Junho 09, 2021

Moisés está entre boas ações e a CPI da Covid

Moisés está entre boas ações e a CPI da Covid
EDILSON RODRIGUES/AGÊNCIA SENADO

Que a CPI da Covid no Senado (foto) perdeu o rumo e sobrou apenas o palanque eleitoral antecipado não há dúvida, principalmente agora com repetidas convocações do ministro Marcelo Queiroga (Saúde), para perguntas sem base, que repetem uma ladainha das redes sociais ou focam na tentativa de desqualificar o presidente Jair Bolsonaro em relação ao combate contra a pandemia, como se isso fosse necessário.

Mas a convocação de nove governadores – entre eles o catarinense Carlos Moisés (PSL) -, um ex-mandatário (Wilson Witzel, do Rio de Janeiro) e da vice-governadora de Santa Catarina, Daniela Reinehr, incomoda e gera a expectativa de novos fatos políticos, mesmo sobre matérias requentadas como o caso dos respiradores e os R$ 33 milhões pagos sem a garantia de entrega, o que nunca ocorreu.

No dia em que poderia comemorar resultados positivos na economia, a redução dos casos de violência, a acelerada para a votação na Assembleia para a criação do SC Mais Renda (três parcelas de R$ 300,00 para os mais pobres e os que perderam o emprego entre 19 de março de 2020 e 1º de maio de 2021, calculados em 65 mil pessoas) e anunciou um calendário otimista para a vacinação de toda a população do Estado, de 59 a 18 anos, até outubro próximo (veja abaixo), Moisés teve que engolir a data de 6 de julho para o depoimento aos senadores.

É um caso típico de constrangimento político, não de fatos, até porque, além de passar por um processo de impeachment arquivado e de uma CPI na Assembleia, o governador teve a vida devassada por uma investigação de Polícia Federal, que acabou arquivada pelo ministro Benedito Gonçalves, do STJ, a pedido da subprocuradora-geral da República, Lindôra de Araújo, conhecida pelo rigor no combate à corrupção, mis  isenção criminal diante de uma série de investigações do MP Estadual, Gaeco, Polícia Civil e Tribunal de Contas.

 

Por uma pergunta

É uma situação diferente para Moisés por conta das situações conclusas, mas o complicador para o governador é a presença do senador Jorginho Mello (PL), integrante da CPI da Covid na condição de tropa de choque do presidente Jair Bolsonaro.

Pré-candidato ao governo em 2022, Jorginho joga por apenas um gol: perguntar onde foram parar os R$ 33 milhões, mesmo que mais de R$ 14 milhões tenham sido recuperados, algo que é olimpicamente ignorado pelos adversários do governador.

 

Estratégia

Moisés assinou a Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF), ingressada por 18 governadores, mais gente do que os nominados pelos senadores, que questiona a legitimidade da CPI para convocá-los, algo vedado pela Constituição.

Mas também há a expectativa do resultado do habeas corpus impetrado pelo governador do Amazonas, Wilson Lima (PSC), primeiro a depor, que solicitou não comparecer ou ficar em silêncio, decisão do Judiciário que valerá para os demais chefes de Executivo estaduais. O HC, que será analisado pelo ministro Ricardo Lewandowski, poderá ser o caminho dos demais governadores depois que a ADPF caiu nas mãos da lenta ministra Rosa Weber.

 

Olha só

Para traçar um paralelo da situação fora da curva em que se contra Moisés em relação ao objeto da CPI, que apura o uso irregular de recursos federais por estados e municípios, é bom saber alguns fatos.

Além de não existir dinheiro da União na compra em Santa Catarina, foi a tenaz Lindôra de Araújo que apresentou a denúncia contra Wilson Lima, do Amazonas, que, no fim do mês passado, foi alvo da Operação Sangria, da PF, sobre desvios da recursos federais destinados ao combate da pandemia.

 

Busca incessante

Os senadores da CPI da Covid ainda procuram a “bala de prata”, tanto para fulminar Bolsonaro quanto para espalhar as críticas a governadores e prefeitos de cidades com mais de 200 mil habitantes, tática para esvaziar de vez a investigação.

Mais ou menos o que os deputados estaduais fizeram na CPI dos Respiradores na Assembleia, que faziam, a todo dia, uma nova denúncia bombástica e nada conseguiram evoluir além do que a força-tarefa liderada pelo Ministério Público já havia levantado. Se dependesse do artefato jamais encontrado, lobisomens e vampiros catarinenses estariam livres.

 

Grande ideia

O senador Esperidião Amin (PP) editará, mensalmente, um balanço eletrônico, com direito a imagens aéreas feitas por drone, sobre a situação da obra no Contorno Viário da Grande Florianópolis, obra que ganha contornos de novela.

A divulgação é didática e dá uma ideia de onde estão os gargalos da obra que deveria estar concluída em 2012. Acompanhe o vídeo:

 

 

BRUNO COLLAÇO/AGÊNCIA AL

QUAL SERÁ O DESTINO DE PAULINHA?

Depois de 32 anos de filiação e de bandeirinha na mão do PDT, desde os 13 anos, a brizolista Paulinha da Silva usou a tribuna da Assembleia, na sessão desta terça (8), para se despedir da sigla. A deputada mantém a posição de que soube da expulsão pela imprensa e agradeceu aos funcionários de seu gabinete, aos filiados e entusiastas pedetistas. Sobre o futuro, Paulinha, que enfrentará uma batalha judicial para evitar a perda do mandato, saiu na condição de atiradora ao criticar o partido por uma postura de privilegiar projetos pessoais e buscar cargos. Depois de assegurar a cadeira no parlamento, decidirá entre as propostas que já recebe, entre elas de MDB, PSDB, PSD e Podemos. Usará os 51 mil votos conquistados em 2018 para valorizar o passe. Paulinha conta tudo e muito mais ao jornalista Leo Coelho, no programa Bon Vivant, da TVBV (Band), neste sábado (12).

 

Ação rápida

O feeling da Assembleia é de que não deve haver lentidão na análise da MP que concede o auxílio emergencial a famílias catarinenses, tanto que entre o parecer do deputado Valdir Cobalchini (MDB), na CCJ, e a chegada da matéria nas mãos do deputado Marcos Vieira (PSDB), na Comissão de Finanças e Tributação, o trâmite foi muito ágil.

Determinação do presidente Mauro de Nadal (MDB) foi seguida pelo plenário, ao aprovar a tramitação, e não deve ser diferente em plenário, muito semelhante às linhas de crédito abertas para compensar as perdas de pequenos e microempresários, mais microempreendedores individuais.  

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Roberto Azevedo

Roberto Azevedo
Roberto Azevedo tem 36 anos de profissão. Estudou jornalismo na UFSC, de Florianópolis, e direito na FURB, de Blumenau. Foi repórter, editor, chefe de Reportagem, chefe de Redação, editor-chefe, gerente e diretor de Jornalismo, na RBS TV de Blumenau e Florianópolis, na TV Record de Florianópolis, na Rede TV Sul! e na TVBV (Barriga Verde, BAND); comentarista na RIC TV Record e na Record News, e colunista no Diário Catarinense (onde também foi editor de Política) e no Notícias do Dia, tendo blogs nas versões digitais das edições. Atuou nas rádios União de Blumenau e União FM de Florianópolis, e na Rádio Record da Capital catarinense. Além de ter uma coluna no Portal Making Of, desde setembro de 2016, faz comentários sobre política e economia na Rádio Cidade em Dia FM, de Criciúma, e na TVBV (BAND), de Florianópolis.
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