Novembro 20, 2020

Há um jogo arriscado entre Darci e Adriano

Há um jogo arriscado entre Darci e Adriano

Os papeis estão definidos no segundo turno da eleição em Joinville: Darci de Matos (PSD), deputado federal e ex-deputado estadual, vereador e ex-presidente da Câmara, que vale-se do currículo para valorizar a experiência política; e Adriano Silva (NOVO), empresário de sucesso, que se lança como outsider por uma renovação política no maior colégio eleitoral do Estado.

São duas ações de risco estratégico, pois deixam flancos abertos para o contraponto, embora garantam uma boa opção para que tem o dever de escolher o próximo prefeito, justamente onde 101.419 eleitores sequer apareceram para votar no primeiro turno, culpa da pandemia e de uma apatia crescente com a classe política no absurdo cenário de 15 postulantes.

O mais estranho nesta nova fase, é que Darci, conservador de centro-direita, usa a sua carreira política para dizer que não irá atrás de apoio de derrotados, enquanto Adriano, de direita e de um partido que prega independência e admite que não se coliga com quem não tenha um programa semelhante, já recebeu, formalmente, o apoio de Ivandro de Souza (Podemos) e aguarda mais outros.

Tudo isso em apenas uma semana de camapnha.

 

Diferentes

O campo ideológico que une Darci e Adriano é uma das poucas similitudes entre ambos.

Darci defende o serviço público, a melhoria da estrutura de serviços, Adriano adota um discurso privacionista e já acena com a abertura para uma Organização Social administrar o Hospital Municipal São José e até admite privatizar a Companhia Águas de Joinville.

 

Detalhe

A dupla que disputa o segundo turno no maior colégio eleitoral já faz história, até quando o assunto é o número de votos que os separou: 6.110, respectivamente com 25,3% e 22,98% dos válidos.

É a primeira vez os concorrentes não representam praticamente o mesmo grupo político, que administrou Joinville durante 24 anos, com forte influência de Luiz Henrique da Silveira (MDB), que comandou a cidade por três mandatos e só renunciou para se tornar governador do Estado.

 

Tendência

A maior parte dos candidatos que concorreram no primeiro turno em Joinville sinalizou para liberar os correligionários e eleitores.

Mesmo que sem o formalismo ou com as fotos, a tendência é a de que mesmo os partidos de esquerda evitem seguir com Adriano e despejem o voto útil em Darci, o que não é receita de bolo, pois o apelo pelo “novo” cai nas graças do eleitor facilmente.

 

Direto da Câmara

O vice de Darci, Rodrigo Fachini (PSDB), foi presidente da Câmara local, como o cabeça da chapa.

Isso forçará a dupla, se aleita, a trabalhar muito, pois não terá maioria natural na Câmara, considerada a coligação que ainda tem PL e PP, sigla aliás que sequer elegeu um vereador. Adriano tem apenas três vereadores eleitos pelo Novo e terá que mostrar disposição para garantir mais apoio entre os 19 integrantes do Legislativo.

 

Ficou na poeira

Candidato do Patriota e atual vice-prefeito de Joinville, Nelson Coelho ficou em nono lugar na disputa, com apenas 4.378 votos, minguados 1,66% dos válidos entre o exagero de um grupo de 15 pretendentes.

É uma das provas vivas de que projetos políticos precisam ser bem avaliados e não apenas baseados em revanches, como era o objetivo quando deixou o MDB e se insurgiu contra o prefeito Udo Döhler, que, aliás, não fez o sucessor, mas viu o deputado Fernando Krelling chegar a 48.886 votos (18,50% dos válidos).

 

Tripla comemoração

Deputado Valdir Cobalchini (MDB) acrescenta um cálculo à eleição do filho João a vereador pelo DEM, em Florianópolis.

Além dele, Cobalchini viu os ex-integrantes da equipe dele, Gemada Gilberto Pinheiro (Podemos) e Adriano Flor, o Adrianinho (Republicanos), confirmarem os nomes à Câmara.

 

Blumenau

Se em Joinville, um quarto dos eleitores sumiu, em Blumenau a proporção foi a mesma 66.873 dos 247.014 eleitores, votaram 180.141.

Experiência é uma questão relativa no terceiro maior colégio eleitoral, já que o atual prefeito Mário Hildebrandt (Podemos) e o ex-prefeito João Paulo Kleinübing (DEM), que comandou a cidade já por duas vezes, no máximo consideram quem fez o quê.

 

Por um voto

Em Santa Terezinha, entre o Alto Vale do Itajaí e o Planalto Norte, o emedebista Genir Junckes venceu a atual prefeita Valquiria Schwarz (PSD) por apenas um voto.

Isso que se chama de eleitorado contadinho.

 

Depois do primeiro

Enquanto as atenções ainda estão focadas no julgamento derradeiro do primeiro processo de impeachment contra o governador Carlos Moisés, no dia 27, daqui a uma semana, a outra batalha jurídico-política não tarda.

A previsão é a de que, de acordo com os prazos, a continuidade do segundo processo de impeachment possa ser votada até a primeira quinzena do mês que vem. E ainda fica a pergunta: desembargadores e deputados vão sair do recesso de Judiciário e Legislativo para analisar a matéria em janeiro?

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Roberto Azevedo

Roberto Azevedo
Jornalista com 35 anos de profissão. Foi repórter, editor, chefe de Reportagem, editor-chefe, chefe de Redação, gerente e diretor de Jornalismo na RBS TV (Blumenau e Florianópolis), hoje NSC TV; na TV Record (Florianópolis) e na Rede TV Sul (hoje SCC SBT); comentarista na RIC TV (hoje NDTV) e na Record News; editor de Política e colunista no Diário Catarinense (DC), e colunista no Notícias do Dia (ND). Atuou nas rádios União AM e FM (Blumenau e Florianópolis) e na Rádio Record da Capital. Atualmente, além do Making Of, faz comentários na Rádio Cidade em Dia FM, de Criciúma, e é diretor de Conteúdo na TVBV (Band).
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