Outubro 31, 2020

Adeus e muito obrigado, SEAN CONNERY!

Adeus e muito obrigado, SEAN CONNERY!

Adeus e muito obrigada, Sir Sean Connery

Quem acompanha a coluna sabe de meu amor por alguns atores e diretores. Sean Connery é um dos mais queridos! Hoje acordei sem saber de sua morte, aos 90 anos, nas Bahmas. De repente comecei a receber várias mensagens de amigos me confortando como se eu fosse da família Connery. Todos sabem do meu encantamento por Sean. Era a foto dele que estampava a minha tela de computador nos meus anos de televisão. Todos sabiam que aquele papel de parede era imexível. Um dia, a equipe de T.I. mexeu nas máquinas e a imagem SUMIU. Meus colegas diziam para o pobre técnico apavorado : “ acha essa foto logo, se não a Brí vai te matar”!!

Lembro dessa história divertida, mas estou triste. Muito triste. E pensando que maldição jogaram sobre o ano de 2020! Quantas perdas, quanta dor!

O que me consola que é Sean morreu dormindo, nas Bahamas, ao lado da família. E que terei seus filmes para ver para sempre. Vá em paz, my darling.

Obs.: Em 10/11/2019 escrevi essa edição em homenagem a ele. Boa leitura”!

*******************************************************************

 

Ele foi o primeiro e o mais popular agente 007 da história, por isso não resisti ao clichê do título. Afinal, Sean Connery repetiu a frase "meu nome é Bond, James Bond" em seis filmes : O Satânico Dr. No (1962); Moscou Contra 007 (1963); 007 Contra Goldfinger (1964); 007 Contra a Chantagem Atômica (1965); Com 007 Só Se Vive Duas Vezes (1967); 007 - Os Diamantes São Eternos (1971). Há um 7° que não consta oficialmente da série: Nunca mais outra vez.

Apesar da forte marca deixada pelo espião criado pelo escritor Ian Fleming, o ator provou ser eclético e interpretou outros papeis bem diferentes em 40 anos de carreira. Matéria prima é que não falta, pois a infância paupérrima em Edimburgo, Escócia, onde nasceu, não indicava que um dia ele viraria Sir Sean Connery, pelas mãos da rainha Elizabeth II. Ferrenho ativista pela autonomia da Escócia, Sean fez questão de que a cerimônia fosse realizada no seu país natal, na qual compareceu vestindo um kilt, traje típico escocês( imagem que jamais esquecerei...hahahaha)!

Seu talento, beleza, elegância e postura fez dele uma espécie de modelo para outros atores que sempre dizem querer envelhecer como Sean Connery. Aliás, em 1999, foi escolhido pela famosa revista People o homem mais sexy do século, título que ele deve ter recebido com a maior indiferença.

O último filme de Sean Connery foi A Liga Extraordinária de 2003. Em 2008, recusou o retorno à série Indiana Jones em Indiana Jones E O Reino Da Caveira De Cristal, como pai do personagem principal. O grande ator resolveu se aposentar, reclamando da falta de bons roteiros e também pelos problemas físicos comuns a quem está com 89 anos de idade. Hoje vive nas Bahamas com a artista plástica Michelline Roquebrune Connery, com quem é casado desde 1975. Vida longa e saúde ao homem que não queria ser rei, mas quase chegou lá!

Fica aqui minha singela homenagem a este ator, de quem sou tiete declarada!

Boa leitura, bons filmes. Até a próxima sessão.

___________________________________________________________

 

MARNIE – CONFISSÕES DE UMA LADRA –  Alfred Hitchcock – 1964

Este é um dos meus filmes favoritos do mestre do suspense. Baseado no livro do inglês Winston Graham, ele conta a história de Marnie, uma cleptomaníaca que se emprega como secretária para dar um golpe na empresa. E quem aparece para salvá-la, não montado num cavalo branco, mas dirigindo um carro de luxo? O filho do empresário. Ele é Sean Connery, ela é Tippi Hedren, que depois filmaria Os Pássaros com Hitchcock. Mark Ruthland, o personagem de Sean, obriga Marnie a casar com ele, enquanto pesquisa sobre seus problemas emocionais. No final, bem... (disponível no YouTube)

 

ZARDOZ – John Boorman – 1974

Este filme de ficção científica recebeu críticas como "esquisito", "pretensioso", "incompreensível", mas ele é um pouco estranho mesmo. A trama: num ambiente pós-apocalíptico o mundo está dividido em três grupos, os miseráveis e famintos Brutais, os Exterminadores e a elite, os Imortais. Nessa sociedade Deus é um artifício criado pelos Imortais, uma bizarra cabeça de pedra de onde saem as ordens para execução. Connery é Zed, o líder os Exterminadores. Não revejo Zardoz há décadas, então já não lembro o que pensei sobre o filme na época. Só Sean Connery é inesquecível com um figurino um tanto bizarro: tanga vermelha, botas acima dos joelhos e uma longa trança no cabelo.

