Janeiro 20, 2021

Mesa analisará a situação do presidente da Assembleia

Mesa analisará a situação do presidente da Assembleia
BRUNO COLLAÇO/AGÊNCIA AL

As 632 páginas do inquérito da Polícia Federal que determinaram a prisão preventiva do presidente da Assembleia, deputado Julio Garcia (PSD), por conta da Operação Hemorragia, desdobramento da Operação Alcatraz, já estão nas mãos da procuradoria do Legislativo para análise.

O encaminhamento dos documentos foi feito nesta quarta (20) pelo vice-presidente Mauro De Nadal (MDB), que marcou para esta quinta (21), pela manhã, uma reunião virtual com os integrantes da Mesa Diretora para na alisar a situação de Julio.

No despacho da juíza Janaína Cassol Machado, substituta da 1ª Vara Criminal Federal, a magistrada não só determina a prisão do presidente da Assembleia como sugere que ele seja afastado do exercício parlamentar, o que significaria, imediatamente, a saída do comando do Legislativo.

Curiosamente, mesmo Julio afastado da Assembleia neste momento, não há vacância do cargo cargo de presidente do parlamento estadual, situação singular que deverá ser resolvida pelos demais parlamentares a partir do encaminhamento da Mesa Diretora.

 

Por isso

A reação do advogado de Julio Garcia, o ex-desembargador Cesar Abreu, tenta evitar este desconforto, principalmente quando afirma que esta avaliação sobre a prisão em flagrante e preventiva de Julio não caberia a um magistrado de primeiro grau, mas um tribunal, no caso o Regional da 4ª Região.

De fato, não há fatos novos, como assegura Abreu, a Operação Hemorragia colide em muitos pontos com a Alcatraz, nem Julio virou réu, o problema é que, neste momento, o deputado, que é investigado por atos que teriam sido praticados fora do mandato parlamentar, chamuscou a imagem da Assembleia, que não foi sequer cenário para os supostos delitos.

 

A ideia

Julio, do alto de sua capacidade de composição política, sem ter virado réu ou ter sido condenado, entende isso mais do que ninguém, o que, para alguns, seria o suficiente para que o deputado do PSD tomasse a decisão de se afastar das funções: licença do mandato e da presidência.

Até porque a Assembleia não deve sangrar com Julio, mesmo que seja seu melhor escudo, o político, diante uma investigação federal, que envolve a PF e o MPF, que o acusa de vários níveis de corrupção e de ser o líder de uma operação criminosa instalada na administração estadual, talvez aquela da qual falava Carlos Moisés quando foi afastado do cargo na continuidade do primeiro impeachment.

 

DIVULGAÇÃO

NEM AÍ PARA AS AMEAÇAS

Na passagem por Florianópolis, nesta semana, o deputado federal Arthur Lira (PP-AL) recebeu maciço apoio dos parlamentares da bancada catarinense do PSL na Câmara, muito mais do que o abraço registrado no deputado Daniel Freitas (às direita na foto). Coronel Armando estava presente e Caroline de Toni justificou a ausência no encontro realizado no Hotel Majestic, ou seja, os três seguem a orientação do presidente Jair Bolsonaro, maior apoiador de Lira e seu “capitão eleitoral” para chegar ao comando da Câmara, na condição de quem definirá a pauta do Congresso e evitará eventuais aceites de pedidos de impeachment. O deputado Antonio Bivar (PSL-PE), presidente da sigla, não constrange Freitas, De Toni e Armando, nem aí com eventuais punições e ameaças para votarem com o partido no deputado Baleia Rossi (MDB-SP), apoiado por Rodrigo Maria (DEM-RJ).

 

Dizem que são 9

Lira tem a maioria dos deputados da bancada catarinense na câmara, garantem os defensores de sua candidatura, respaldada inclusive pelo senador Esperidião Amin (PP), que estava presenta ao evento, assim como os deputados federais Angela Amin (PP), Darci de Matos (PSD) e Hélio Costa (Republicanos).

Na lista, também estariam Ricardo Guidi (PSD), Geovânia de Sá (PSDB) e Rodrigo Coelho (PSB).

 

Fatos

Lira teve dificuldade em dizer alguns nomes de origem alemã e brindou a diversidade étnica catarinense por isso, principalmente quando fazia referência ao ex-presidente da Assembleia e atual presidente do PP catarinense, deputado Silvio Dreveck.

Mas o que chamou a atenção enquanto o candidato ao comando da Câmara discursava foi a indisfarçável fome de Darci de Matos, que se agarrou com muita vontade em um salgadinho servido aos presentes.

 

No aguardo

No retorno das férias neste semana, o presidente do TJ e do Tribunal Especial de Julgamento, desembargador Ricardo Roesler afirmou que ainda aguarda a diligência junto ao STJ, que pede a o parecer da Polícia Federal sobre a participação do governador Carlos Moisés no pagamento antecipado de R$ 33 milhões para a compra dos respiradores junto à Veigamed.

O pedido, feito pelo deputado Valdir Cobalchini (MDB), impediu a realização do prosseguimento da análise do segundo impeachment contra o governador, marcada para dezembro passado. 

  

Tags:
roberto-azevedo política economia bastidores da política Santa Catarina
Compartilhe: Compartilhe no FacebookCompartilhe no TwitterCompartilhe no Linkedin

Artigos Relacionados

Roberto Azevedo

Roberto Azevedo
Jornalista com 36 anos de profissão. Foi repórter, editor, chefe de Reportagem, editor-chefe, chefe de Redação, gerente e diretor de Jornalismo na RBS TV (Blumenau e Florianópolis), hoje NSC TV; na TV Record (Florianópolis) e na Rede TV Sul (hoje SCC SBT); comentarista na RIC TV (hoje NDTV) e na Record News; editor de Política e colunista no Diário Catarinense (DC), e colunista no Notícias do Dia (ND). Atuou nas rádios União AM e FM (Blumenau e Florianópolis) e na Rádio Record da Capital. Atualmente, além do Making Of, faz comentários na Rádio Cidade em Dia FM, de Criciúma, e é diretor de Conteúdo na TVBV (Band).
  • Youtube

Comentários

Media Social

Fique por dentro

Receba novidades no seu e-mail!