10.8 C
fpolis
10.8 C
fpolis
sexta-feira, 20 maio, 2022

Hang ganhou holofotes e palanque

Últimas notícias
Hang ganhou holofotes e palanque
ROQUE DE SÁ/AGÊNCIA SENADO

Graças ao depoimento na CPI da Pandemia, o Brasil sabe que Luciano Hang prefere ser conhecido como vendedor e não como empresário ou empreendedor, embora tenha espalhado lojas da Havan por 20 estados brasileiros; que ele teve problemas devido à dislexia o que o fez aprender a ler somente aos 12 anos de idade e que conseguiu dar o conforto aos pais, uma grande preocupação que carregava, e, depois, comprou a tradicional Tecelagem Carlos Renaux, de Brusque, onde trabalharam.

Tire isso e as mais de sete horas de depoimento do catarinense na CPI poderiam ter sido suprimidas caso os senadores assistissem aos vídeos provocativos e polêmicos que Hang publica nas redes sociais, onde externa o que pensa no universo conservador, alinhado com o presidente Jair Bolsonaro (sem partido).

Empresário ou vendedor, Hang ainda ganhou, de graça, uma enorme exposição da marca Havan, um merchandising “priceless” ao vivo nas redes de jornalismo (CNN, Band News, Globo News, Record News e Jovem Pan, para citar algumas) em vídeo apresentado durante a sessão e na máscara que usava, coisa rara quando se trata do comportamento normal do brusquense famoso.

O depoimento bateu recordes de audiência na TV Senado, leia mais em https://bit.ly/3iisHHh.

 

Sem novidade

As teses de que Hang financia Fake News, blogueiros bolsonaristas, agiu no “gabinete paralelo”, que orientava Bolsonaro no uso de medicamentos sem comprovação da eficácia no combate à Covid-19 ou que teria agido para evitar que a causa da morte da mãe, dona Regina, constasse na Certidão de óbito ou foi um dos patrocinadores em manifestações antidemocráticas ficaram na mesma, em suspenso, com o benefício da dúvida, à espera do inquérito que corre no STF.

Blindado pela tropa de choque do Planalto na CPI, liderada pelo senador Jorginho Mello (foto), que ciceroneou o conterrâneo, encorpada pelo filho do presidente, senador Flávio Bolsonaro (Patriota-RJ), o dono da Havan demonstrou que nem precisava desta atuação, tendo sido eficaz em repetir que não era negacionista, defender os medicamentos do kit Covid e as vacinas, às quais queria comprar quando agiu pela mudança da legislação.

Hang foi pontual ao revelar que comprou 20 cilindros de oxigênio para enviar a Manaus, no ápice da crise da Covid, mesmo lugar onde inaugurou uma loja e causou aglomeração, mas é fato que rateou ao não assumir que fez 57 operações de crédito via BNDES (entre 1993 e 2014) e sobre os fatos que marcaram o último 7 de Setembro.

 

Sob os holofotes

A CPI garantiu holofotes a Hang, que brilhou nas redes sociais alçado por um movimento de compartilhamentos, apesar da suspeita, levantada por senadores, de que foi beneficiado por ação de “robôs da milícia digital”.

O depoimento também beneficiou o brusquense em um futuro e nada descartável projeto político para 2022, ou ao Senado ou a vice-presidente, porém não foi a bala de prata que os integrantes da comissão esperavam contra Bolsonaro ou mesmo contra o próprio Hang, que deve ser citado no relatório de Renan Calheiros (MDB-AL), já que é tratado como investigado.

 

Resumo

A CPI deu vários tiros no pé, nas mãos, nos braços, só faltou o na cabeça, ao trazer Hang para depor, até porque, na guerra de versões, ele manteve seus apoiadores e irritou os que apoiam a cruzada contra Bolsonaro, nada mudou na balança que deveria equilibrar os fatos.

