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quinta-feira, 18 agosto, 2022

Gosto é gosto!

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Gosto é gosto!

Os mistérios do paladar sempre me intrigaram. Por que alguém adora  sabores que outros detestam e vice-versa? Quem me conhece, mesmo ligeiramente, sabe da minha ojeriza ao pimentão. Há outros alimentos  e temperos de que não gosto muito, como acelga ou coentro, entretanto não vou surtar se tiver que comê-los. Mas, pimentão é o meu calcanhar de Aquiles desde criancinha. Quando viajo sempre tomo o cuidado de saber como se fala pimentão na língua local, para pedir SEM.

Assim como eu detesto o dito cujo, que antigamente só existia verde, e hoje tem vermelho, amarelo, roxo (para quê, Senhor?), outras pessoas se deliciam com o recheado, por exemplo. Existe também a turma inimiga do alho, a da cebola e, até, a do camarão e do palmito! Baseada na própria experiência, tento entender e respeitar o paladar alheio. Minha maior dificuldade é compreender quem não gosta de doce. Nesses casos, já olho para a pessoa meio desconfiada.

Lembrei de uma colega que odiava pato. Um dia, ela estava super contente porque fora convidada para um almoço onde conheceria a mãe do namorado. Digam-me qual a probabilidade de ter pato no cardápio? Pois, a futura sogra serviu …pato com laranja. Não lembro mais como ela reagiu, mas certamente não casou com o rapaz.

Vi também essa situação sob a ótica contrária: a mãe de uma amiga, para agradar o novo namorado da filha, investiu na compra de camarões ” cinco mordidas”, afinal a Ilha de Santa Catarina é conhecida pelos seus frutos do mar. Quando ela colocou aqueles bichos enormes na mesa, ao bafo, ou seja, com cabeça, antenas e tudo, o paulista empalideceu. Quase sussurrando, ele pediu desculpas, mas não ia conseguir comer.

Voltando ao meu pavor pessoal, posso eleger como minha maior tolice no ano passado a promessa/aposta de comer um pedaço de pimentão, caso acontecesse um desejo na política. Para minha sorte e azar, aconteceu. Sou daquelas que paga aposta. Depois de ouvir mil sugestões de “pimentólogos” – faça no forno, o amarelo é mais doce etc… – me vi diante de uma fatia de pimentão vermelho, frito na manteiga. Eu olhava para ele, ele olhava para mim. Tentava enganar meu cérebro, mas quando o pus na boca e senti o sabor detestado, achei melhor engolir rapidamente.

Dizem os especialistas que os pais devem fazer a criança provar um alimento entre oito e doze vezes, até ela aprender a gostar .

Não, não vou provar pimentão mais onze vezes nesta vida. Quem sabe em uma próxima encarnação ele e eu nos entendamos. Nesta vida, garanto, não vai dar.

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Microconto de domingo

Falando em sabor, lembrei deste microconto, desafio proposto pelo professor e escritor Robertson Frizero ao coletivo @literaturaminima: narrar  em cinqüenta palavras o sentimento de alguém longe de seu país.

Brígida Poli
Jornalista, cinéfila desde criancinha e maníaca por séries de TV desde "Os Sopranos". Não se considera crítica de cinema, pois não consegue deixar o coração de lado na hora de avaliar um filme. Adora falar e escrever sobre o assunto e tenta chamar a atenção para as grandes obras cinematográficas que as novas gerações desconhecem. Concorda com o mestre Federico Fellini quando ele disse que "o cinema é um modo divino de contar a vida".
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