Novembro 02, 2017

Jacque Ferrari expande amor em forma de chocolates!

 

Jacqueline Ferrari é mulher, mãe e proprietária de uma casa de chocolates e chás no Passeio Pedra Branca, em Palhoça. Mistura o seu conhecimento com o ambiente clássico e rústic, com cara de "casa de vó". De família tradicionalmente italiana, herdou da nonna a arte de criar chocolates que ultrapassam a linha do sabor - são verdadeiras obras primas! Com mãos de artista, começou lixando caixas aos nove anos de idade (o que para ela era quase uma terapia) e desse trabalho tirava o sustento da família!

Em 2014, depois de um acontecimento marcante, Jacque resolveu trazer de volta a tradição da família. Em meio à louças primorosas, bolos deliciosos, cafés artesanais e música, ela teve a atitude de criar o seu atelier. Foram várias viagens e cursos para se especializar na área de Chocolataria. Junto dela, sua família - Larissa se especializou em chás naturais; Matheus ajuda na administração da loja e André é responsável pela parte financeira do local. Com um time completo, Jacque teve a força que precisava para abrir a sua loja física e oferecer um produto exclusivo, na charmosa Pedra Branca - a Palha.

 

Jacque com a filha Larissa e a mamys encantadora

 

COMO NASCEU A PAIXÃO POR CHOCOLATE?

A paixão pelo chocolate nasceu quando saímos de Florianópolis - pois a família do meu pai é catarinense - quando eu tinha uns 9 anos de idade. Nesta época, deixamos a cidade para irmos morar no Rio de Janeiro. Depois do falecimento do meu avô, e, na sequência, do meu pai, nós ficamos no Rio com a minha mãe. Foi aí que o chocolate nasceu como uma forma de sustento. Era uma renda a mais para a minha mãe. Mas ela sempre teve muito cuidado com os produtos que utilizava, pois queria de qualquer forma trabalhar sempre com produtos nobres.

Então, por mais simples que nós fossemos, ela não abria mão de trabalhar com chocolates de qualidade. Esse amor pelo chocolate surgiu por meio dos ensinamentos e atitudes dela. Minha mãe me ensinou que um chocolate de qualidade traria mais sabor e nutrientes. Era isso que ela queria: não só vender chocolate, mas proporcionar sensações.

 

 

DE ONDE VEIO A VONTADE DE SER EMPREENDEDORA?

O meu mundo empreendedor surgiu quando eu perdi um filho. Eu estava grávida de seis meses e depois de perder o João eu fiquei recuada por um tempo. Foi muito doloroso! Neste recuo eu lembrei do cheiro da cozinha do meu avô, das tradições de sentar à mesa com a minha avó, da louça que ela tanto amava colocar na hora do café, da minha mãe fazendo os doces e bolos e, principalmente, da alegria com que a minha mãe lixava cada caixa, mesmo sabendo que tinha tantas contas à pagar.

Apesar de todas as dificuldades, ela sorria! Eu enxerguei nela essa forma positiva de lidar com as coisas. E quando eu perdi o neném e voltei a ter essas lembranças, resolvi empreender. Falei para mim mesma: "Eu vou fazer isso pois acho que é dar vida e trazer à tona toda a essência que a minha avó tinha! É resgatar uma tradição, inserindo a atualidade!". Uma paixão empreendedora à nível da essência familiar, mas com a paixão antiga por chocolate.

 

Xícara da avó da Jacque, que originou a logomarca ( representa a tradição)

 

QUAL É A MAIOR DIFICULDADE EM PRODUZIR CHOCOLATES E CHÁS ARTESANAIS?

Eu digo que não existe uma dificuldade em relação à produzir chocolate ou chás. Eu acredito que é necessário ter paciência. A paciência é o maior trunfo! Se você tem uma persistência e vontade de querer aprender, você consegue. Mexer com chocolate é técnica, prática e, também, ambiente. Alguns chocolates - principalmente os nobres - precisam de uma área especial, com climatização e utensílios especiais.

É preciso investir no seu negócio! Você vai ter que praticar sempre para conseguir um resultado satisfatório. Em relação aos chás eu acredito que é a mesma coisa! Eu digo: seguidores de receitas tem muitos, mas estudiosos são poucos. Você tem que vender algo que você entende, e saber até onde você entende, para que você possa proporcionar ao seu cliente a verdade daquilo que você faz. Sempre estudar, aprender e aplicar o seu aprendizado. É preciso ir a cursos. Conhecer! O conhecimento sana as dificuldades.

 

 

VOCÊ CRIA A MAIORIA DOS SEUS PRODUTOS, COMO A TORTA DA NONNA, POR EXEMPLO. QUANTO TEMPO VOCÊ LEVA PARA DESENVOLVER CADA UMA DESSAS DELÍCIAS E DEIXÁ-LAS NO PONTO IDEAL DE SABOR E BELEZA?

Quando eu abri a loja eu pensei somente na chocolataria. Eu não pensei em trazer bolos. Mas a minha arquiteta, Emanuela Wojcikiewicz, sentou comigo e praticamente fez uma sessão de terapia para entender o meu conceito. Ela me falou que, se a minha mãe fazia os bolos, eu deveria também fazê-los, pois fazia parte da minha essência. Eu admito, quase enlouqueci pois a "minha praia" é chocolataria, não sou confeiteira.

Então eu comecei a estudar antes de abrir a loja. Busquei bolos simples, caseiros, gostosos e que poderiam ser colocados com os chás. Foi aí que pensei em aprimorar uma torta que a minha mãe fazia e, durante 3 meses, eu desenvolvi a Torta da Nonna. Em média, este é o tempo que levo para criar esses produtos. No primeiros meses eu tive a ajuda de um chefe de cozinha, o Fellipe Abreu, que me ajudou muito nas criações - dando uma consultoria direcionada.

