Outubro 14, 2021

Janiter de Cordes desabafa sobre meio jornalístico da Capital

Janiter de Cordes desabafa sobre meio jornalístico da Capital
Reprodução

O repórter esportivo e narrador Janniter de Cordes fez um longo desabafo ontem, 13, no programa Marcou no Esporte Debate, no Youtube, sobre o momento do mercado jornalístico em Florianópolis. Na sua fala, ele pediu mais respeito com a história dos profissionais locais.

Janniter, que é de Criciúma, lembrou que quando veio trabalhar na capital se preocupou em aprender sobre a cultura do povo, cotidiano e sobre os profissionais locais. Sem citar nomes, ele destacou que “hoje, infelizmente, quem comanda, ou pensa que comanda, não tira a bunda de casa para saber da história, da identificação dos profissionais com a cidade e com o estado em nossa profissão”.

O desabafo (leia abaixo na íntegra) ainda foi compartilhado por ele no Instagram e recebeu comentários de vários amigos, entre eles colegas de trabalho. “Triste pelo caminho que o jornalismo esportivo está levando”, escreveu um. “Três grandes talentos Jovens que perdeu a NSC CBN Janniter Alison e Kadu. Perdem eles e perdemos nós ouvintes e telespectadores”, comentou outro. “Perdemos a identidade. Hoje, Florianópolis é uma ‘casinha de brinquedos’. Se é que me entende”, afirmou um terceiro.

Recentemente Janniter deixou o Grupo NSC, o mesmo que ocorre ações com Alisson Francisco, apresentador do Globo Esporte.

Leia o desabafo na íntegra abaixo ou ouça aqui.

Quando eu cheguei aqui em Florianópolis em 2006 para trabalhar na Rádio Bandeirantes AM, a primeira coisa que fiz foi começar aprender como é a cultura de Florianópolis, como as pessoas vivem, o cotidiano dessas pessoas, do que elas gostam, do que não gostam enfim, a sua cultura, que é algo sensacional. A cada dia aprendendo o “manezes”, a sua fala rápida, as gírias, as brincadeiras, as coisas sérias, o tempo com o seu “vento sule”, o frio na Ressacada, no Scarpelli, os passeios pelas praias do sul, norte e leste da ilha, a sua gastronomia. Andar pela Praça XV, pelo Mercado Público, curtir o tradicional Berbigão do Boca, o Carnaval de Santo Antônio de Lisboa, o por do sol na Beira Mar Norte, os domingos nos parques da cidade, as caminhadas, as pedaladas, enfim, um mar de coisas que um cara de Criciúma aprendeu aqui em Floripa.

Na minha profissão, fui aprender e conhecer as pessoas que fizeram o rádio, o jornal e a TV de Florianópolis. Citando alguns grandes personagens da imprensa da capital e do nosso estado como Murilo José, o narrador da camisa amarela, pai de Carlos Eduardo Lino e André Lino, Dakir Polidoro, pai de Polidoro Júnior, Fernando Linhares da Silva, pai do nosso Fabiano Linhares, Rômulo Coelho, Cacau Menzes, Roberto Alves, Miguel Livramento e tanto outros que marcaram época e fizeram o crescimento da nossa imprensa. Aprendi a respeitar cada um com a sua história, sua contribuição para a profissão.

Você pode não gostar de algum nome que citei, mas não dá para negar que eles fazem parte da história da imprensa da capital e do nosso estado. Não posso esquecer das rádios que marcaram, como Rádio Jornal A Verdade, Diário da Manhã, Guarujá, Cultura, Guararema, CBN/Diário e por aí vai. Mas para saber e conhecer a história desses grandes profissionais, você não pode ter chego ontem na capital do estado. É preciso andar, ouvir, pesquisar, sentir, ver e fazer desta forma, do jeitinho que esse povo maravilhoso gosta.

Hoje, infelizmente, quem comanda, ou pensa que comanda, não tira a bunda de casa para saber da história, da identificação dos profissionais com a cidade e com o estado em nossa profissão. Simplesmente, do ar condicionado da sala de casa ou do trabalho desrespeitam a nossa história. Sim. Eu disse a nossa história, porque hoje me sinto quase um mané, pois as pessoas daqui me abraçaram e me ensinaram como é ser de Florianópolis e da grande Florianópolis.

Então, para vocês que chegaram ontem na cidade e acham que porque são dos grandes centros e trabalharam nas grandes empresas, não achem que aqui somos todos bobalhões. Aqui se respeito pela história do nosso povo, da nossa profissão. Então, respeitem a nossa história, o nosso povo, a nossa identificação, e não venham ENCALHAR as coisas por aqui. ENCALHEM em outro lugar. POR FAVOR RESPEITEM A NOSSA HISTÓRIA. E olha que quem está falando é uma pessoa de outra cidade, mas que sempre respeitou o povo de Florianópolis e jornalismo da capital catarinense.

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comunicacao
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Redação Making Of

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