Maio 24, 2021

Jornalismo claustrofóbico

Jornalismo claustrofóbico
Reprodução

Se pudesse, o telejornalismo faria “remake”. Como a novela das 6, das 7 e das 9 horas. Custa mais barato. Sabe-se, a esta altura da pandemia, que a redução de atividade externa e em estúdio é mais focada nos custos do que na saúde.

O carro fica estacionado, o vale transporte não sai da gaveta, o restaurante não abre e assim por diante. Tem gente há tanto fora do ar, que, quando voltar, não será reconhecido pelo porteiro. Vai ter que mostrar a carteira de trabalho.

Os burocratas estão em êxtase. Em recente reunião sobre resultados disseram aos jornalistas que os números estavam positivos devido à redução de atividade. E assim vão convencendo que ficar em casa é bom. 

Tem um lado positivo aí. As redações - com menos gente - aprenderam a fazer reportagem pelos monitores, via celular. As assessorias nunca trabalharam tanto. No futebol, então, os clubes fazem praticamente tudo. Assessor trabalha ao vivo, o pessoal da mídia não.

O jornalismo atual é claustrofóbico.

 

Futebol

Não há como negar: o Campeonato Catarinense, mesmo com jogos sem torcida e alguma confusão jurídica, acabou dando certo. Virou uma válvula de escape para a vida mais reservada de hoje em dia.

O jogo final será quarta-feira, 26, as quatro horas da tarde. Horário esquisito, dia de semana, já que a detentora dos direitos não conseguiu o horário nobre da Rede Globo. Esse foi um “senão” este ano. Vários jogos deixaram de ser transmitidos em TV aberta, sempre com a desculpa da decisão vinda do Rio.

Isso ocorre também porque não existem outros interessados em transmitir futebol por aqui, a contrário do que ocorre com o SBT, Band e Record nacionais, que bancaram Copa América, Libertadores, Fórmula 1 e Campeonato Carioca.

 

“O” repórter


Foto: Divulgação/RecordTV

Roberto Cabrini é incansável com o feeling jornalístico sempre apurado. Semana passada ele fez mais uma entrevista exclusiva, desta vez, com a mulher do funkeiro MC Kevin, que morreu ao cair do quinto andar de um hotel no Rio. A técnica de Cabrini é deixar a entrevistada relaxada e aos poucos ganhando confiança para obter declarações exclusivas. O ar dele inspira compaixão como se vê na foto.

Cabrini está na Record, que colocou a entrevista com Deolana Barbosa ontem à noite no Domingo Espetacular. As circunstâncias da morte de Kevin, de 23 anos, ainda não foram esclarecidas. Mas se sabe que ela ocorreu depois de uma noite e uma tarde inteiras de sexo, drogas e bebida.

 

Onde fica?

Leitor escreve:

"Uma rápida pesquisa e uma grande dúvida. Afinal, em que região de Santa Catarina fica a cidade de Campos Novos?

No portal do Diário Catarinense…..

'Homem fica preso em fosso de 20 metros de profundidade…', a repórter Catarina Duarte diz que o fato ocorreu em Campos Novos, no Planalto Sul…

Na notícia sobre uma cobra-coral encontrada em quintal de casa, Campos Novos, a nota da 'Redação DC' diz que a cidade fica no Oeste de Santa Catarina.

A mesma redação, ao anunciar que 'Policial salva motorista de carro em chamas…' garante que Campos Novos é na Região Serrana.

Ao informar 'Ações da PRF em Campos Novos e Concórdia…' o jornalista Guilherme Simon diz que a cidade está no Meio-Oeste catarinense.

Já a nota assinada por Clarissa Battistella informando 'Acidente na BR-282' garante que Campos Novos está localizada na Serra de SC.

E agora?

Parei a pesquisa para não ser induzido a comprar uma passagem para a Europa para visitar um amigo".

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Claiton Selistre

Claiton Selistre

Jornalista formado pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul, foi diretor de Jornalismo por 25 anos da RBS TV, TVCom e Rádio CBN/Diário em Santa Catarina. Antes atuou na  Rádio e TV Gaucha do grupo RBS e em redações de jornal, rádio e tv do grupo Caldas Jr. em Porto Alegre. Foi também repórter da na Sucursal do Jornal do Brasil. Planejou e Coordenou coberturas multimídia nas Copas do Mundo de Futebol na Alemanha, Argentina, Espanha, México, Itália, Estados Unidos, França e Japão/Coréia. Dirige a Making of há seis anos.

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