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domingo, 22 maio, 2022

Moisés tem planos para a filiação, mas quer outros

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Moisés tem planos para a filiação, mas quer outros
ROBERTO AZEVEDO

Quando esteve em Brasília, há duas semanas, e se encontrou com o senador Alvaro Dias (PR), do Podemos, e com a deputada federal Geovania de Sá, presidente estadual do PSDB, o governador Carlos Moisés também se reuniu com a cúpula do Avante, que passou a ser opção para uma filiação de olho em 2022, e, à época, foi dada como uma agenda secreta.

Um partido de centro, como se define, o Avante tem força em Minas Gerais, onde conquistou 50 prefeituras na eleição do ano passado e elegeu sete deputados federais (três deles por MG e nenhum da região Sul), em 2018, e o vice-governador do Distrito Federal, Marcus Vinícius Britto de Albuquerque Dias, o Paco Britto.

Moisés sequer revelou o nome do Avante, algo tratado com a discrição que deve indicar a falta de prioridade ou uma reserva técnica caso não se consolide o verdadeiro objetivo do governador, sem partido há cinco meses, o sonho de ter MDB e PP no mesmo palanque ao lado dele.

O que falta para Moisés é a definição do destino, enquanto o tempo passa, as demais siglas começam a se definir e nenhuma delas está a fim de esperar sentada para acertar, de última hora, uma aliança diante de uma candidatura à reeleição.

 

Sem confirmar

Presidido em Santa Catarina pela professora Terezinha Ricardo do Nascimento, que concorreu à Câmara de Joinville, em 2020, a legenda é eminentemente municipalista, tanto que elegeu cinco vereadores no Estado, em Araranguá (1), Criciúma (1), Balneário Rincão (1) e Palhoça (2).

Terezinha, há 16 anos na sigla, desde os tempos em que era PTdoB, antes de 2017, afirma não ter confirmação sobre a possibilidade de filiação de Moisés, mas que certamente será a primeira a ser informada em caso de encaminhamento, pois pertence à executiva nacional do partido.

Mas adiantou que, em 2022, o partido estará na aliança em torno do governador em Santa Catarina, em caso de candidatura à reeleição, um indício pra lá de forte que há conversas nos bastidores.

 

Interessante

Houve repercussão dentro do Avante catarinense por causa de uma frase pronunciada pelo prefeito Volnei Morastoni (MDB), de Itajaí, ao finalizar o discurso no anúncio do Plano 1000, na terça (14).

“Avante, governador! Mãos à obra!”, bradou Morastoni, o que provocou perguntas de filiados à presidente Terezinha Nascimento sobre uma eventual chegada de integrantes poderosos ao partido, e a resposta, técnica, foi de que não passou de uma coincidência.

Aliás, este tipo de coisa em política é muito maior do que uma pulga atrás da orelha, já que, ao finalizar o discurso, no mesmo evento no Teatro do CIC, foi Moisés quem soltou um “vamos juntos”, ao convidar a sociedade e os políticos para aderirem à causa municipalista do plano ousado.

 

Teoria

A ideia de pertencer a um partido de menor porte, com a possibilidade de ampliar o espaço no rádio e na TV com a formação de uma coligação com grandes siglas é arriscada no contexto porque Moisés reluta em assinar ficha antes de 2022 começar, tampouco acreditem naquela ideia pré-concebida de que o ideal é se apoderar de uma sigla, mandar e começar as conversas com outras legendas.

O governador não tem este perfil e, o mais certo, seria seguir o passo dado por Jair Bolsonaro, que resolveu definir o endereço partidário por conta do crescimento da candidatura de Lula (PT) e a chegada de um incômodo Sérgio Moro ao Podemos, que tem prática do discurso contra a corrupção, que foi uma alavanca na eleição do presidente da República.

Perder votos de apoio na Assembleia é inevitável com a probabilidade de que muitos partidos já estejam comprometidos antes de Moisés se definir, uma tragédia eleitoral já em curso, contra o relógio.

 

Cenário

No Estado, Jorginho Mello (PL), Gean Loureiro (União Brasil) – que, por ora, constrói a mais forte das alianças -, Fabrício Oliveira (Podemos) e Vinícius Lummertz (PSDB), além das batalhas internas no PSD (João Rodrigues, Raimundo Colombo e Napoleão Bernardes) e no MDB (Antídio Lunelli, Celso Maldaner e Dário Berger), mostram que, em breve, faltará espaço para a construção de coligações amplas ou mesmo a reedição de algo semelhante à tríplice aliança, que um dia foi composta por emedebistas, pessedistas e tucanos.

O requisito para entrar no jogo, na condição de candidato à reeleição e a prerrogativa de estar no cargo, é se filiar para alinhavar composições e não buscar apoios e, por último, assinar a ficha.