 

 

QUEM É RESPONSÁVEL PELOS CHÁS E PORQUÊ CHÁS?

Quando nós resolvemos abrir a loja eu apliquei algo que eu prezo muito: que um local, para ser bem sucedido, precisa que cada um tenha a sua função e que todos sejam respeitados nela. A minha filha, Larissa Ferrari, é estudante de química na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e sempre fez várias pesquisas, trabalhou em diversos laboratórios de pesquisas, além de ser apaixonada pela área. Um deles, foi na área de fito química, onde ela se apaixonou pelas essências e propriedades de cada elemento.

Quando tive a ideia de colocar chás no meu negócio, falei com ela e, para proporcionar uma loja com qualidade e serviços de excelência, deixei ela responsável por essa parte. Então, ela selecionou cada essência que casaria com cada bolo. Ela está se empenhando muito! Optamos por chás pois a tradição inglesa é mesclá-lo com leite. Existem muitas cafeterias, mas poucas casas de chás. Esse casamento - chá com chocolate - é perfeito. Então, nada mais viável para nós, em um lugar maravilhoso como a Pedra Branca, do que trazer esse casamento.

 


VOCÊ É DESCENTE DE ITALIANOS, GAÚCHA, FILHA DE CATARINENSE, JÁ PASSOU POR TERRAS CARIOCAS, E, ATUALMENTE, MORA EM FLORIANÓPOLIS, MAS ABRIU UMA LOJA NA PEDRA BRANCA. HÁ UMA ESTRATÉGIA NA ESCOLHA DO LOCAL? TEM PLANOS DE ABRIR NOVAS FILIAIS?

Eu escolhi a Pedra Branca de forma estratégica, sim! Eu abri a minha empresa há quatro anos e, já no primeiro, eu recebi a ligação do meu advogado me indicando o Passeio Pedra Branca, mas eu não tinha condições ainda. Passou o primeiro ano, eu fui na Pedra Branca, conheci o lugar e achei fantástico por conta da paz, qualidade de vida, arquitetura e união do campo e da natureza. Quando eu cheguei lá, decidi que abriria a minha loja naquele lugar.

Eu queria proporcionar uma sensação diferente do que já existia. Eu queria que as pessoas, ao sentarem na minha cadeira, conseguissem sentir a extensão da cozinha da minha mãe e também estar junto com os amigos. É um lugar para que as pessoas possam rir, conversar e manter um convívio saudável. Ele é estrategicamente pensado, de frente para a pedra branca. Uma vista incrível! Diante de um mundo com prazos enlouquecidos, a pessoa consegue sentar, comer um chocolate, tomar um chá e ficar em paz.

Então, foi por isso que escolhi a Pedra Branca. Eu ainda não tenho planos para abrir novas filiais. Eu quero me especializar no ramo de chocolataria. Então, primeiro, eu quero fixar meus pés na loja atual e dar continuidade nos projetos e, depois de terminar as especializações, pensaremos em outras lojas.

 

 

VOCÊ TEM SE ESPECIALIZADO CADA VEZ MAIS NA SUA ÁREA E SE DESTACANDO PELA ORIGINALIDADE. VOCÊ PRETENDE DAR CURSOS ESPECÍFICOS PARA O SEU RAMO DE EMPREENDIMENTO?

Sim, com toda certeza! Quero dar cursos no ramo de chocolataria e trazer um pouco da cultura do chocolate nobre, sem desmerecer os outros chocolates. Essa paixão nacional! O chocolate já foi moeda, então é importante trazer essa cultura para as pessoas. E também do chá!

 

 

QUAIS SÃO OS SEUS PLANOS PARA O FUTURO?

O meu plano para o futuro é terminar as minhas especializações no ramo de chocolataria e a Larissa na área de chás. Depois, trarei umas surpresas! O que eu penso agora a nível futuro é nos estabelecermos e deixarmos as coisas bem amarradas quanto a loja atual. A longo prazo, penso em trazer projetos sociais e também ter uma escola de chocolataria. Eu aconselho a todos, nunca desista de algo, mas se especialize!

 

 

-- Ping Pong --

Uma mania: Rezar um mantra;

O que você não fica sem: Pão;

O que mais admira: Falar a verdade;

O que não suporta: Gente pessimista;

Um lugar: Arraial do Cabo;

Uma viagem: Saquarema;

Uma palavra: Filhos;

Uma saudade: Irmãos no Rio;

Um ídolo: Mamãe Irismá, pai Flávio, Chocolatier Melissa Coppel, Chef Antônio Lima e  Chef Fellipe Abreu.

O que te dá esperança: Acreditar nas pessoas;

Uma frase: Nossas dúvidas são traidoras e nos fazem perder o que, com frequência, poderíamos ganhar, por simples medo de arriscar - William Shakespeare
 

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Yula Jorge

Yula Jorge
Jornalista graduada pela UFSC. Antes disso estudou e viveu quatro anos entre o Canadá e os Estados Unidos e quando retornou a sua terra natal, Goiânia, graduou-se pela PUC em Secretariado Bilíngue. 
Logo mudou-se para Florianópolis, ingressou na Universidade Federal, e da ilha não saiu mais. Atua como colunista desde 2012, assinou uma coluna diária no jornal Notícias do Dia por alguns anos, e, paralelamente, foi repórter da RICTV Record e Record News. Traz todos os dias o que rola de especial em Floripa: sobre quem acontece, empreende, se engaja em causas legais. O que inaugura, as festas bombásticas, as melhores casas, restaurantes, os shows, as ações bacanas e o voluntariado.

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