Hang disparou contra os que o usam para Fake News, principalmente a imprensa, e os integrantes da comissão não ganharam terreno na empreitada contra um adversário preparado, articulado.   

 

Aus Blumenau

O advogado Erivaldo Caetano Júnior, o Vadinho (à direita na foto principal), presidente do Podemos de Blumenau, era mais um catarinense ao lado de Hang na CPI, com atuação na defesa do empresário, de quem é amigo há muitos anos.

Vadinho tinha dado um tempo na política depois de deixar o PSDB, que o levou presidir a Fesporte por duas vezes – pela vivência no esporte, inclusive foi presidente do Metropolitano -, e aceitou o pedido do prefeito Mário Hildebrandt para entrar no projeto vitorioso à reeleição, em 2020, com a formação de um grupo de apoio de empresários e políticos.  

 

Desafio

À tribuna da Assembleia, o deputado Ricardo Alba (PSL), um bolsonarista de primeira hora, fez um desafio ao governador Carlos Moisés em relação aos problemas na BR-470.

Na provocação, que não poupou a bancada federal e o governo de Jair Bolsonaro, Alba declarou que “já que abraçou a BR-470 com R$ 300 milhões, (Moisés) abrace a BR-470 do Alto Vale, porque se for esperar recursos orçamentários do governo federal, a gente vai esperar sentado”, e completou: “antes de apoiar o governo federal, eu apoio Santa Catarina”.

 

Aliás

O fato de o governo federal anunciar quase R$ 1 bilhão para Infraestrutura e deixar Santa Catarina de lado promete repercussões inesperadas no Estado mais bolsonarista do país, com jeito de prenúncio de rebelião.

Até quem pega leve, como o deputado federal Gilmar Marques, do Novo, mais Planalto do que oposição, disparou nas redes sociais, território dos apoiadores do presidente da República, que apresentou requerimento para saber quais os critérios que deixaram Santa Catarina fora da distribuição dos recursos. 

 

Retrocesso

O plenário do Senado aprovou uma daquelas escrecências que marcam legislaturas ao dificultar a condenação de agentes públicos por improbidade administrativa, digno do rótulo de autodefesa.

A matéria ainda passará por nova análise da Câmara, mas ao que tudo indica será mantida, com o retrocesso de que a pena de perdas de direito político e ressarcimento dos valores só ocorra em caso de comprovada a intenção (dolo), avaliação subjetiva que sujeita a penalidade a milhares de interpretações. Absurdo!   

Roberto Azevedo
Roberto Azevedo tem 37 anos de profissão. Estudou jornalismo na UFSC, de Florianópolis, e direito na FURB, de Blumenau. Foi repórter, editor, chefe de Reportagem, chefe de Redação, editor-chefe, gerente e diretor de Jornalismo, na RBS TV de Blumenau e Florianópolis, na TV Record de Florianópolis, na Rede TV Sul! e na TVBV (Barriga Verde, BAND); comentarista na RIC TV Record e na Record News, e colunista no Diário Catarinense (onde também foi editor de Política) e no Notícias do Dia, tendo blogs nas versões digitais das edições. Atuou nas rádios União de Blumenau e União FM de Florianópolis, e na Rádio Record da Capital catarinense. Além de ter uma coluna no Portal Making Of, desde setembro de 2016, faz comentários sobre política e economia na Rádio Cidade em Dia FM, de Criciúma, e na TVBV (BAND), de Florianópolis.
Mais notícias para você
Últimas notícias

Congresso ACAERT tem início neste domingo com palestra de Hamilton Mourão

O 18º Congresso Catarinense de Rádio e Televisão, que a Acaert - Associação Catarinense de Emissoras de Rádio e...
.td-module-meta-info { font-family: 'Open Sans','Open Sans Regular',sans-serif; font-size: 14px !important; margin-bottom: 7px; line-height: 1; min-height: 17px; } .td-post-author-name { font-size: 14px !important; font-weight: 700; display: inline-block; position: relative; top: 2px; }