 

E tem outra

O deputado Coronel Onir Mocellin, oficial da reserva remunerada do Bombeiro Militar como o governador, sintetiza o sentimento de alguns influentes que cercam Moisés, a ideia fixa de que o caminho seria o Republicanos (REP).

Mocellin, que concorrerá a deputado federal e ainda está no PSL por força do entendimento legal e para não comprometer o mandato, ouviu do deputado federal Marcos Pereira (SP), presidente nacional do Republicanos, que ele irá liberar os acordos estaduais.

 

Avaliação

O que parece, em primeiro momento favorável a Moisés, significará, em Santa Catarina, que o REP se incline por Jorginho Mello ou Gean Loureiro ou Esperidião Amin.

Até porque a sigla já esteve com tantos inquilinos no Palácio do Planalto e na Casa d’Agronômica que não é difícil saber que, necessariamente, será aliado do próximo presidente da República e do governador, sejam eles ou elas quem forem, pouco importa a ideologia ou o matiz partidário.  

 

REPRODUÇÃO/REDE SOCIAL

FESTA PLURAL

A solenidade de anúncio dos R$ 7,3 bilhões do Plano 1000 foi multipartidária e a foto do prefeito Antídio Lunelli (MDB), de Jaraguá do Sul, um pré-candidato em 2022 ao posto de governador, ao lado de Carlos Moisés, mostrou esta faceta. Lunelli não era o único presente que tem pretensões a morar na Casa d’Agronômica, Gean Loureiro (União Brasil), que estava em casa, e João Rodrigues (PSD), de Chapecó, também bateram ponto. A eles se juntaram Adriano Silva (NOVO), de Joinville; Joares Ponticelli (PP), de Tubarão; Clésio Salvaro (PSDB), que elogiou o plano; Eduardo Freccia (Podemos), de Palhoça; Mário Hildebrandt (Podemos), de Blumenau; José Thomé (PSD), de Rio do Sul; e Orvino de Ávila (PSD), de São José, só para citar alguns entre os 70 prefeitos convidados. Assista à solenidade completa em:

 

SANDRO FREITAS/RÁDIO CIDADE EM DIA FM/CRICIÚMA

POR LULA!

O ex-deputado federal Jorge Boeira, que deixou o PP esta semana, afirmou em entrevista ao jornalista Rafael Mattos, no Em Dia com a Cidade, na Cidade em Dia FM, de Criciúma, nesta quinta (16), que o eleitor percebe a questão da corrupção, porém prefere Lula (PT) a Jair Bolsonaro (PL) porque a vida nas administrações do ex-presidente era melhor. Boeira avalia um salto para disputar cargos no Executivo e sabe que a cobrança sobre os desmandos relatados pela Operação Lava Jato virá. Na Câmara, em Brasília, o engenheiro e empresário conviveu com Bolsonaro e lamenta a falta de políticas mais efetivas do atual presidente. Para Boeira, o Auxílio Brasil é um programa eleitoreiro, sem atender a real necessidade da população mais pobre e diminuir as diferenças de oportunidade agravadas com a pandemia. Declarações fortes para quem tem base, talvez, na região mais bolsonarista de Santa Catarina.

 

Caminho

Boeira avalia o projeto do PSB ao governo, que também deve ter o senador Dário Berger, ainda no MDB, como alternativa.

É justamente esta leitura que pesará na entrada dele na sigla, presidida pelo ex-deputado federal Cláudio Vignatti, de quem foi contemporâneo no Congresso, assim como Esperidião Amin (PP), Jorginho Mello (PL), João Rodrigues (PSD) e Décio Lima (PT), pessoas sobre quem garante ter bom convívio e amizade, peças importantes no tabuleiro da eleição em 2022 no Estado.

Em tempo, Boeira foi do MDB, depois PT, com rápida passagem pelo PSD até chegar ao PP, e deve rumar para o PSB.  

Roberto Azevedo
Roberto Azevedo tem 37 anos de profissão. Estudou jornalismo na UFSC, de Florianópolis, e direito na FURB, de Blumenau. Foi repórter, editor, chefe de Reportagem, chefe de Redação, editor-chefe, gerente e diretor de Jornalismo, na RBS TV de Blumenau e Florianópolis, na TV Record de Florianópolis, na Rede TV Sul! e na TVBV (Barriga Verde, BAND); comentarista na RIC TV Record e na Record News, e colunista no Diário Catarinense (onde também foi editor de Política) e no Notícias do Dia, tendo blogs nas versões digitais das edições. Atuou nas rádios União de Blumenau e União FM de Florianópolis, e na Rádio Record da Capital catarinense. Além de ter uma coluna no Portal Making Of, desde setembro de 2016, faz comentários sobre política e economia na Rádio Cidade em Dia FM, de Criciúma, e na TVBV (BAND), de Florianópolis.
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