Fevereiro 16, 2017

Jucá fez e não levou uma proposta contra a nação

Aplaudam o presidente do Senado, Eunício de Oliveira (PMDB-CE) que evitou uma sandice do colega Romero Jucá (PMDB-RR), a PEC que assegurava imunidade relativa aos ocupantes de cargos na linha sucessória da Presidência da República, um benefício, se aprovado, direto aos presidentes da Câmara dos Deputados e do Senado, durante a vigência do cargo, que não poderiam ser investigados por atos cometidos fora do mandato. Jucá, figura carimbada, é presidente nacional do PMDB e um quase eterno líder do governo, nas administrações de Fernando Henrique Cardoso (PSDB), Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Dilma Rousseff (PT), além de ter sido apeado do Ministério do Planejamento no governo do amigo Michel Temer por ser investigado na Operação Lava Jato e responder a outro processo no Supremo Tribunal Federal, e resolveu marcar mais uma mancha em sua biografia.

O absurdo ainda é maior porque a PEC abortada cai como uma luva para o deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ) e o senador Eunício de Oliveira (PMDB-CE), investigados pela Lava Jato. Esta imunidade constitucional só vale hoje para o presidente da República. Jucá precisava de 27, um terço dos senadores, mas garantiu 30 assinaturas para levar o assunto adiante. Jucá conseguiu chamar a atenção negativa para o Senado, ainda mais quando justifica sua ação em defesa da segurança jurídica.

 

O lado B

Menos mal que nenhum dos três senadores catarinenses, Paulo (PSDB) Bauer, Dalírio Beber (PSDB) e Dário Berger (PMDB), autografou a tal PEC. Bauer, líder da bancada tucana no Senado, emitiu nota oficial para dizer que “não existe qualquer compromisso da bancada do PSDB com a aprovação da proposta em questão”, principalmente depois de ver que o nome do senador Aécio Neves (MG), presidente nacional da sigla, constava em uma lista que vazou, e cuja veracidade deve ser contestada como tudo publicado nas redes sociais.

 

E na Câmara

O deputado federal Esperidião Amin (PP) foi um dos que reagiram com veemência para evitar que uma manobra do Senado, que incluiu políticos e parentes no programa de repatriação, e que acabou rejeitada em plenário. Para Amin, “a inclusão desse dispositivo não é benéfica”. E concluiu: “ Quem foi que incluiu eu não sei, mas não vai fazer bem. Eu não posso votar a favor de alguma coisa que tem um enxerto com o qual eu não concordo”. A análise volta ao Senado e será necessário ter muita atenção.

 

Piada pronta

O TRE de Minas Gerais puniu o Partido da Mulher Brasileira (PMB) por não ter dado espaço justamente para as mulheres em sua propaganda partidária exibida na TV. Não foi a única atitude da Justiça Eleitoral sobre o tema que tornou-se polêmico com a revelação de “candidatas laranjas” para cumprirem a exigência de 30% das vagas para o gênero feminino, pois, em Brasília, o Tribunal Superior Eleitoral também puniu nove partidos (PT, PSB, PMDB, PC do B, PR, PSD, PSC, PHS e PRB) por não terem destinado 10% do seu tempo de propaganda para incentivar a participação das mulheres na política, conforme determina a Lei dos Partidos Políticos.

 

DIVULGAÇÃO

DA CULTURA

Estreante no governo estadual, o professor Rodolfo Pinto da Luz, presidente da Fundação Catarinense de Cultura, recebeu do governador Raimundo Colombo a garantia de lançamento, nos próximos 90 dias, do Edital Elisabete Anderle de estímulo ao setor. Mas o presidente da FCC, que participou do encontro de secretários e presidentes de empresas e entidades com o governador e o vice-governador Eduardo Pinho Moreira, em Lages, durante dois dias, garante que busca mais ao defender a tese de que a cultura também é investimento, na autoestima e no potencial que representa na economia criativa. Na foto, da esquerda parea a direita, a secretária-executiva regional de Joinville, Simone Schramm; Colombo, o ex-deputado Marcondes Marcehtti, membro do Conselho Estadual de Cultura, e Rodolfo.

 

Experiência conta

Maior bancada na Câmara de São José, com seis vereadores, a bancada do PSD contará com a experiência de Moacir da Silva na liderança. Vereador pela segunda vez, Moacir, de 52 anos, prometeu dedicação e muito trabalho ao agradecer o apoio dos demais colegas Caê Martins, Jair Costa, Nardir Arruda, Orvino Coelho de Ávila e Meri Hang. Mas a defesa da administração da prefeita Adeliana Dal Pont estará na pauta dos pessedistas.

 

JAKSSON ZANCO/PREFEITURA DE JOINVILLE

EM JOINVILLE

O secretário de Cultura de Joinville, Raulino Esbiteskoski, acompanhou o embaixador da Alemanha no Brasil, Georg Witschel, a embaixatriz Sabine Witschel e o cônsul Stefan Traumann na visita ao Arquivo Histórico de Joinville. Com eles estava o ex-vice-prefeito Rodrigo Bornholdt, cônsul honorário da Alemanha. Um detalhe interessante: a Sociedade Colonizadora Hamburguesa recebeu as terras depois de negociar com o rei da França Luís Felipe, pai do príncipe de Joinville, Francisco de Orléans, que recebeu a área como dote pelo casamento com a irmã de Dom Pedro II, Dona Francisca, e trouxe para a região alemães, suíços e noruegueses.

 

A GREVE, EM CAPÍTULOS!

