Fevereiro 17, 2021

Réu, Julio foca no mandato

Réu, Julio foca no mandato
BRUNO COLLAÇO/AGÊNCIA AL

Virar réu na Operação Alcatraz por lavagem de dinheiro, ocultação de patrimônio e corrupção deixa mais nebuloso o futuro político do ex-presidente da Assembleia, deputado Julio Garcia (PSD), mas não põe um ponto final na maior batalha que enfrenta: a tentativa de recuperar as prerrogativas legislativas.

Afastado das funções e no aguardo de uma decisão do Supremo Tribunal Federal, que passa pelas mãos do ministro Edson Fachin, Julio busca retomar o cargo, e, nos bastidores do Palácio Barriga Verde, horas antes de se confirmar a decisão da juíza Janaína Cassol Machado, era dado como certo um pedido de habeas corpus junto ao Tribunal Federal Regional da 4ª Região, com sede em Porto Alegre.

O problema é que há o temor da defesa do deputado sobre uma provável derrota na segunda instância federal, que não seria salutar para quem já está sob pressão, teve que entregar o passaporte, permanece com tornozeleira eletrônica e sequer pode sair de Florianópolis para ir em São José, município contíguo à Capital.

Manter o posto de deputado significará vitalidade e uma maneira de dizer, publicamente, que enfrentará o mar turbulento que se avizinha de frente, com direito a articular.

 

Duro golpe

Julio virar réu, apontado pela Polícia Federal e pelo Ministério Público Federal como chefe da organização criminosa que se instalou em setores do Estado para obter vantagens em contratos na área da Secretaria da Administração, principalmente no setor de informática, é um detalhe apenas diante do grande estrago à sua imagem.

Não bastasse o impacto político, ter os filhos e a ex-mulher entre os demais cinco denunciados atinge a estrutura de Julio, que tem se mostrado forte até então na defesa do argumento de que não cometeu os crimes a ele atribuídos, tampouco poderia ter sido alvo de ações espetaculares da PF e de antecipações como a prisão preventiva em um desdobramento da Alcatraz.

A defesa do parlamentar usará todos os meios para provar uma outra tese, a de perseguição ao “peixe grande”, enquanto outra denúncia aguarda na fila da Justiça Federal e há mais investigações nas operações Alcatraz e Hemorragia.

 

Decisão

Na Assembleia, reina o silêncio sobre a convocação ou não do suplente, seja Jean Kuhlmann ou Ulisses Gabriel, ambos do PSD.

Confirmada a disposição, representaria uma grande derrota política de Julio, antecipada, pois ser réu não significa ser condenado, embora a acusação de corrupção pese muito entre os demais deputados e eleitores.  

 

Sem acordo

Quem acompanha os bastidores, sabe que há divergências explícitas dentro do PSD sobre quem será o eventual substituto de Julio Garcia em plenário.

Os desconfortos vão de A a Z.

 

Sinte

O Sindicato dos Professores da Rede Estadual de Ensino de Santa Catarina (Sinte) recuou na primeira proposta de decretar greve na véspera do retorno às aulas presenciais pelo calendário de reescalonamento.

Mas a história de luta da categoria mostra que esta não é uma decisão definitiva em função da situação que motivaria a paralisação, a falta de vacinação dos profissionais nas escolas.

Não há como enxergar a preocupação como legítima, porém, igualmente, por outro ângulo, como conflitante no atual momento em função de marcar a próxima assembleia para o dia 8 de março.

 

Risco

Pelo menos a Capital do Estado corre o risco de retroagir a algo parecido com o lockdown, ocorrido há quase um ano (17 de março), caso os motoristas e cobradores de ônibus revertam o estado de greve em paralisação definitiva, dentro de sete dias, com reflexos danosos para a atividade econômica.

A lista de não cumprimento de acordos pelo Setuf e Consórcio Fênix, firmada dentro da pandemia e até anteriormente, é justa e exigirá que empresários e a prefeitura de Florianópolis se mexam, senão estaremos diante de um quadro gravíssimo, principalmente porque sem ônibus o comércio quase para e as escolas também, uma solidariedade nada ao acaso por ora.

 

Pediu e nada

Na coletiva que concedeu em Chapecó, onde anunciou novos leitos de UTI, leitos de apoio e a contratação de profissionais, o governador Carlos Moisés revelou que, em 4 de dezembro passado, solicitou oficialmente ao Ministério da Saúde que incluísse os profissionais da educação no grupo prioritário de vacinação e não obteve resposta até agora.

Nesta quarta (17), Moisés e outros governadores vão debater vacinação contra a Covid-19, novas doses e um cronograma de entrega, em uma videoconferência com o desgastado ministro Eduardo Pazuello, poderiam incluir o assunto na pauta.

 

Próximo problema

O governo do Estado já pôs a Grande Florianópolis no radar e o prefeito Gean Loureiro (DEM) anuncia que ativará 10 novos leitos de UTI.

O Estado trabalha com a formalização de 30 novos leitos, 21 deles atualmente desativados, e há recursos para que voltem à operação.

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Roberto Azevedo

Roberto Azevedo
Jornalista com 36 anos de profissão. Foi repórter, editor, chefe de Reportagem, editor-chefe, chefe de Redação, gerente e diretor de Jornalismo na RBS TV (Blumenau e Florianópolis), hoje NSC TV; na TV Record (Florianópolis) e na Rede TV Sul (hoje SCC SBT); comentarista na RIC TV (hoje NDTV) e na Record News; editor de Política e colunista no Diário Catarinense (DC), e colunista no Notícias do Dia (ND). Atuou nas rádios União AM e FM (Blumenau e Florianópolis) e na Rádio Record da Capital. Atualmente, além do Making Of, faz comentários na Rádio Cidade em Dia FM, de Criciúma, e é diretor de Conteúdo na TVBV (Band).
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