Deriva institucional
O Figueirense vive um dos momentos mais dramáticos de sua história centenária. Começar a temporada sem rumo, atolado no quadrangular da morte do Campeonato Catarinense, é o retrato de um clube que perdeu direção, comando e perspectiva. Não é apenas uma crise esportiva: é estrutural, política e moral. Para um clube que caiu no Estadual em 1986, mas reagiu em 1987 com dignidade, mesmo com o vice da segundona, a possibilidade de um novo rebaixamento (agora empurrando três equipes para a Série B em 2027) representa uma tragédia local com reflexos nacionais. O Figueirense grande está desaparecendo diante dos olhos do seu torcedor.

SAF frustrada
A SAF, vendida como solução definitiva desde 2021, tornou-se símbolo de frustração. Nem competitividade em campo, nem equilíbrio financeiro fora dele. A carta apresentada por conselheiros, pedindo a destituição de todos os membros do conselho da SAF, é dura, mas necessária. Ela expressa o sentimento de estagnação e retrocesso. O fato de ainda não ter sido votada por questões estatutárias não diminui sua força política. Pelo contrário: evidencia que o clube está travado até nos seus ritos internos, incapaz de agir com a urgência que o momento exige.
Conselho pressionado
A reunião do Conselho Deliberativo escancarou a paralisia institucional. Não foram apreciadas as contas de 2025 nem o orçamento de 2026, documentos básicos para qualquer gestão minimamente organizada. Itens que serão apreciados em nova reunião. Além disso, a notificação sobre a nulidade do contrato de exclusividade com um fundo de investimento com viés britânico mostra que decisões foram tomadas sem o devido respaldo legal do Conselho. Os conselheiros, ainda que tímidos na ação, deram sinais claros de desconfiança e ruptura com a atual diretoria da SAF. O próximo encontro do Conselho será decisivo: ou se enfrenta o problema ou o clube afunda de vez.
Torcida ferida
A letargia tomou conta da nação alvinegra. O torcedor está cansado de humilhações, de ser alvo constante de gozações do coirmão, de ver o Figueirense pequeno em campo e fora dele. O protesto em frente ao Scarpelli durante a reunião, direcionado principalmente ao presidente da SAF, Paulo Prisco, foi um grito de basta. Um sinal de que ainda há sangue correndo nas veias do clube. E, em meio à apatia geral, um grupo de jovens apaixonados resiste, se recusa a aceitar o rebaixamento moral e esportivo como algo normal.
Campo decisivo

Dentro das quatro linhas, o cenário é igualmente alarmante. A estreia no quadrangular, com derrota de 1 x 0 e do jeito que foi, com atuação sofrível diante do Carlos Renaux, reforçou o temor do pior. O jogo desta sexta-feira (6) contra o Joinville, no Scarpelli, é mais do que decisivo: é de vida ou morte. O técnico Márcio Zanardi tenta juntar os cacos e resgatar o mínimo de competitividade. Mas ninguém pode ser ingênuo: sem decisões fortes fora de campo, o esforço no gramado pode ser inútil.
Ruptura necessária
O Figueirense precisa de medidas enérgicas, seguras e imediatas. Não há mais espaço para meias decisões, discursos vazios ou adiamentos convenientes. A possível destituição da diretoria da SAF é um passo duro, traumático, mas talvez inevitável. Em momentos extremos, clubes grandes precisam de coragem para romper com modelos fracassados. O Figueirense está no limite da sua história. Ou reage agora, ou corre o risco de transformar um drama esportivo em um colapso definitivo.









