Fevereiro 25, 2021

Foi pouco para o tamanho da crise

Foi pouco para o tamanho da crise
MAURICIO VIEIRA/SECOM

Quem esperava medidas mais efetivas no combate ao crescente e preocupante número de casos de Covid-19 em Santa Catarina tem razões para considerar o anúncio do governador Carlos Moisés desta quarta (24) como fraco, sem consistência, basta ver o decreto (leia na íntegra em https://bit.ly/3dIQK0J).

Se por um lado deter a atividade econômica prejudica maiores arrojos, fica evidente que sobraram pressões, inclusive dos prefeitos, para que a palavra lockdown fosse riscada das propostas, é como se virasse um palavrão.

Embora o estado de calamidade pública tenha sido prorrogado até o dia 30 de junho deste ano, o decreto é morno para os catarinenses que veem UTIs lotadas, apenas 123 leitos disponíveis no território inteiro e onde o Poder Judiciário anunciou no mesmo dia a suspensão o atendimento e as atividades presenciais em todas as comarcas em função da pandemia.

 

Para depois

Caso projetássemos que a estratégia válida para os próximos 15 já viria com a perspectiva de fracasso das medidas para endurecer mais o combate à doença mais adiante, seria ilógico acreditar em tal propósito.

Mas o conflito não é muito diferente de acompanhar o quanto se comemora a criação de novos leitos de UTI, ação que tenta apagar o incêndio do passado e do presente na maior parte das regiões, quando todo o esforço deveria ser para evitar que as pessoas chegassem aos hospitais.

 

Essencial

Por mais bem intencionado e estudado seja o decreto de Moisés, nada será producente se a população não colaborar.

Também não há multas previstas para as transgressões, algo de se estranhar e de deixar de mãos atadas os policiais militares e civis ou guardas municipais que zelarão por cumprir as medidas.

 

Alerta

Vem do Laboratório Santa Luzia, uma empresa privada, o alerta de que há casos suspeitos em Santa Catarina da cepa do Coronavírus detectada na Inglaterra e em outros países da Europa.

O fato já foi comunicado às vigilâncias epidemiológicas da Capital e do Estado e depende de nova análise do Instituto Adolfo Lutz para a confirmação oficial em 16 pacientes, justamente no mesmo dia em que a prefeitura de Florianópolis lançou um alerta sobre o aumento do número de casos de contaminação por Coronavírus em sua forma mais agressiva, com casos de oito pessoas esperando a remoção de UPAs para hospitais.

 

Medida acertada

A pedido do presidente da Assembleia, deputado Mauro De Nadal (MDB), o governador Carlos Moisés antecipou o pagamento das emendas parlamentares deste ano destinadas aos hospitais.

Os valores, que não foram revelados, serão destinados às unidades credenciadas para o atendimento à Covid-19, e vêm depois que De Nadal repassou R$ 20 milhões do orçamento do Legislativo ao Executivo.

 

Cuidado!

Prefeito ansioso para faturar politicamente com a possibilidade de compra de vacinas contra a Covid-19 deve ficar com as barbas ou o cabelo de molho.

Primeiro porque a decisão do STF é clara e diz que apenas com o não cumprimento do Plano Nacional de Imunização pelo governo federal é que inquilinos das prefeituras e governadores do Estado poderão assumir o papel de compradores; e segundo, pelo perigo que ronda eventuais aquisições que lembram a busca pelos respiradores, que deram no que deram país afora, principalmente se jogados no mercado internacional caso a produção de Butantã e Fiocruz não atenda a demanda, assim como a de outros laboratórios instalados no Brasil.  

 

Dominada

O presidente é o deputado Milton Hobus (PSD), de humor variável com o Executivo, porém o restante dos membros da Comissão de Constituição e Justiça é formado por gente mais governista, uma vantagem para o governador Carlos Moisés.

Na avaliação de adversários convictos, aqueles que não engoliram as derrotas, com três ex-líderes do governo (Paulinha da Silva, do PDT; Maurício Eskudlark, do PL; e Coronel Onir Mocellin, do PSL) e com o atual José Milton Scheffer (PP) entre os integrantes, Moisés está mais tranquilo, até quando considerados o vice da comissão, Moacir Sopelsa (MDB) ou Valdir Cobalchini (MDB), que terão, como contraponto, João Amin (PP) e Fabiano da Luz (PT).

 

Daquelas 1

Juíza Janaína Cassol Machado, da 1ª Vara Federal de Florianópolis, pôs água no chope dos julistas ao informar que, apesar da decisão do ministro Edson Fachin, do STF, o ex-presidente da Assembleia prossegue com as prerrogativas parlamentares suspensas.

Tudo porque a decisão de Fachin refere-se ao despacho da magistrada sobre a Operação Hemorragia, objeto do recurso da Assembleia, e não sobre a Operação Alcatraz, ambas da Polícia Federal, que levaram à prisão do deputado Julio Garcia (PSD).

 

Daquelas 2

O deputado Jerry Comper ouviu a voz da razão e suas bases para não aceitar o posto de chefe da Defesa Civil.

Pegou tão mal a repercussão do que ocorreria com a bancada do MDB e a ascensão da vereadora e ex-deputada Anna Carolina, de Itajaí, uma das maiores adversárias de Volnei Morastoni, que administra a maior prefeitura comandada pelo partido, que não valia o desgaste muito menos o eventual prestígio do cargo.

 

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Roberto Azevedo

Roberto Azevedo
Jornalista com 36 anos de profissão. Foi repórter, editor, chefe de Reportagem, editor-chefe, chefe de Redação, gerente e diretor de Jornalismo na RBS TV (Blumenau e Florianópolis), hoje NSC TV; na TV Record (Florianópolis) e na Rede TV Sul (hoje SCC SBT); comentarista na RIC TV (hoje NDTV) e na Record News; editor de Política e colunista no Diário Catarinense (DC), e colunista no Notícias do Dia (ND). Atuou nas rádios União AM e FM (Blumenau e Florianópolis) e na Rádio Record da Capital. Atualmente, além do Making Of, faz comentários na Rádio Cidade em Dia FM, de Criciúma, e é diretor de Conteúdo na TVBV (Band).
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