Novembro 02, 2020

Há uma batalha nada silenciosa nos bastidores

Há uma batalha nada silenciosa nos bastidores
SOLON SOARES/AGÊNCIA AL

O advogado do governador afastado Carlos Moisés da Silva, Marcos Fey Probst, quer que o julgamento do primeiro pedido de impeachment seja marcado antes que o outro tribunal especial decida sobre o prosseguimento ou não do segundo processo, e, pra tanto, manterá a decisão de não produzir provas na próxima fase da análise sobre o alegado crime de responsabilidade na equiparação dos salários entre procuradores do Executivo e da Assembleia.

Na outra trincheira, os advogados de Ralf Zimmer Júnior, defensor público e proponente do pedido de impeachment, querem que sejam feitas 11 diligências e ouvidas oito testemunhas: o procurador-geral de Justiça (chefe do Ministério Público Estadual), Fernando da Silva Comin; o promotor de Justiça Afonso Ghizzo Neto; o auditor-fiscal e chefe da Divisão de Controle Externo do TCE, Raphael Perico Dutra; o corregedor-geral da Defensoria Pública Estadual, Adauto Colombo; o jornalista investigativo Lúcio Lambranho; o procurador de Justiça Newton Henrique Trennephol; o conselheiro de Contas Wilson Wan-Dall; e o presidente do Tribunal de Contas do Estado, Adircélio de Moraes Ferreira Júnior.

Diante das duas teses, a possibilidade de levar o julgamento para o fim deste mês ou protelar a análise com entrada no ano que vem.

Probst e Zimmer Júnior estão de olho no julgamento do segundo impeachment, o que trata do pagamento antecipada de R$ 33 milhões por 200 respiradores, sem a garantia de entrega, o Hospital de Campanha que não saiu do papel e a falta de medidas administrativas contra os ex-secretários da Saúde e da Casa Civil, que tem potencial de aumentar a probabilidade de devolver Moisés ao cargo, caso seja arquivado, ou esticar a agonia da espera se for empurrado para a frente.  

 

Provocativo

A peça do libelo acusatório de Zimmer Júnior traz um tom de criticidade elevado, uma linha tênue com o desrespeito, principalmente quando faz referência aos votos dos desembargadores que atuaram na primeira parte da admissibilidade.

E chega a dizer, em certa parte, sobre o legado para as próximas gerações, que estaremos diante “De um tribunal que julgou de óculos escuros, de costas à legalidade, aos auto e aos anseios da sociais de justiça, legalidade, moralidade e probidade, aos legítimos anseios do parlamento que representa nossa gente, nosso povo barriga verde, ou de um Tribunal que julgou cumprindo com o seu dever de bem aplicar as leis da República, independente de características pessoais dos envolvidos!”

 

Contraponto

Para Fey Probst, não há porque se prolongar a análise do fato inserido no pedido de impeachment.

E sentencia que: “Antes de impugnar-se o rol de testemunhas apresentado pelo Denunciante, é imperioso reconhecer-se que o presente processo de impeachment se encontra pronto para julgamento, carecendo de instrução probatória adicional àquela já constante dos autos, por tratar-se de matéria eminentemente de Direito.”

 

Dupla jornada

Assim como outros integrantes do Tribunal Especial de Julgamento do segundo pedido de impeachment contra o governador, o deputado José Milton Scheffer (PP) terá que dividir a atuação na Assembleia, com a da análise ao lado de desembargadores do Tribunal de Justiça e deputados, além da campanha eleitoral.

Zé Milton tem forte influência em 42 municípios do Sul do Estado, 31 deles com candidaturas do PP à prefeitura. Precisa ter fôlego.

 

Sem match

Não só pela exclusão de posts nas redes sociais por parte de Daniela Reinehr, que recomendavam o uso de máscaras para se proteger contra a Covid-19, resume-se as diferenças entre a governadora em exercício e o secretário estadual de Saúde, André Motta Ribeiro, o que indica para saída nos próximos dias.