 

O HOMEM QUE QUERIA SER REI – John Houston – 1975

Às vezes esqueço como gosto dos filmes de John Houston ( Uma aventura na África, À sombra do vulcão, O Pecado de todos nós, A noite do Iguana, Chinatown...)! Qualquer hora vamos falar mais deste diretor...por enquanto, fiquemos com o filme baseado no conto de Rudyard Kipling, The man who would be king. Nele, Sean Connery contracena com outro grande ator, Michael Caine. Eles interpretam dois ex-soldados ingleses, na Índia Britânica, que decidem abandonar o exército e realizar uma viagem aos países vizinhos, chegando ao Kafiristão, onde pretendem viver como reis.

O diretor queria Clark Gable e Humphrey Bogart nos papéis, depois pensou em Burt Lancaster e Kirk Douglas e também Robert Redford e Paul Newman. O próprio Newman achou que Connery e Caine eram mais adequados. Ele tinha razão.

Sean Connery considera seu papel em O Homem Que Queria Ser Rei como o preferido de sua carreira (veja uma cena abaixo)

 

ROBIN E MARIAN – Richard Lester – 1976

Que ideia maravilhosa imaginar o herói Robin Wood , já envelhecido, voltando a Sherwood e reencontrando os antigos companheiros de luta. Ele fica sabendo também que Maid Marian, seu grande amor, agora vive em um convento. O reencontro é cheio de emoção e, depois de salvá-la de um inimigo, eles voltam aos velhos tempos amorosos. Sean, na pele do herói, contracena com Audrey Hepburn. Ela não atuava há nove anos e aceitou o papel por insistência dos filhos que queriam ver a mãe contracenando com James Bond! O resultado é uma beleza.

 

O NOME DA ROSA – Jean Jacques-Anaud -1986

Fazer uma adaptação do livro de Umberto Eco para o cinema foi uma grande ousadia do diretor francês. Não por acaso o filme levou cinco anos para sair do papel. O resultado foi muito bom! A trama se passa em um remoto mosteiro no norte da Itália em plena Idade Média. Sean é William de Baskerville, um monge franciscano, que junto com seu ajudante, o noviço Adso de Melk ( Christian Slater então com 15 anos), começa a investigar a misteriosa morte de monges no local. Ao contrário dos demais clérigos, que acreditavam que as mortes eram obras da ação demoníaca e sinais do apocalipse, William e Adso são movidos pelo conhecimento racional, pela experiência, pela investigação e a dedução.

Sean Connery ganhou o importante prêmio Bafta de melhor ator pelo papel e o filme o francês César de melhor filme estrangeiro.

 

OS INTOCÁVEIS – Brian de Palma – 1987

Sean Connery ganhou o Oscar e o Globo de Ouro de Melhor Ator Coadjuvante pelo papel de um policial que caça o mais famoso gangster da história: Al Capone, interpretado por outro monstro sagrado, Robert De Niro. O filme também ganhou o Cesar, mais importante prêmio de cinema na França, de melhor produção estrangeira.

Na Chicago dos anos 30, o jovem agente federal Eliot Ness (Kevin Costner) tenta acabar com o reinado de terror e corrupção instaurado pelo gângster Al Capone. Para isso, ele recruta um pequeno time de corajosos e incorruptíveis homens e conta com a ajuda do experiente policial Jim Malone (Sean Connery). ( Sinopse: Adoro Cinema)

 

ENCONTRANDO FORRESTER – Gus van Sant- 2000

Costumo me referir a Encontrando Forrester como o melhor dos últimos filmes de Sean Connery. Ele também deve achar, porque depois de participar de produções como A Liga Extraordinária, decidiu se aposentar do cinema, para minha imensa tristeza!

Sean interpreta William Forrester, escritor com um único livro publicado, que vive recluso no seu apartamento, no Brooklin, desde que os críticos começaram a especular o que ele quis dizer quando no romance premiado com o Pulitzer. Um dia, Jamal, um jovem de 16 anos invade o apartamento do "esquisitão" e acaba esquecendo seus escritos que são lidos e corrigidos por William. Começa então uma relação professor-aluno e o jovem do gueto vê se abrir novas possibilidades na sua vida de garoto pobre. O filme lembra outro do mesmo diretor: O gênio indomável, anterior e de maior sucesso. Mas Encontrando Forrester é um filme simpático e Sean Connery está muito lindo!

 

Outros:

O vento e o leão, Ver-te-ei no inferno, A Casa da Rússia, Caçada ao Outubro Vermelho, Indiana Jones e a última cruzada, Armadilha, A Rocha...

___________________________________________________________

 

Tags:
cinema séries beijos de cinema arte cultura séries de TV netflix
Compartilhe: Compartilhe no FacebookCompartilhe no TwitterCompartilhe no Linkedin

Artigos Relacionados

Exclusivo

Para um amigo partindo

Novembro 20, 2020
Exclusivo

O tempo e a traça

Novembro 13, 2020
Exclusivo

O novo (a)normal

Novembro 06, 2020
Exclusivo

O álibi perfeito

Outubro 30, 2020

Brígida Poli

Brígida Poli

Jornalista, cinéfila desde criancinha e maníaca por séries de TV desde "Os Sopranos". Não se considera crítica de cinema, pois não consegue deixar o coração de lado na hora de avaliar um filme. Adora falar e escrever sobre o assunto e tenta chamar a atenção para as grandes obras cinematográficas que as novas gerações desconhecem. Concorda com o mestre Federico Fellini quando ele disse que "o cinema é um modo divino de contar a vida".

Comentários

Media Social

Fique por dentro

Receba novidades no seu e-mail!