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quinta-feira, 26 maio, 2022

Grupo ND e os desafios da pandemia

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Grupo ND e os desafios da pandemia
Divulgação

Na série especial Making Of de hoje, 17, o entrevistado é o diretor de conteúdo do grupo ND, Luís Meneghim. O objetivo é saber como enfrentou a pandemia até agora sob o ponto de vista da saúde dos profissionais e da necessidade de levar informações ao público.

 

Making Of: Dezoito meses após o início da pandemia, quando, como e onde o Jornalismo precisou se adaptar à nova e dura realidade?

Meneghim: Nós do nos adaptamos muito rapidamente tão logo a pandemia foi confirmada. Percebemos a necessidade de prestar serviço, levar informação naquele momento onde havia muitas perguntas e nenhuma resposta fizemos uma força-tarefa na redação e implantamos o Plantão Coronavírus que atendeu todas as plataformas. Este plantão permanente recebia perguntas – e foram milhares- do nosso público e respondíamos a maioria. Para isso fomos atrás de especialistas, infectologias, autoridades sanitárias, que ganharam espaço nobre na televisão. Fizemos este trabalho em todo o Estado e foi um sucesso. A pessoas estavam carentes de informações sobre a Covid-19, sintomas e orientação, em meio ao caos com o noticiário de mortes de milhares de pessoas que vinham da Europa, principalmente. Em primeiro lugar, pensamos no nosso público. Mantivemos nossas equipes na redação e na rua justamente para permitir fazer este grande mutirão noticioso.

 

Making Of: Como você avalia o caminho percorrido? Houve perdas e ganhos?

Meneghim: Acho que só houve ganhos. Aprendemos a trabalhar com maior agilidade, usando os celulares e os recursos disponíveis, fazendo entrevistas pelo meio digital. Foi um aprendizado valioso que mudou a forma de encararmos o jornalismo, priorizando a informação em detrimento da estética, da imagem, porque muitas vezes o sinal de internet caía ou os entrevistados ficavam mudos, sem som. O importante foi superar estas dificuldades técnicas e passar a informação para o público. Tivemos perdas, com colegas que foram contaminados, que tiveram que ficar em casa, em tratamento. No momento mais crítico adotamos o home office para produtores, pauteiros e colunistas. Hoje, felizmente, com a vacinação e a volta à normalidade, os profissionais voltaram à redação quase em sua totalidade. Só permanecem em casa aqueles que tem alguma comorbidade, está doente ou cuidando de algum parente com a Covid.

 

Making Of: Qual foi o momento mais difícil e por quê?

Meneghim: No momento em que tivemos de priorizar a produção e a cobertura sobre a pandemia e manter nossos repórteres na rua, mesmo usando máscara e tomando os cuidados de higiene, mas correndo sério risco de que fossem infectados pelo vírus. Consultamos os gestores do jornalismo e os próprios profissionais, mas todos preferiram continuar fazendo reportagens, mostrando um alto grau de maturidade e profissionalismo. Fechamos a redação integrada, que havia sido inaugurada há pouco tempo da pandemia, impedindo o acesso de entrevistados e visitas, como forma de proteger nossas equipes. Adotamos as entrevistas por videoconferência, que continuamos fazendo até hoje.

 

Making Of: Qual foi a estratégia para manter a saúde da equipe? E como será daqui para a frente? Acredita em novo normal? O que será?

Meneghim: Desde o início o RH da empresa passou a monitorar caso a caso dos profissionais infectados, em todo o Estado. A informação diária, com o mapeamento dos casos e providências. A cada pessoa infectada, com sintomas, o RH era informado. Este mapeamento ajudou a termos um controle perfeito sobre a doença na empresa, isolando aqueles que apresentavam sintomas, prestando ajuda e atendimento pelas nossas gerências e diretorias. Daqui para a frente vamos continuar monitorando – e isso e feito diariamente. Tivemos uma redução grande do número de casos e a maioria dos profissionais deixou o home office.  O novo normal está acontecendo agora.  Acredito que todos nós aprendemos com a pandemia a cuidar mais da saúde, revendo conceitos e valorizando alguns aspectos da vida que estavam esquecidos como o convívio familiar, por exemplo. Acho que o vírus alertou sobre a necessidade de reprogramarmos, em nível individual, nossas vidas. Do ponto de vista profissional, alguns modelos vieram para ficar como o uso da tecnologia e dos recursos do mundo digital para a produção de conteúdo. Hoje nossas equipes estão preparadas para entrevistas e captação de imagem com seus próprios celulares, ou fazendo boletins de casas, sem precisar estar presencialmente nas redações. Este novo normal acabou sendo incorporado às nossas rotinas.

 

Making Of: Visualiza o dia em que equipes poderão ir às ruas sem máscaras?

Meneghim: Acredito que brevemente, quando a vacinação atingir a grande maioria da população, poderemos abrir mão da máscara. É uma questão de tempo, embora os cuidados tenham de ser mantidos como a higienização das mãos com álcool em gel e o distanciamento físico. Nossos hábitos, com certeza, não serão os mesmos.

 

Making Of: O que vai permanecer para o futuro do aprendizado nesse período de dificuldades?

Meneghim: Acho que a palavra que resume este aprendizado é superação. Superamos todas as dificuldades, com o risco da Covid, com pessoas doentes em isolamento ou trabalhando em home office, com o medo do vírus, mas trabalhando para levar informação, visitando hospitais e pacientes, entrevistando médicos, enfermeiros e pessoas que estavam atendendo gente doente. Não ouvi nenhuma queixa de nenhum repórter, ninguém recusou uma pauta, nenhum profissional abriu mão da sua missão de informar. E isto foi maravilhoso, gratificante, ver que nossas equipes estavam motivadas por um bom trabalho, mesmo sabendo do risco que corriam com o convívio diário com o vírus.

Making Of: O jornalismo está melhor, igual ou diferente de antes da pandemia?

Meneghim: Na minha opinião está melhor justamente por causa deste duro aprendizado, da superação das dificuldades, do enfrentamento do medo da pandemia. Os profissionais não abriram mão do seu papel de serem protagonistas da pandemia, de estarem na linha de frente, em meio a tantos desafios de ordem pessoal, inclusive. Temos de valorizar este fato. Tivemos na empresa o caso de repórteres que, mesmo com familiar infectado, continuou trabalhando de casa. Um exemplo que compromisso e amor à profissão.

Claiton Selistre
Publisher, colunista e owner do Portal Making Of, é jornalista formado pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Foi diretor de Jornalismo por 25 anos da RBS TV, TVCom e Rádio CBN/Diário, além de coordenador do comitê editorial da RBS em Santa Catarina. Antes atuou na Rádio e TV Gaucha do grupo RBS e em redações de jornal, rádio e tv do grupo Caldas Jr. em Porto Alegre. Foi também repórter da na Sucursal do Jornal do Brasil. Planejou e Coordenou coberturas multimídia nas Copas do Mundo de Futebol na Alemanha, Argentina, Espanha, México, Itália, Estados Unidos, França e Japão/Coréia. Dirige a Making of há sete anos.
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