Servidor de carreira, o secretário já avisou que, enquanto estiver no cargo, não alterará as portarias que tratam do combate à doença e já teria dito não a um pedido vindo da Casa Civil do governo para a adoção de medicamentos do protocolo contra o Coronavírus. Todos os materiais dogoverno que recomendavam a proteção também foram retirados do ar.

 

Qual a novidade?

O deputado estadual Jessé Lopes (PSL), ávido por uma polêmica, entrou na mira do Ministério Público pro fazer apologia aos desrespeito às normas de convívio em tempos de pandemia e sugerir, nas redes sociais, que as pessoas saíssem à rua, frequentassem lugares fora dos permitidos por portarias e não usassem máscara.

Jessé age assim, basta vê-lo em plenário, o que o transformou em referência para quem não se preocupa com medidas de prevenção, fica em risco e coloca os demais que o cercam na mesma situação delicada.  O MP promete analisar o fato sob o aspecto criminal, mas o deputado sustenta que se manifesta com base na imunidade parlamentar. 

 

REPRODUÇÃO/INSTAGRAM

VIA REDES SOCIAIS

A governadora em exercício fez, via Instagram, o anúncio da troca na Secretaria Executiva da Casa Militar. Daniela saudou a chegada do coronel PM Sinval Santos da Silveira Júnior, que, entre outros pontos no currículo, tem o comando do Batalhão do Norte da Ilha de Santa Catarina e a chefia da Agência Central de Inteligência da corporação. O coronel também já havia passado pela Casa Militar, no início dos anos 2000. A mudança é estratégica, pois uma das atribuições do setor é atender aos pedidos de audiência com a governadora e organizar as agendas oficiais. Só depois de horas que a governadora divulgou a informação nas redes sociais é que saiu a nota oficial do governo, via Secom.   

 

Terceiro

O coronel Sinval Santos da Silveira Júnior é o terceiro a ocupar o cargo, até então comandado pelo tenente-coronel André Alves.

Antes dele, o coronel João Carlos Neves Júnior chefiava a Casa Militar, da qual pediu exoneração em junho deste ano.

 

Então!

Daniela esteve reunida com o futuro procurador-geral do Estado, Dagoberto Brião.

O conteúdo ainda é tratado em sigilo.

 

Mais um

Juliano Chiodelli, secretário adjunto da Casa Civil, testou positivo para o Coronavírus.

Se juntar aos outros 18 integrantes do governo que souberam do resultado detectado na semana passada, depois da coletiva de Daniela, ao assumir o governo, o quadro é preocupante.

 

Por falar

A jornalista Julia Pitthan deixou a coordenação de Imprensa da Secom do governo do Estado.

Foi para a iniciativa privada depois da chegada de Daniela ao governo.

 

Sem efeito, por ora!

Quem esperava a perda de votos de Gean Loureiro (DEM) na corrida à prefeitura de Florianópolis por conta do episódio onde foi acusado de estupro, ficou assustado.

Gean lidera com folga, segundo o Ibope, a disputa, com 58%, enquanto Elson Pereira (PSOL) aparece com 13%, Angela (PP) está com 9% e Pedro Silvestre, o Pedrão (PL), tem 6%. Detalhe: só Gean e Elson cresceram,um alerta para os demais postulantes.

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Roberto Azevedo

Roberto Azevedo
Jornalista com 35 anos de profissão. Foi repórter, editor, chefe de Reportagem, editor-chefe, chefe de Redação, gerente e diretor de Jornalismo na RBS TV (Blumenau e Florianópolis), hoje NSC TV; na TV Record (Florianópolis) e na Rede TV Sul (hoje SCC SBT); comentarista na RIC TV (hoje NDTV) e na Record News; editor de Política e colunista no Diário Catarinense (DC), e colunista no Notícias do Dia (ND). Atuou nas rádios União AM e FM (Blumenau e Florianópolis) e na Rádio Record da Capital. Atualmente, além do Making Of, faz comentários na Rádio Cidade em Dia FM, de Criciúma, e é diretor de Conteúdo na TVBV (Band).
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