicamente da maioria das medidas contidas no decreto anunciado na quarta (24).

Fagundes não criou polêmica, porém não utilizou a palavra colapso em momento algum da entrevista, enviada pelo próprio governo, embora provocado pela jornalista que fazia as perguntas, e preferiu insistir nas medidas de distanciamento e na busca de solução para os novos leitos de UTI.   

 

Sinais

Depois que o Tribunal de Justiça deliberou pelo não atendimento presencial nas comarcas e na sede em Florianópolis, a Assembleia Legislativa também restringiu o acesso aos gabinetes dos deputados e barrou a entrada de visitantes no parlamento.

Muitas outras prefeituras seguiram uma medida anunciada pelo município de Florianópolis, onde o home-office voltou com força, logo depois confirmado no próprio Executivo Estadual.     

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Roberto Azevedo

Roberto Azevedo
Jornalista com 36 anos de profissão. Foi repórter, editor, chefe de Reportagem, editor-chefe, chefe de Redação, gerente e diretor de Jornalismo na RBS TV (Blumenau e Florianópolis), hoje NSC TV; na TV Record (Florianópolis) e na Rede TV Sul (hoje SCC SBT); comentarista na RIC TV (hoje NDTV) e na Record News; editor de Política e colunista no Diário Catarinense (DC), e colunista no Notícias do Dia (ND). Atuou nas rádios União AM e FM (Blumenau e Florianópolis) e na Rádio Record da Capital. Atualmente, além do Making Of, faz comentários na Rádio Cidade em Dia FM, de Criciúma, e é diretor de Conteúdo na TVBV (Band).
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