Projeto fracassado
O Figueirense começou 2026 apostando em um técnico experiente, vencedor em Santa Catarina e acostumado a tirar mais com menos. Waguinho Dias chegou respaldado pelo título da Copa Santa Catarina, mas esse selo nunca foi sinônimo de garantia. A competição serviu mais para mascarar fragilidades do que para indicar evolução real.

Título enganoso
A Copa SC iludiu dirigentes e parte da torcida. O desempenho já era questionável contra adversários frágeis, os mesmos que hoje dividem com o Figueira o quadrangular do descenso. Marcílio Dias e Joinville foram rivais vencidos lá atrás e agora expõem, lado a lado, o tamanho do erro de avaliação.
Decisões vazias
No Estadual, Waguinho sucumbiu rápido. Duas vitórias sem brilho, escolhas equivocadas, leitura errada de jogo e um discurso pobre, ultrapassado. Faltou comando para gerir um elenco experiente, caro para a realidade do clube e pouco competitivo. Faltou estratégia para sobreviver.
Culpa compartilhada
O desastre não é exclusivo do treinador. A gestão do futebol falhou de forma grave. Faltou antecipação, leitura de cenário e coragem para corrigir o rumo. Deixaram o problema crescer até se tornar incontrolável. O resultado é um clube histórico entregue ao improviso.
Torcida anestesiada
O torcedor do Figueirense não protesta, sofre em silêncio. Está anestesiado diante da desfaçatez. O Scarpelli, monumento vivo da paixão alvinegra, virou palco de melancolia. Quatro mil pessoas em um jogo decisivo dizem tudo sobre o momento.
Crise estrutural
Recuperação Judicial interminável, orçamento mínimo, salários baixos e comprometimento duvidoso. O futebol reflete exatamente isso. O fantasma do rebaixamento estadual ronda o Estreito e não por acaso. É consequência direta de anos de má gestão.
História esmagada
O Figueirense é muito maior que seus dirigentes. Maior que nomes, cargos ou vaidades. É o clube de Edmundo, Evair, Carlos Alberto, Marquinhos Paraná, Felipe Luís e Roberto Firmino. Um patrimônio do futebol brasileiro que não pode aceitar o fundo do poço como destino.
Mudança tardia

A queda de Waguinho veio tarde. A derrota para o Concórdia selou o fracasso. Márcio Zanardi, o novo técnico anunciado após o desastre diante do Camboriú, chega para apagar incêndio, salvar da queda e organizar os escombros para mais uma Série C, a sexta consecutiva. Não era essa Série B que o torcedor queria viver.
Urgência máxima
Algo precisa ser feito agora. Com firmeza, com responsabilidade e com respeito à história. Do jeito que está, o pesadelo de 1986 volta a rondar o Estreito. O Figueirense não pode acabar assim. A camisa pesa. A torcida sustenta. Falta quem esteja à altura disso.









