Maio 04, 2021

Manobras, caneladas e apoios marcam a semana

Manobras, caneladas e apoios marcam a semana
DIVULGAÇÃO

Enquanto a governadora interina Daniela Reinehr visitava Joinville, o governador afastado Carlos Moisés (PSL) recebia o apoio de mais de 40 prefeitos e vices do Vale do Itajaí, na Casa d’Agronômica, e o deputado Laércio Schuster (PSB) entrava, no Supremo Tribunal Federal, com mais uma medida para protelar o julgamento do impeachment na próxima sexta (7).

Curiosamente, foi o deputado Jerry Comper (MDB), na foto, quem levou a carta de apoio até Moisés, acompanhado do prefeito Érico Oliveira, o Dida (MDB), de Ilhota, e do vice-prefeito de Ibirama, Jucélio de Andrade (MDB), parlamentar que teve a indicação do chefe da Defesa Civil, David Busarello, fulminada por Daniela a favor de Schuster.

Os dois deputados compartilham praticamente a mesma base eleitoral e a disputa está evidenciada desde que Comper emplacou, no primeiro escalão, um provável adversário de Schuster na próxima eleição.

Sem lograr êxito na primeira tentativa, Schuster parte para a canelada e levou ao presidente do STF, ministro Luiz Fux, um pedido de Reclamação Constitucional para que o ato do desembargador Ricardo Roesler, que não aceitou um requerimento do parlamentar para que Moisés deponha nesta fase do julgamento, seja revogado para protelar a decisão, uma atitude controversa.

 

Garantido

A manobra de Schuster terá consequências pela clara disposição em embarrigar o julgamento, algo que pode ser considerado um ato desesperado, embora regimental, o que não deixa de ser uma afronta à decisão de Roesler.

O deputado, que hoje representa todos os adversários políticos de Moisés no Tribunal Especial de Julgamento, pretende tirar alguma contradição nas respostas do governador ora afastado, gerar um fato novo diante de um quadro negativo para os que buscam a manutenção de Daniela no cargo.

 

Contra isso

Cresce o número de prefeitos que partem para o apoio de Moisés, oficialmente, em listas, como o fizeram alguns do PP, ou informalmente, em posições públicas.

Os mandatários temem a insegurança jurídica e o pipocar de processos de impeachment nos municípios, a repercussão do processo para lá de banalizado contra os chefes de Executivo em todos os níveis, fruto da ação política de adversários incomodados com as derrotas eleitorais recentes, o mesmo que ocorreu no Estado, onde o governador cortou os canais de fornecimento de muitos aliados de quem estava no poder.

 

Olhem só

Circula na CPI da Covid no Senado o nome do empresário Samuel Britto Rodovalho, aquele que não conseguiu vender ventiladores mecânicos ao governo catarinense, mas citou a palavra governador em uma conversa de WhatsApp e provocou a investigação contra Moisés no Superior Tribunal de Justiça.

Na CPI dos Respiradores na Assembleia e em depoimento à força-tarefa, liderada pelo Gaeco, Rodovalho disse que não conhece Moisés, não tem seu número de telefone e a Polícia Federal e o MPF nada encontraram com o governador ora afastado, o que não é suficiente para evitar o uso eleitoral do ocorrido.

O que quem propor tem que lembrar é que Rodovalho é ligado ao advogado Leandro de Barros, que foi secretário de Saúde em Biguaçu e teve cargo comissionado na Secretaria Estadual de Saúde (superintendente de Planejamento), quando João Paulo Kleinübing comandava a pasta e Gelson Merisio era o nome mais forte do governo Raimundo Colombo. Então.   

 

PATRÍCIA MORAES/DIVULGAÇÃO

A CARA DO MDB

O prefeito de Jaraguá do Sul, Antídio Lunelli (à direita, no alto), será um dos nomes do MDB nas prévias do próximo dia 15 de agosto para a disputa ao governo em 2022. Empresário de sucesso, Lunelli relembra os tempos em que o Manda Brasa era a oposição e a família já votava na sigla, quando sequer imaginava ser candidato a algum cargo. É um homem que aposta na gestão e na prestação de contas na prefeitura, sempre de uniforme: camisa azul, calça azul marinho e sapato preto. Com toda esta originalidade, Lunelli não tem dúvida ao declarar que tem um projeto para o Estado e não arreda o pé de disputar a prévia com o senador Dário Berger e o deputado federal Celso Maldaner. Detalhe: os três já administraram cidades, um na ativa ainda.

 

Convite

Mesmo que negue que possa trocar de partido, caso perca nas prévias, Lunelli confirma que chegou a ser convidado pelo Podemos, de Paulo Bornhausen.

Neste momento, o prefeito de Jaraguá conversa com todo mundo, e, nesta segunda (3), esteve com o ex-secretário da Fazenda Paulo Eli, filiado ao MDB, mas o assunto não foi política, prova de que Lunelli trabalha com a perspectiva de retorno de Moisés. Aliás, considera lamentável a situação contra o governador.    

 

Deu ruim

Secretário de Desenvolvimento Social do Estado, o vereador Claudinei Marques, de Florianópolis, tem irritado o Republicanos e aberto várias frentes no governo do prefeito Gean Loureiro (DEM), da Capital, com nomeações de parentes na Fazenda, Turismo e Asistência Social.

O secretário foi nomeado por Carlos Moisés em fevereiro passado, com as bênçãos do deputado estadual Sérgio Motta, porém, agora, Claudinei está na lista dos que não ficam no governo com o retorno do titular.

 

De novo

O ex-secretário adjunto estadual da Administração, Nelson Castello Branco Nappi Junior, virou réu em mais uma denúncia aceita pela juíza Janaína Cassol Machado no âmbito da Operação Alcatraz.

Dispensa de licitação irregular e fraude na contratação de serviços estão entre os crimes que teriam sido cometidos, de acordo com o Ministério Público Federal, com manutenção da prisão preventiva e domiciliar.  

 

Uma tragédia

Santa Catarina está abalada com a tragédia em Saudades, no Oeste, onde um homem de 18 anos invadiu uma creche com um facão, feriu uma criança, matou três outras,uma professora e uma funcionária, nesta terça (4).

Nas redes sociais, autoridades se manifestaram em solidariedade às famílias e com indignação pelo fato. O homem suspeito pelo crime está gravemente ferido e foi transferido para Pinhalzinho.

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Roberto Azevedo

Roberto Azevedo
Roberto Azevedo tem 36 anos de profissão. Estudou jornalismo na UFSC, de Florianópolis, e direito na FURB, de Blumenau. Foi repórter, editor, chefe de Reportagem, chefe de Redação, editor-chefe, gerente e diretor de Jornalismo, na RBS TV de Blumenau e Florianópolis, na TV Record de Florianópolis, na Rede TV Sul! e na TVBV (Barriga Verde, BAND); comentarista na RIC TV Record e na Record News, e colunista no Diário Catarinense (onde também foi editor de Política) e no Notícias do Dia, tendo blogs nas versões digitais das edições. Atuou nas rádios União de Blumenau e União FM de Florianópolis, e na Rádio Record da Capital catarinense. Além de ter uma coluna no Portal Making Of, desde setembro de 2016, faz comentários sobre política e economia na Rádio Cidade em Dia FM, de Criciúma, e na TVBV (BAND), de Florianópolis.
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