A comunicação será a arma do prefeito Gean Loureiro (PMDB) depois de mais uma assembleia dos servidores decidir pela continuidade da greve e milhares lotarem as ruas da Capital em passeata. A ideia é divulgar na mídia ponto por ponto do que foi aprovado e as flexibilizações que a prefeitura já apresentou ao Sintrasem, em relação ao Plano de Cargos e Salários, e que não chegam aos funcionários públicos, que aceitam a versão dos sindicalistas.

 

Nacionalizada

A presença de integrantes da direção nacional da CUT na Assembleia da Comcap, cujos trabalhadores decidiram não aderir ao movimento grevista, uma derrota flagrante da paralisação, além da utilização política partidária da greve por PSOL, PT, PCdoB e PSTU, pois trata-se de um prefeito do PMDB, o mesmo partido de Michel Temer, nacionalizaram a greve. A participação na assembleia de Luciana Genro, ex-deputada gaúcha e ex-candidata à Presidência da República, uma das principais lideranças do PSOL, demonstra que o assunto ganhou outra relevância, assim como muitos dos presentes na Assembleia não são funcionários públicos municipais da Capital nem de Florianópolis.

 

No entorno

Para encorpar o movimento, carros de sindicatos de servidores estaduais circulam próximos da Praça Tancredo Neves, local da assembleia dos servidores, e até gente de fora dá apoio. Em um dos mais hilariantes episódios, enquanto os locais gritavam “Fora, Gean!”, um grupo gritava “Fora, Maldaner”. Foram identificados como de Maravilha, onde Rosimar Maldaner (PMDB) foi reeleita. Havia subcelebridades na manifestação desta quinta, boa tática para deixar as ruas lotadas e a população, que depende do transporte coletivo e de condução própria, uma fera no trânsito parado.

 

Outra tática

A prefeitura de Florianópolis começa a divulgar propaganda nas TVs locais, nesta sexta, para explicar ao contribuinte e ao servidor o que está por trás das medidas aprovadas na Câmara. Gean informa que protocolará, nesta sexta, na Câmara, os projetos com o conteúdo do que flexibilizou nas conversações com o Sintrasem a partir das medidas aprovadas pelo Legislativo, uma forma de oficializar o que não foi aceito, e fará uma notificação para que os sindicalistas apresentem, de forma oficial, as contrapropostas. Lembrem-se de que, nesta sexta, às 16h, vence o prazo dado pelo promotor de Justiça Daniel Paladino para que os professores voltem ao trabalho e que prefeitura e Sintrasem se manifestem.

 

Retorno

Depois de uma conversa entre secretários municipais e servidores da Saúde, 75% das unidades da prefeitura voltaram a funcionar, de acordo com o prefeito, de quarta para quinta. Já o prefeito conversou com os médicos da prefeitura que pediram a ele que protocole um documento com os avanços e flexibilizações e eles se encarregarão de dizer ao Sintrasem que estão dispostos a retornar ao trabalho. A conversa de Gean desta sexta será com o pessoal da Assistência Social. A maior resistência está na educação, a mesma onde os diretores não compareceram à conversa com os representantes da prefeitura.

 

Projeção

Os servidores têm nova assembleia marcada para segunda, na semana do Carnaval. Sem o apoio da sociedade e de muitos funcionários públicos, o movimento deve seguir duas lógicas: ou enfraquece naturalmente com as defecções de quem teme ter o salário descontado ou por uma intervenção judicial. As próximas horas serão decisivas, pois a época da falta de informação acaba agora. E a cidade perde se o justo movimento por reivindicação de direitos virou tão somente uma peça de disputa partidária, a mesma que divide opiniões entre os diretores do Sintrasem, que não concordam em aceitar os argumentos da necessidade das medidas porque pertencem a uma ou outra sigla ou misturam os fatos com as reformas da Previdência e Trabalhista que Michel Temer propõem ao Congresso e à sociedade.  

 

Entenda

Deputados do PSOL entraram com um pedido de impeachment do enrolado governador do Rio de Janeiro Luiz Fernando Pezão (PMDB) e do vice Francisco Dornelles (PP), entre outros argumentos, por ferir a Lei de Responsabilidade Fiscal, por descumprimento de decisões judiciais, ou seja, crime de responsabilidade. Mas se a situação faz com que eles não tenham nem dinheiro para pagar salários, serviços públicos e fornecedores, é de se avaliar a extensão do efeito de como feriu a norma. Pezão e Dornelles já tiveram a chapa cassada pela Justiça Eleitoral e só continuam no cargo por esperar o julgamento da matéria até a última instância, no caso o TSE, com possibilidade de recurso final no STF.    

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roberto-azevedo política economia bastidores da política Santa Catarina
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Roberto Azevedo

Roberto Azevedo
Jornalista com 36 anos de profissão. Foi repórter, editor, chefe de Reportagem, editor-chefe, chefe de Redação, gerente e diretor de Jornalismo na RBS TV (Blumenau e Florianópolis), hoje NSC TV; na TV Record (Florianópolis) e na Rede TV Sul (hoje SCC SBT); comentarista na RIC TV (hoje NDTV) e na Record News; editor de Política e colunista no Diário Catarinense (DC), e colunista no Notícias do Dia (ND). Atuou nas rádios União AM e FM (Blumenau e Florianópolis) e na Rádio Record da Capital. Atualmente, além do Making Of, faz comentários na Rádio Cidade em Dia FM, de Criciúma, e é diretor de Conteúdo na TVBV (Band).
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