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Governo aumenta ações com influencers, mas ainda não reconhece atividade profissional dos criadores

Foto: Freepik

O Executivo Federal vem aumentando ano a ano número ações com influenciadores, segundo estudo publicado pelo centro de pesquisas Reglab, especializado em mídia, tecnologia e regulação.

O levantamento foi feito a partir de publicações no Diário Oficial da União e no portal Gov.Br entre 2018 e 2025, e contemplou ações diretas com influenciadores, como programas, campanhas e medidas voltadas para criadores de conteúdo. Quase metade das ações analisadas foram casos de envolvimento de influenciadores para divulgação de campanhas institucionais de comunicação.

O estudo mostra que o Executivo Federal expandiu as ações envolvendo influenciadores a partir de 2023, que passaram a ser realizadas por maior número de órgãos do governo. Esse movimento acelerou a partir de 2024 – quando o uso de criadores digitais para campanhas do governo passou a ser mais coordenado – e bateu recorde em 2025, na gestão de Sidônio Palmeira na Secom (Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República).

Segundo a pesquisa, apesar da maior incorporação de influenciadores digitais em ações oficiais de comunicação, isso não significa que o governo reconheça oficialmente a atividade profissional dos criadores de conteúdo. “Os influencers têm sido cada vez mais utilizados como parte de uma estratégia de governo, mas ainda não têm uma ‘política de Estado’ própria, no sentido de serem reconhecidos como agentes socioeconômicos e de terem direitos e obrigações bem estabelecidos”, diz Pedro Henrique Ramos, diretor-executivo do Reglab.

O pesquisador traz como exemplo a não-existência de um código CNAE (Classificação Nacional de Atividades Econômicas) para atividades de influencers, o que poderia ser um primeiro passo para criação de políticas públicas na esfera tributária; e a ausência de políticas de fomento específicas para produção digital audiovisual.

Segundo Ramos, ainda assim, o cenário no governo Executivo é diferente, por exemplo, da forma como influenciadores são vistos pelo Legislativo Federal: outro estudo lançado pelo Reglab em outubro mostrou que o Congresso costuma retratar os criadores de conteúdo somente sob a perspectiva dos riscos. “No Executivo, o próprio uso de influenciadores para comunicação oficial no ambiente digital já indica um olhar diferente daquele do Legislativo”, diz Ramos.

Um exemplo citado no estudo é a criação e uso de perfis digitais do personagem Zé Gotinha para divulgação de campanhas de saúde – o caso indica que o governo federal compreendeu e incorporou a lógica de atuação dos influenciadores para fazer sua comunicação. Além do Ministério da Saúde, outras pastas que se destacaram em ações com influenciadores desde 2018 foram Justiça e Segurança, e Turismo, de acordo com o estudo.

Segundo Ramos, o governo pode também explorar outras frentes de atuação com influenciadores, incluindo em matérias internacionais. “Temos exemplos de países como China e Coreia do Sul, em que influenciadores são utilizados como meio de relações diplomáticas. E faria sentido para o Brasil, com um mercado enorme e uma força muito grande de influencers, ao menos considerar esse tipo de atuação de soft power”.

Acesse a pesquisa completa neste link.

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